Regiões

Operadores turísticos observam animais no Luengue-Luiana

Carlos Paulino | Cuchi

Jornalista

A diversidade da fauna no Parque Nacional do Luengue-Luiana, no município do Rivungo, província do Cuando Cubango, deixou impressionados investidores angolanos e estrangeiros que visitaram o local para identificar espaços para a implementação de projectos turísticos de referência mundial.

02/06/2024  Última atualização 11H50
Os animais circulam em busca de água e comida principalmente no horário das 4 às 7 horas da manhã e das 16 às 18 horas © Fotografia por: Carlos Paulino|Edições Novembro

Durante uma visita de duas horas a algumas áreas do interior do parque, considerada a maior área de conservação ambiental da região, com uma extensão de 45 mil quilómetros quadrados, os investidores constataram uma grande circulação de manadas robustas de elefantes, búfalos, zebras, cudos, gnus, impalas, macacos, javalis e hienas.

Apesar de não terem sido visualizados, devido à hora da visita, das 15 às 17 horas, operadores turísticos ficaram a saber por meio dos fiscais ambientais que existem também muitas manadas de leões, que estão sempre camuflados, em locais onde circulam búfalos, girafas, palancas pretas, entre outras espécies.

A área do Benório, no centro do Bico de Angola, a cerca de mil quilómetros da cidade de Menongue, é o principal local de transumância de animais que, na época de Cacimbo, se deslocam para uma extensa lagoa para o abeberamento.

No Binório, nas localidades de Sasha, Boa-Fé e no Quilómetro 27, é possível observar-se, principalmente das 4 às 7 horas da manhã e das 16 às 18 horas, uma grande circulação de animais de diversas espécies.

O operador turístico namibiano Matthew Porteus, que está há mais de 30 anos no ramo, ficou positivamente surpreendido com a diversidade de animais no Parque Nacional do Luengue-Luiana. Informou que pretende instalar pelo menos dois lodges na área de Sasha e próximo à lagoa do Benório.

Visivelmente emocionado, Matthew Porteus afirmou que o Parque Nacional do Luengue-Luiana, bem aproveitado, vai  atrair anualmente milhares de turistas nacionais e estrangeiros, porque possui uma rica fauna e flora.

 

Plano de investimento

Matthew Porteus, que faz parte do Consórcio ZHAV Angola-Prestação de Serviços, informou que o grupo pretende investir cerca de 10 milhões de dólares para a construção de cinco lodges na área do Bico de Angola, na comuna do Mucusso, e na sede municipal do Calai.

A Sociedade ZHAV Angola-Prestação de Serviço, indicou, tem, neste momento, nove lodges na Namíbia, que anualmente recebem cerca de 30 mil turistas estrangeiros, dos mais de um milhão que visitam o país.

Segundo o empresário, caso o Consórcio ZHAV Angola-Prestação de Serviço seja autorizado a construir os lodges, principalmente nas área do Sasha, lagoa do Benório e numa ilha na comuna do Mucusso, poderá atrair para o país mais de três mil turistas estrangeiros por ano.

O operador entende que, em termos de turismo, Angola, a nível da África Austral, tem tudo que qualquer turista quer ver, porque o país foi abençoado com muitos recursos naturais, sobretudo a fauna e a flora, que são bastante espetaculares.

"Nota-se que muitas áreas em Angola, em particular na província do Cuando Cubango, nunca foram tocadas, ou seja, são totalmente virgens e isto dá uma forma de qualidade para a promoção do turismo”, sublinhou.

Para o promotor turístico, se se pretende tornar Angola num dos melhores destinos turísticos em África, é necessário expandir o sinal de telecomunicações em todas as áreas turísticas e reabilitar as principais vias de acesso, para permitir a livre circulação de pessoas e mercadorias.

Matthew Porteus referiu que a Namíbia é actualmente um dos maiores destinos turísticos de África não porque tem tudo, mas por ter desenvolvido um trabalho árduo durante os últimos 30 anos para chegar a este nível. "Angola tem o potencial para ir mais longe”, sublinhou.  

 

Pontos de identificação de animais

O empresário Paulo Muginga informou que a sua empresa tem condições financeiras para iniciar a construção do primeiro lodge no Bico de Angola, a partir do mês de Setembro, caso seja autorizado, tendo em conta que é um local privilegiado para atrair milhares de turistas nacionais e estrangeiros.

Em termo de recursos faunísticos, florestais e hídricos, disse, Angola está em melhores condições em comparação com o Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe, países que fazem parte do projecto transfronteiriço de conservação ambiental Okavango/ Zambeze (KAZA).

O empresário defendeu a criação de bebedouros e comedouros para evitar a dispersão dos animais no interior do parque, assim como pontos de identificação para que os turistas possam observar em cada local as espécies de animais.

Paulo Muginga apelou às autoridades que fizessem a terraplanagem dos principais pontos de atracção turística no interior do Parque Nacional do Luengue-Luiana, considerando que o actual estado de degradação das vias de acesso, com bastante areal nesta época e lamaçal no período de chuva, dificultam a circulação de viaturas, mesmo a todo-o-terreno.


  Áreas identificadas

O director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, José Eduardo Ezequias, disse que a visita ao Parque Nacional do Luengue-Luiana se enquadra no Fórum de Investidores na Região do Okavango, realizado de 17 a 22 de Janeiro deste ano. A mesma, disse, superou todas as expectativas, porque permitiu aos operadores turísticos observar a fauna bravia do Cuando Cubango. 

Ao contrário do que aconteceu no primeiro roteiro turístico, em Janeiro, desta vez, os potenciais investidores tiveram o contacto directo com manadas de elefantes, gnus, búfalos, zebras, cudos, impalas, hienas, entre outros, que determinam o investimento no sector do turismo. 

Segundo José Eduardo Ezequias, os animais são o produto da atracção turística que fará os investidores construírem lodges na região, para atrair turistas.

Por este facto, esclareceu, os investidores identificaram, no Bico de Angola, nove áreas que vão ser devidamente analisadas por intermédio de um plano director, devido à sensibilidade da zona, cujos lodges devem ser bem pensados para não impedir o movimento dos animais.

Outra questão que deve ser bem analisada, segundo José Eduardo Ezequias, é a valorização da população que reside ao redor das áreas onde serão implementados os projectos turísticos, sobretudo na comuna do Mucusso, para que possa sentir os benefícios, como no acesso ao emprego.    

Segundo o responsável, o Consórcio ZHAV Angola-Prestação de Serviço  é um dos grupos que demonstra capacidade para a construção de lodges de alto padrão, por ter uma larga experiência neste sector, comprovada pelas autoridades da província que visitaram os seus empreendimentos na Namíbia.

Neste momento, disse, a situação migratória constitui a principal preocupação do Consórcio ZHAV Angola-Prestação de Serviço, porque tem a capacidade de movimentar turistas estrangeiros, mas a ausência de serviços migratórios em algumas localidades angolanas e namibianas ao longo da fronteira dificulta o trabalho.

 

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões