Opinião

Os nossos oceanos

"Estamos diante de mais uma oportunidade de analisarmos tudo o que fizemos para garantir o cumprimento das metas definidas pelas Nações Unidas em termos da redução da poluição marinha, da protecção dos ecossistemas marinhos e costeiros, da redução da acidificação dos mares, do fim da pesca excessiva e da pesca ilegal", lembrou o Presidente da República, João Lourenço, ontem, em Lisboa, durante a intervenção na II Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, Lisboa, Portugal.

28/06/2022  Última atualização 11H05

O encontro, uma iniciativa conjunta das Nações Unidas e do Quénia, constitui, evidentemente, uma grande oportunidade para que os Estados, as sociedades, as populações e pessoas singulares encarem com seriedade os níveis de resíduos não degradáveis, como os plásticos, que vão parar ao mar, ameaçando gravemente a vida marinha.

Na verdade, um pouco por todo o mundo, se olharmos para a orla marítima da maioria dos países,  embora com maior incidência para as regiões mais pobres, os mares à volta transformaram-se em espécies de valas gigantescas  de macro drenagem.

Numerosas valas cujo conteúdo líquido, algumas vezes também sólido, drenam para o mar estão desprovidas de dispositivos de tratamento das águas que se direccionam para o mar.

As chamadas "estações de tratamento das águas residuais", também conhecidas pelas iniciais "etar", em muitas localidades deixaram de existir ou de funcionarem, havendo casos de desconhecimento da sua utilidade por parte das populações.

Há muito que as Nações Unidas, baseadas em estudos, alertam que nos próximos tempos, a quantidade de resíduos plásticos no mar será igual ou superior ao de peixes, uma perspectiva que nos devia preocupar para tomar as medidas que se impõem.

Daí a razão pela qual o Presidente João Lourenço disse que "o  triste cenário que hoje constatamos impele-nos a agir com a máxima urgência por forma a encontrarmos soluções que invertam a actual tendência de poluição dos mares e oceanos e de exploração desregrada dos recursos marinhos".

A necessidade em debater, trocar informações  e experiências, bem como juntar sinergias em nome da sustentabilidade da vida marinha é significativa  ao ponto de o Presidente preferir juntar-se aos outros estadistas, como explicou na primeira pessoa, "num momento em que o meu país se está a preparar para realizar eleições gerais nas próximas semanas".

Ao lado dos esforços para melhorar a condição de vida no mar, de que dependem largamente os seres humanos, o Chefe de Estado não deixou de elucidar sobre os passos que Angola dá na direcção da redução gradual da dependência das energias fósseis a favor das renováveis.  

"Angola vem dando nos últimos anos passos significativos no sentido de reduzir a queima de combustíveis fósseis para a produção de energia eléctrica. Privilegiamos a produção e transportação de energia de fontes hídricas para todo o país e apostamos em ambiciosos projectos de produção de energia fotovoltaica no Centro, Sul e Leste do país", aclarou o Presidente João Lourenço.

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