Sociedade

Ordem denuncia escolas com qualidade duvidosa

Alberto Quiluta

Jornalista

Muitas instituições de ensino do ramo da Saúde no país funcionam de forma desregulada e irresponsável, o que coloca em causa a qualidade dos cursos nelas ministrados e de alunos ali saídos, denunciou, em Luanda, o bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola (Ordenfa).

16/10/2021  Última atualização 08H25
Pascoal Luvualo (à esquerda) pede cautela na hora da escolha de escolas de formação em saúde © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro
Paulo Luvualo considerou grave o facto de algumas dessas instituições optarem, por exemplo, pela formação intensiva, quando, em ciências de saúde, particularmente em Enfermagem, Farmácia e Análises Clínicas, de acordo com o subsistema do Ensino Técnico-Profissional, a duração mínima desses cursos médios é de quatro anos.

Em função disso, o bastonário alertou para os pais, encarregados de educação e jovens para não se deixarem enganar por essas instituições, uma vez que "elas atraem os clientes com ofertas ilusórias”, assim como despertamos as autoridades de direito pela gravidade da situação a que os cidadãos estão expostos.

"O objectivo é alertar a sociedade angolana a não acreditar nessas falsas publicidades. E mais: além das ordens profissionais, não existem outras entidades autorizadas a emitir carteiras profissionais", disse o bastonário da Ordenfa.

Paulo Luvualo esclareceu, ainda, que a formação básica em Enfermagem foi abolida no sistema de ensino, por força Decreto Presencial nº 187/18, de 6 de Agosto, em que se determina que os auxiliares de Enfermagem (técnicos básicos) já não têm acesso à carreira de Enfermagem.

Tendo em conta as constantes violações às normas, o bastonário chamou a atenção para a necessidade dos órgãos de fiscalização, com realce para a Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) e Serviço de Investigação Criminal (SIC), adoptarem medidas que ponham fim a essas práticas.

Actualmente, constata-se, em todo o país, a transformação de algumas instituições de ensino geral em estabelecimentos de ensino de Análises Clínicas, Enfermagem e Farmácia, mesmo sem oferecerem condições, principalmente de laboratórios, bibliotecas, corpo docente e campos de estágio.

"O sector da Saúde não necessita apenas de profissionais de Análises clínicas, Enfermagem e Farmácia, mas, também, formados em outras especialidades. Por isso, o Executivo deve repensar as políticas de desenvolvimento dos recursos humanos em saúde”, apelou. Diagnóstico e Terapêutica

O coordenador nacional da Comissão Instaladora da Câmara Representativa dos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, Isaac Domingos Cumbiça, avançou que, no âmbito do projecto social, a organização vai dar grande importância à actividade de fiscalização e regulação.

O responsável confirmou que a Comissão Instaladora, em parceria com Ordem dos Enfermeiros, conseguiu detectar algumas instituições que trabalham à margem da lei. Em função disso, neste momento, aguarda-se apenas pela actuação das autoridades competentes.

Actualmente, disse Isaac Cumbiça, o país não ministra a formação dos cursos técnicos de Diagnóstico e Terapêutica. "Por isso, recomendamos a sociedade para estar atenta à falsas instituições que queiram enganar a população”.

Em breve, anunciou, está previsto o cadastramento e a inspecção de todos os centros para assegurar a averiguação dos currículos que os mesmos leccionam.

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