Opinião

Os falsos enfermeiros

Ouvir o bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola dizer que “há muitos falsos profissionais na classe” a funcionarem, é profundamente perturbador.

24/11/2021  Última atualização 08H20
Não se pode imaginar, nem a brincar, a perspectiva de sermos atendidos num hospital público ou privado por um falso técnico de Enfermagem. E a ideia de que o actual estado de coisas prevalece é ainda pior,  numa altura em que o Estado e as suas instituições deviam decretar uma espécie de tolerância zero, quase que em termos absolutos, à existência de falsos profissionais de Saúde.


Paulo Luvualo, ouvido ontem pela Rádio Nacional de Angola, no noticiário das treze horas, deu a conhecer que alguns casos foram já parar às instâncias competentes e que outros "continuam” porque, como disse, laboram sob a capa de protecção dos superiores ou chefes.


É verdade que não é a primeira vez que vem a público com informações desta dimensão, ao nível do sector da Saúde, atendendo que ficaram para a História a maka dos documentos falsos que, em nome da escola técnica de Enfermagem do Bengo, rolavam pelas instituições, grande parte deles comprovadamente falsos.


Quando acreditávamos que estaríamos perante uma situação já debelada de forma significativa, eis que nos  deparamos ainda hoje com as mesmas informações vindas de uma entidade com responsabilidades acrescidas no seio da Enfermagem.


Além da comunicação sobre os falsos enfermeiros, o bastonário insurgiu-se também contra as instituições que leccionam  cursos médios de Enfermagem com uma duração que contraria o mínimo legalmente aceitável.


Para Paulo Luvualo, é ilegal e tecnicamente inaceitável que os profissionais da área de Enfermagem tenham um período de formação que não exceda os quatro anos, previstos por lei, uma realidade que viola o disposto nas leis.


Embora estejamos ainda por nos certificarmos até que ponto a existência de falsos técnicos noutras áreas seja uma realidade, até que dimensão e com que níveis de estragos, não há dúvidas de que ao nível do sector da Saúde, fundamentalmente a continuar inalterado, os danos são monumentais, em grande medida irreparáveis.


Ainda bem que, tal como denunciado pelo bastonário, as entidades competentes estão a fazer alguma coisa para inverter o actual quadro. Seguramente já não vamos a tempo de "agarrar” todas as pontas soltas deste velho problema ligado aos  falsos enfermeiros, que se estendem igualmente aos médicos, mas será, obviamente, vital que se consiga enxugar essa "crise hemorrágica” no sector da Enfermagem.


A julgar pelas palavras do bastonário, segundo a qual existem "muitos falsos enfermeiros”, não será exagerado dizer, em jeito de alerta, que a sociedade angolana não precisa de caminhar com este estado de coisas como se estivesse a dirigir-se, ainda que em termos relativos, a uma espécie de suicídio colectivo. Os falsos enfermeiros devem ser removidos, sem mais escusas.

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