Opinião

Os lugares de memória

A visita efectuada, há dias, pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, a alguns lugares de memória aqui em Luanda, nomeadamente ao Museu de História Natural e à Ilha de Luanda, concretamente, na Floresta, representa um “novo olhar” do Executivo no que diz respeito à dignidade e valorização que tais espaços devem merecer.

23/10/2021  Última atualização 08H20
Afinal, partindo do princípio de que o direito à memória é parte intrínseca do conjunto de direitos humanos, não há dúvidas de que os lugares que representam espécies de repositório do ideário e memória colectiva de todos nós precisam de protecção, dignificação e valorização. 

Embora a cultura popular angolana, de matriz eminentemente bantu, seja baseada predominantemente na oralidade, há em curso, desde há algum tempo, iniciativas no sentido da identificação e elevação a lugar histórico ou património dos principais lugares de memória.  

Numerosos edifícios, espaços históricos, entre outras manifestações físicas, historicamente relevantes, legadas pelos antepassados, passaram a ser classificados, num primeiro e notável passo para a dignificação dos mesmos.

Luanda, a capital do país, como de resto todas as cidades das restantes 17 províncias, têm sítios emblemáticos que, igualmente, no âmbito do processo de classificação de locais históricos, devem ser valorizados. Assim estaremos a preservar a nossa memória  colectiva, um passo muito importante para nos reconciliarmos melhor com os factos históricos, aperfeiçoarmos experiências já vividas,  devidamente retratadas  e, como se espera, evitar que os erros do passado sejam novamente cometidos. 

Esta é, entre os fins vitais da preservação dos lugares de memória, das importantes razões pelas quais nos devemos empenhar todos pela valorização e dignificação dos espaços com relevância histórica e, de alguma maneira, ambiental também. 

Para o Vice-Presidente, os sítios emblemáticos de Luanda representam espaços com potenciais para actividades lúdicas, entre elas a turística, ao lado da componente pedagógica e desportiva.
 A Ilha de Luanda, a Floresta local, os fortes do São Pedro da Barra, o Museu de História Militar, a orla marítima, entre outros lugares, devem conhecer, eventualmente, uma estratégia de preservação e valorização que estimulem a atracção e romaria aos referidos locais. 

Por exemplo, em vez de se deixar os poucos lugares de memória que existem em Luanda degradar, nalguns casos aceleradamente, como sucede com a Floresta da Ilha de Luanda, afigura-se urgente a execução de planos de recuperação destes espaços. 

Acreditamos que exista já, da parte do Executivo, a pretensão de fazer dos locais mencionados sítios devidamente valorizados, para bem da cultura e do lazer.

Esperamos que haja, igualmente, noutras províncias do país, atendendo as especificidades, processos semelhantes de valorização e dignificação dos lugares, historicamente relevantes, para a preservação da nossa memória colectiva. 

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