Opinião

Os projectos de requalificação

A comuna de Calumbo, no município de Viana, vai ganhar uma série de novas infra-estruturas de impacto socioeconómico, com a implementação, nos próximos tempos, do programa de requalificação que vai ser levado a cabo pelo Executivo, segundo o administrador daquela localidade, de acordo com a notícia do Jornal de Angola.

03/03/2020  Última atualização 09H20


Essa iniciativa, que deve ser encorajada, constitui um passo importante para a melhoria da vida das populações e urge estender procedimentos desta natureza noutras circunscrições do país.
E entre as novas infra-estruturas que devem ser aceleradas para bem das famílias, a das águas, energia, ao lado da reabilitação ou construção de raiz de estradas, devem merecer prioridade absoluta e urgência.
A periferia das grandes cidades de Angola cresceu a uma velocidade desproporcional ao desenvolvimento das infra-estruturas que suportariam a vida das comunidades em condições normais.
A falta de água, apenas para mencionar este precioso líquido, constitui um entrave monumental à saúde, ao bem-estar e ao crescimento económico do país. Como defende o Banco Mundial, um dólar gasto em água significa quatro poupados com os cuidados de saúde, uma realidade que nos deve fazer a todos repensar as condições em que os serviços de fornecimento de água funcionam um pouco por todo o país.
Há dias ainda e igualmente noticiado pelo Jornal de Angola, ouvimos que “vinte e oito famílias no bairro Soconinfa, município de Cacuaco, província de Luanda, foram assoladas por um surto de diarreia e vómitos, motivado pelo consumo de água imprópria, retirada de um respirador da conduta que sai de Kifangondo em direcção a Luanda”.
Trata-se de uma localidade que se encontra entre os arredores da cidade capital que, seguramente à semelhança de tantas outras circunscrições administrativas do país, vive desafios relacionados com o fornecimento de água potável.
Portanto, quando ouvimos falar sobre iniciativas para a melhoria das infra-estruturas, tal como anunciou Bunga Filipe, administrador da comuna do Calumbo, Viana, em Luanda, ocorre-nos invariavelmente a ideia de que entre esses passos devem incluir projectos que envolvam água e luz.
Na verdade, é recomendável e urgente que exista um plano de médio e longo prazos para acompanhar o fenómeno da expansão dos bairros suburbanos sem infra-estruturas básicas. Se por um lado e aparentemente parece inevitável o surgimento de bairros novos com um mapa urbanístico e territorial “mal desenhado”, que sejam, por outro lado, acautelados, ao menos, os espaços para a instalação de infra-estruturas básicas para facilitar a vida das populações.
Hoje, todos os bairros periféricos das grandes cidades de Angola, de Cabinda ao Cunene, carecem de programas e planos estruturados de requalificação, quer para acompanhar o crescimento destas circunscrições territoriais, quer para assegurar alguma qualidade de vida às populações.
Por isso, defendemos que os processos de requalificação das localidades devem incluir, preferencialmente, projectos inadiáveis que incidam directamente na vida das populações, como são aqueles relacionados com a água e luz.
Obviamente que todos os outros projectos não deixam de ter a relevância que devem passar a ter na agenda da governação ou administração mais próxima das comunidades. Mas o fornecimento de água, completamente em condições, e energia, em quantidade e qualidade, ininterruptamente, joga um papel sem igual na melhoria da qualidade de vida das populações.

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