Opinião

Os acidentes de viação

Angola registou, na última semana, 70 mortos e 330 feridos, num total de 300 acidentes, segundo a Polícia Nacional, no balanço das acções entre os primeiros dias deste mês. São números que nos devem levar a ponderar a forma como usamos as estradas, dentro e fora das comunidades, na medida em que os dados continuam a indicar a sinistralidade rodoviária como a segunda causa de morte no país.

12/10/2021  Última atualização 08H35
Apenas para lembrar mais uma vez as informações prestadas pela entidade incumbida do "Law enforcement", "os dados da Polícia indicam que só no último fim-de-semana, a província de Luanda, capital do país, registou oito mortos e 15 feridos, em 18 acidentes rodoviários".

Numa altura em que nos aproximamos do Fim de Ano, época em que a mobilidade aumenta e, não raras vezes, acrescido do consumo de bebidas alcoólicas, não é exagerado esperar por mais acções, quer protagonizadas pela Polícia Nacional, quer pelas famílias, pelos meios de comunicação, pelas igrejas, pelas ONG e cada angolano individualmente.
A Polícia Nacional  precisa de reforçar os mecanismos de vigilância, sensibilização e penalização dos automobilistas que violem o Código de Estrada e atentem contra a vida de terceiros.

Em algumas vias, como por exemplo, na Via Expressa Fidel Castro, aqui em Luanda, consta, num dos painéis, em letras garrafais, que "conduzir alcoolizado é crime", uma advertência directa, clara e simples, que devia demover os automobilistas do contrário.
As famílias devem, igualmente, desempenhar o papel que delas se espera, na medida em que, quer queiramos, quer não, tudo parte ou passa pelo seio familiar. Quem se faz à estrada parte ou passa, invariavelmente, de algum agregado familiar onde, obviamente, as pessoas presentes podem também servir como contrapeso aos eventuais ímpetos ligados ao consumo de bebidas alcoólicas.

Os meios de comunicação fazem a sua parte com numerosos spots publicitários, em nome da Direcção Nacional de Viação e Trânsito, bem como de ministérios e outras instituições do Estado, em nome da segurança rodoviária. Não há dúvidas de que se precisa fazer mais, tal como se defendeu em tempos, eventualmente, proceder-se a inserção de matéria ligada à segurança rodoviária ou sobre os sinais do Código de Estrada nos currículos escolares.

Das igrejas, espera-se que actuem, igualmente, na consciencialização dos fiéis no sentido de valorizarem a vida, própria e a de terceiros, usando com responsabilidade e seriedade as estradas, quer  como automobilistas, quer como peões.
Individualmente, esperamos que cada angolana e cada angolano tenha um comportamento que faça jus ao respeito pela vida, pelas regras de trânsito e que transformem, sobretudo, o factor segurança num activo insubstituível.

Não é normal o que temos assistido em muitas estradas, quando homens e mulheres se põem a vender em plena via, quando as pessoas, mesmo com passadeiras ou áreas mais seguras, prefiram andar no asfalto, como se estivessem em pé de igualdade com as viaturas, factores esses que potenciam os acidentes de viação.

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