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Oposição denuncia preparação de fraude

O coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem) da Guiné-Bissau, Braima Camará, acusou em declarações à Lusa a Comissão Nacional de Eleições (CNE) de estar a organizar “uma fraude gigantesca” para manipular a votação nas legislativas de 10 de Março.

03/03/2019  Última atualização 09H19
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Numa reacção à inesperada decisão assumida pela CNE de autorizar a criação de uma lista suplementar de votação para as pessoas que se recensearam, mas cujos nomes não constam no caderno eleitoral informatizado, o responsável disse que o órgão encarregue de organizar o pleito do dia 10 deste mês faz com que “estejamos atentos”.
Braima Camará, falava aos jornalistas após ter recebido em Bissau o embaixador dos Estados Unidos na Guiné-Bissau, mas residente em Dakar, Tulinanbo Musingi, que esteve no país para manter encontros separados com os partidos concorrentes às eleições, e anunciar que os EUA vão enviar uma equipa de 30 observadores.
Horas antes do encontro, a CNE emitiu um comunicado a dizer que as comissões regionais de eleições estão autorizadas a criar uma lista suplementar, com base no boletim de inscrição de recenseamento.
Esta decisão, para o líder do Madem, formação política criada em 2018 por dissidentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), é “ilegal” e deverá merecer uma queixa formal junto do Tribunal Constitucional de modo a que possa ser impugnada.Aposta no sector produtivo O líder do Partido da Nova Democracia (PND), Iaia Djaló, defendeu durante a campanha eleitoral uma forte aposta no sector produtivo e da Justiça da Guiné-Bissau para desenvolver a educação e a saúde e captar investimento externo.
O Partido Nacional Democrático é um dos 21 candidatos às eleições legislativas e concorre a 27 dos 29 círculos eleitorais do país.
Segundo o líder do PND, é preciso apostar na industrialização e transformação dos produtos agrícolas, no turismo e na área das pescas para que possam ser produtivos, trazerem dinheiro para o país e suportarem os encargos com a saúde e a educação.
“Estes são os grandes propósitos do PND, mas como no país há tudo por fazer temos de apostar na Justiça, para que quem quiser investir na Guiné-Bissau, na área do turismo, nas pescas, na agricultura ou na indústria tenha segurança jurídica”, salientou.
O líder do PND lembrou que a “compra de consciências também é crime” e que a Justiça do país tem de actuar. Aos guineenses, Iaia Djaló, disse que está a pedir para não votarem no tribalismo, no regionalismo e nas tendências étnicas. “Isso não vai ajudar a unificação do país. Este país tem de ser forte e unido e temos de ter uma Nação coesa”, afirmou.
O PND é um dos poucos partidos concorrentes às legislativas da Guiné-Bissau que cumpriu a lei da paridade em todos os círculos eleitores a que concorre. Iaia Djaló disse que isso não é uma “novidade”, porque se trata de um partido maioritariamente de mulheres e jovens.
O PND é, também, uma das formações que assinou um acordo político de compromisso pré e pós-eleitoral com o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Partido da Convergência Democrática, Partido da Unidade Nacional e União para a Mudança.
Por sua vez, o líder do Partido de Unidade Nacional (PUN), Idrissa Djaló, disse sexta-feira que a maior contribuição dessa formação política é pretender acabar com subversão das regras democráticas na Guiné-Bissau e procurar a desmilitarização da classe política.
O partido não participou nas últimas eleições legislativas do país, mas o presidente tem sido bastante crítico em relação à crise política que a Guiné-Bissau vive desde 2015, com a demissão do Primeiro-Ministro Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, vencedor das eleições de 2014, com quem assinou um acordo político.
Entretanto, a Missão Integrada da ONU para a Consolidação da Paz e Segurança na Guiné-Bissau foi prolongada até Fevereiro de 2020, mas vai ser reduzida após a conclusão do ciclo eleitoral, devendo encerrar até final do próximo ano.
A decisão consta de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que analisou na sexta-feira a situação na Guiné-Bissau, depois de uma visita realizada ao país entre 15 e 16 de Fevereiro.
A missão política da ONU na Guiné-Bissau teve início em 1999, após o conflito político-militar, e já teve nove representantes do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres.

 

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