Reportagem

“Operação 45 Graus” devolve sentimento de segurança à população

André da Costa

Jornalista

As forças de Defesa e Segurança realizaram, no período compreendido entre 11 de Outubro a 25 de Novembro, a primeira fase da “Operação 45 Graus”, que resultou na detenção de 2.104 elementos, apreendidas 266 armas de fogo, 385 viaturas e 1.694 motorizadas por diversos motivos. A operação visou repor o sentimento de segurança das populações e reduzir os crimes violentos.

01/01/2022  Última atualização 07H40
Foram detidos mais de dois mil cidadãoes no país © Fotografia por: Edições Novembro
No ano que está prestes a terminar, a Polícia Nacional recebeu novas viaturas para imprimir maior dinâmica nas acções operativas em todos os municípios de Luanda. A distribuição das viaturas foi encabeçada pelo ministro do Interior, Eugénio Laborinho, durante as visitas de ajuda e controlo realizadas junto dos Comandos Municipais na capital.

As novas viaturas constituem uma lufada de ar fresco para a corporação, e têm sido usadas nas acções operativas para repor o sentimento de segurança dos cidadãos, fundamentalmente em Luanda, onde os crimes cometidos com recurso a objectos contundentes como facas, cacos de garrafas e armas de fogo estão na ordem do dia, causando a morte de centenas de cidadãos.

Pelos bairros da capital, Luanda, ouviu-se quase que diariamente, vários clamores da população,  para a necessidade de mais presença policial, essencialmente, nos bairros suburbanos como nos Mulenvos de Cima e de Baixo, Rasta, Boa Esperança, Zango, Capalanga, Bairro dos Ossos, Vidrul, Boa-Fé, entre outros da capital.

Ali, os marginais praticavam crimes como roubos e furtos de diversos artigos em residência, e na via pública, com recurso à arma de fogo de diversos calibres e objectos contundentes como paus, fragmentos de garrafa, catana, martelo, entre outros objectos.      

Dados do Comando Geral da Polícia Nacional  indicam que, no período compreendido entre 25 de Agosto a 10 de Outubro, a situação de Segurança Pública era caracterizada pelo registo de  vários crimes cometidos,  com  recurso a armas de fogo.

As autoridades policiais registaram seis mil crimes, sendo que 612  foram cometidos com o recurso à arma de fogo, e 97 foram crimes de homicídio voluntário, 515  crimes de roubo de artigos diversos, situação que preocupou a corporação.
Na última quinzena do mês de Outubro, ocorreu no país, fundamentalmente em Luanda, vários crimes violentos, cometidos durante o dia com recurso à arma de fogo, sendo muitos deles  praticados de forma espectacular na via pública, alguns divulgados, nas redes sociais, elevando o sentimento de insegurança dos cidadãos, que passaram a ter medo das ruas.

A ocorrência desses crimes violentos obrigou a direcção do Ministério do Interior, fundamentalmente a Polícia Nacional, a criar a Task Force, para repor o sentimento de segurança,  deter os supostos culpados e minimizar a ocorrência dos crimes violentos.


Combate aos crimes violentos

Assim, no dia 11 de Outubro,  foi lançado a "Operação 45 Graus” que permitiu a vários efectivos das forças de Defesa e Segurança realizarem acções operativas que visaram travar os crimes violentos. As acções levadas a cabo até ao dia 25 de Novembro permitiram a redução de 135 crimes cometidos, com arma de fogo.

O Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional realizou acções investigativas e de busca de autores, resultando no esclarecimento de três primeiros assaltos muito publicitados nas redes sociais e na media tradicional, mormente, os  ocorridos na Avenida 21 de Janeiro,  Via Expressa, e outro  na Estrada do Patriota, onde um cidadão a bordo de  Toyota Hilux foi ameaçado com arma de fogo, por dois meliantes.
Casos esclarecidos.

A "Operação 45 Graus” permitiu esclarecer 327 crimes que resultaram na detenção de 296 elementos, sendo que deste número, quatro são estrangeiros, por implicação nos crimes de associação criminosa, rapto, sequestro e roubo nas províncias de Luanda, Cabinda e Lunda-Norte.

As acções operativas resultaram ainda no desmantelamento de 161 grupos de marginais, compostos por 276  elementos, na sua maioria jovens, integrantes de grupos como os Duplo Panda, Os Mil e Cem Bico, Vagão Dance, os Tribais Decentes, Gang of Music, Mal Mafia entre outros.

Os 431 mandados de captura resultaram na detenção de 489 suspeitos. Só em Luanda, foram realizadas 77 buscas dirigidas, que orginaram a detenção de 287 presumíveis culpados. A Operação Stop resultou em 11 detidos, por circularem com arma de fogo. Foram ainda apreendidas 11 viaturas e oito motorizadas implicadas em roubos e furtos em Luanda e Lunda-Sul. No Total, a "Operação 45 Graus”, permitiu a detenção de 2.104 elementos, apreendidas 266 armas de fogo, 385 viaturas e 1.694 motorizadas apreendidas por diversos motivos.

A operação visou repor o sentimento de segurança das populações e reduzir os crimes violentos.
Depois do dia 15 de Janeiro, haverá a segunda fase da "Operação 45 graus”. As câmaras de vídeo vigilância espalhadas  nas ruas da cidade de Benguela, Lobito e Catumbela, afectas ao Centro Integrado de Segurança Pública de Benguela, liderado pelo comissário Aristófanes dos Santos, têm contribuído para o esclarecimento de crimes diversos.

Acidentes rodoviários

Os acidentes de viação continuam na ordem do dia em Angola. Semanalmente, 50 a 70 pessoas morrem por acidentes de viação, com realce para Luanda. As estatísticas da Polícia Nacional indicam que os atropelamentos são a tipicidade de acidentes que mais mata.

Em Luanda, a Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária, liderada pelo superintendente Simão Saulo, tem realizado acções de fiscalização do trânsito,  campanhas de sensibilização aos peões em paragens e aglomerações  populacionais nas igrejas, escolas, operadoras de transporte público, associação de taxistas e moto-taxistas.   
 
A Polícia de Trânsito trabalha na prevenção à condução em estado de embriaguez mediante acções de sensibilização. Semanalmente, dezenas de condutores têm sido autuados a conduzir sob efeito de álcool e vão à tribunal, onde são  julgados de forma sumária.

O novo Código Penal em vigor no país desde 11 de Fevereiro, criminaliza a condução sob efeito de álcool nos seus artigos 305º e 306º,  do Código de Processo Penal. As penas vão até um ano   de prisão convertidas em multas. Alguns jovens são autuados a conduzir sem habilitação legal.


  Serviço de Protecção Civil e Bombeiro
Parceiro importante na prevenção à Covid- 19


Desde o surgimento  dos primeiros casos da Covid-19 em Angola, em meados de Março de 2020, que o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB) do Ministério do Interior tem vindo a trabalhar na prevenção e combate da pandemia, mediante a desinfecção de infra-estruturas públicas e privadas como unidades militares, hospitais, estabelecimentos de ensino, igrejas entre outros locais.

Desde o início da campanha de vacinação e prevenção à Covid-19, mais de 12 mil efectivos foram vacinados, sendo 3.813 com a primeira dose e 7.408 com a segunda,  bem como 635 com dose única, faltando 471 efectivos por vacinar.

Ao longo do ano prestes a terminar, 241 efectivos foram formados nas especialidades de Bombeiro e Protecção Civil, Comando e Direcção, prevenção contra Incêndios, Extinção de Incêndios,Resgate e Salvamento, Atendimento Pré -Hospitalar, Bombeiro Sapador, Condução de Técnica Especializada, Materiais Perigosos e Segurança Institucional.

Esse órgão do Ministério do Interior, liderado pelo comissário chefe bombeiro, Bensau Mateus, realizou 12.745 trabalhos profilácticos, sedo 1.653 inspecções, 4.068 reinspecções, 843 vistorias, 10 palestras, 6.171 acções de sensibilização junto das comunidades, voltadas, na sua maioria, para a prevenção da pandemia da Covid-19. Foram, ainda, emitidos 611 certificados de segurança contra incêndios.   De Novembro do ano passado até Novembro desse ano, foram registados 5.686 ocorrências diversas, (mais 739) em relação a igual período do ano anterior.

As ocorrências causaram 1.042 mortos (menos 50) e, 996 feridos (mais 188) e danos materiais avaliados em mais de 41 milhões de kwanzas. Das ocorrências registadas destacam-se 2.536 incêndios (mais 253), causados, maioritariamente, por curto-circuito, negligência, fogo posto, fuga de gás, atingindo os sectores da Habitação, Transporte, Comércio e Indústria e  Ambiente. O Serviço de Protecção Civil e Bombeiros registou ainda, 508 mortes por afogamento. 


Turma do Apito: Lições com a brigada de vigilância

As preocupações relativas à segurança, mormente os roubos, furtos e  assaltos em residências, de noite e à luz do dia, levou com que moradores do Distrito Urbano do Sambizanga, na altura liderada pelo ex-administrador Tomas Bica, criassem a Brigada de Vigilância Comunitária, para inverter esse cenário.

Centenas de jovens, organizados nas Brigadas de Vigilância Comunitária, têm rondado o bairro, noite e dia,  encaminhando os supostos criminosos às esquadras de Polícia do Sambizanga,  contribuindo, assim, para a sua própria segurança. Os jovens do bairro dos Ossos, por detrás da Comarca Central de Luanda, seguiram a mesma pedalada, rondam o bairro para afugentar os marginais.

No Sambizanga, muitos casos de incivilidade e até crimes,  acabam por ir parar na famosa "Turma do Apito”. Nos dias que correm, moradores do Sambizanga gabam-se de que com o surgimento da "Turma de Apito” os crimes reduziram a zero, havendo moradores que afirmam sem receios, que podem circular altas horas da noite, com dinheiro, telemóveis caros sem correr risco de serem assaltados nos becos.

O surgimento da Turma do Apito levou com que o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional reunisse com o então administrador do Distrito Tomas Bica que justificou com base legal, o surgimento da Brigada de Vigilância Comunitária.     

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