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ONU preocupada com venda de bebés

Os talibãs devem reconhecer “os direitos humanos fundamentais de mulheres e meninas” e os fundos afegãos devem ser libertados para que as famílias não precisem de vender “bebés para comprarem comida”, considerou, ontem, o Secretário-Geral das Nações Unidas.

28/01/2022  Última atualização 07H05
Famílias obrigadas a vender filhos para comprar alimentos © Fotografia por: DR
Estes apelos de António Guterres foram aceites e reivindicados pelo responsável afegão nas Nações Unidas, durante uma reunião do Conselho de Segurança, noticia a agência AFP.

O Secretário-geral da ONU já tinha anteriormente instado a "comunidade internacional a fortalecer o seu apoio ao povo afegão”, em particular através da libertação dos fundos congelados em Washington pelo Banco Mundial e Estados Unidos, num momento em que o país do Médio Oriente está "no fio da navalha”.

"Mais da metade dos afegãos enfrentam níveis extremos de fome” e "algumas famílias estão a vender os seus bebés para comprar comida”, alertou o português.

Também o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, comentou esta situação extrema, revelando que uma mulher "vendeu as suas duas filhas e um rim” para poder alimentar a sua família.

"É uma tragédia humana”, denunciou, pedindo implicitamente aos Estados Unidos que levantem "sanções unilaterais” e permitam o acesso do Afeganistão aos fundos.

Os EUA bloquearam quase 9,5 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros) em reservas do Banco Central Afegão, o que equivale a metade do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial também interromperam as suas actividades no Afeganistão, suspendendo as ajudas e 300 milhões de euros em novas reservas emitidas pelo FMI em Agosto.

António Guterres argumentou que a economia afegã deve ser "reanimada” com mais dinheiro.
"Sem acção, vidas serão perdidas e o desespero e o extremismo aumentarão", enquanto um "colapso da economia afegã pode levar a um êxodo em massa de pessoas que fogem do país", alertou.

O Afeganistão enfrenta uma grave crise económica, afectada pela escassez de alimentos e crescente pobreza, intensificada com a chegada ao poder dos talibãs em Agosto.

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