Opinião

Os desafios e as soluções locais

A presença do Presidente da República na Huíla, onde cumpriu uma visita de trabalho, constitui uma oportunidade não apenas para constatar a execução de projectos públicos virados para o bem-estar das populações, mas também endereçar palavras de encorajamento às autoridades. Em todo o país, e com maior particularidade naquelas regiões que enfrentam uma situação de emergência, o trabalho a todos os níveis deve ser encarado como a única saída para se inverter o presente quadro. Apenas com trabalho árduo vai ser possível viabilizar maior crescimento económico que, por sua vez, vai ajudar a acelerar o desenvolvimento e o bem-estar.

26/06/2019  Última atualização 08H12

São bem-vindos os projectos públicos inaugurados pelo Chefe de Estado, na província da Huíla, que vão servir essencialmente para a criação de postos de trabalho, entre directos e indirectos.
É preciso trabalhar e ajudar na materialização dos esforços do Executivo, sobretudo a nível local, para que as comunidades sintam o impacto das iniciativas feitas em seu nome.
Uma das marcas da governação tem sido a promoção de um ambiente político e institucional em que os poderes locais, com os seus parceiros, intervenham na resolução de problemas enfrentados pelas comunidades.
Embora haja um legado histórico da omnipresença do Estado na resolução dos problemas das populações, o contexto actual tem sido acompanhado de mudanças na direcção oposta.
Em vez de se continuar a ver as estruturas do Estado, a nível central, a intervir para resolver problemas que se podem superar localmente, o Executivo pretende uma aposta diferente. Não seria exagerado dizer que a pretensão de ver um maior protagonismo a nível local por parte dos governos, das administrações municipais e comunais enquadra-se no exercício que pretendemos, relacionado com uma espécie de "cultura autárquica". Precisamos de reforçar o costume e a prática de que os problemas devem conhecer sempre soluções locais, sem prejuízo para o papel que o poder central deve ter.
Quando o Presidente João Lourenço defendeu no Lubango que pretende ver as cooperativas de produção mais autónomas na condução dos seus negócios e mais competitivas entre si estava, de um modo geral, a lançar o repto aos empresários e empreendedores para que façam prova do seu lado laborioso.
Muitas vezes, ouvimos os homens de negócios a queixarem-se da alegada falta de apoio das estruturas do Estado, às vezes até com alguma razão, mas é igualmente com certo fundamento que as estruturas do Estado se queixam do reduzido dinamismo da classe empresarial.
Esperamos que as orientações traçadas pelo Chefe de Estado, na cidade do Lubango, sejam extensivas às outras regiões, envolvendo as províncias do Namibe e do Cunene, quando pediu às entidades com poder de decisão que continuem a fazer a sua parte. Os exemplos positivos encontrados na província da Huíla devem irradiar pelo país. Sabemos que os há em várias províncias.
Mas o que se pede é que sejam multiplicados, que se faça mais pelas comunidades, mais pelo bem público, mais engajamento de todas as forças activas, mais sinergia, mais união entre o Governo e os parceiros sociais no diagnosticar e resolver os problemas das populações.
Apenas assim vai ser possível encarar os desafios com naturalidade e, da mesma forma, encontrar as soluções.

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