Mundo

ONU quer a nomeação de um Primeiro-Ministro

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, foi desafiado no fim- de- semana pelos representantes da ONU na África do Oeste a indicar urgentemente o nome do futuro Primeiro-Ministro de modo a que possa colocar fim à crise que o país vive há quatro anos, numa altura em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) chama a atenção para a fragilidade das finanças públicas.

13/05/2019  Última atualização 17H10
DR © Fotografia por: O Chefe de Estado guineense é acusado de inviabilizar a formação de um novo Governo

Depois de terem estado reunidos no passado fim- de- semana em Bissau, na sessão anual, os chefes das missões de manutenção de paz da ONU na África do Oeste, exortaram também todos os partidos políticos guineenses representados na Assembleia Nacional a “colaborarem de modo construtivo” para que aquele órgão legislativo se possa concentrar no cumprimento das prioridades pós-eleitorais.
Ao mesmo tempo, esses representantes da ONU pediram também ao Presidente guineense que não adie mais a indicação de um Primeiro-Ministro, de modo a que possa estar em funções e com um programa de Governo aprovado antes da realização das próximas eleições presidenciais.
Depois da realização das eleições legislativas, a 10 de Março deste ano, a Guiné-Bissau se afundou ainda mais numa crise política que já dura há quatro anos e que se agravou depois que no Parlamento os partidos nele representados se revelaram incapazes de eleger a direcção desse órgão.
Daí para cá, sem uma direcção eleita, o Parlamento está paralisado e não deu sequência a uma proposta apresentada pelo PAIGC para que esta aprove e faça seguir para o Presidente da República a nomeação de Domingos Simões Pereira como futuro Primeiro-Ministro.
Interrogado sobre este assunto, o Presidente José Mário Vaz pediu já para que os partidos representados no Parlamento se entendam de modo a que ele possa receber a proposta do nome para Primeiro-Ministro e para que depois da formação de um novo Governo possa marcar as eleições presidenciais, uma vez que o seu mandato termina oficialmente a 23 de Junho.
Para complicar mais a situação, o FMI considerou que a situação económica do país está sob “forte tensão” devido ao facto de as despesas públicas terem aumentado “substancialmente mais do que o previsto” e de não ter um Governo empossado com quem possa trabalhar para encontrar eventuais soluções.

Desafiada a autoridade judiciária
As forças de segurança da Guiné-Bissau retiraram de um armazém em Bissau o arroz apreendido pela Polícia Judiciária no âmbito da operação “Arroz do Povo”, na sequência de um pedido do magistrado do Ministério Pública responsável pelo processo, revelou ontem a Lusa.
No final de Abril, o Ministério Público guineense ordenou à PJ a devolução dos sacos de arroz doados pela China, apreendidos na quinta do ministro da Agricultura por aquela força de investigação criminal.
No mesmo despacho, datado de 24 de Abril, o Ministério Público ordenou também a abertura de um processo-crime contra cinco agentes da PJ.
Segundo o Ministério Público, a Polícia Judiciária tinha um mandado de busca para efectuar diligências na cidade de Bafatá, nomeadamente nos “armazéns e domicílios dos suspeitos assim como nos domicílios de quaisquer pessoas na posse do referido produto”.
“Sucede, porém, que a PJ alargou essas diligências para outras localidades não abrangidas no mandado”, acrescenta o Ministério Público.
Em resposta, a PJ guineense afirmou que não iria entregar o arroz, que as buscas à quinta do ministro da Agricultura foram legais e abriu uma investigação contra o magistrado do Ministério Público responsável pelo processo.
O arroz apreendido estava num armazém em Bafatá, propriedade do antigo ministro do Interior Botché Candé, e numa quinta do ministro da Agricultura, Nicolau dos Santos.
No âmbito da operação, a PJ tentou ainda deter o ministro da Agricultura, mas foi impedida pelas forças de segurança.
O embaixador da China no país, Jin Hong Jun, já disse que está a seguir com muita atenção a investigação da Polícia Judiciária e salientou que o arroz doado “não é para venda”. O embaixador explicou que foram doadas, no total, 2.638 toneladas de arroz no valor de três milhões de dólares.

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo