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ONU pede mais avanços na aplicação dos acordos

A ONU pediu mais “avanços” na aplicação do acordo de paz de 2018 no Sudão do Sul, após os recentes obstáculos e adiamentos em várias questões-chave, e alertou para a necessidade de garantir ajuda humanitária à população.

30/06/2022  Última atualização 08H30
Nações Unidas lançam apelo para que Salva Kiir e Riek Machar levantem obstáculos à paz © Fotografia por: DR

Segundo a Efe, o enviado especial das Nações Unidas para o Sudão do Sul, Nicholas Haysom, sublinhou a importância de "aprovar o processo de elaboração da Constituição”, "graduar o primeiro grupo de membros das forças de segurança unificadas”, acelerar o processo de elaboração da lei eleitoral e "concordar com um 'roteiro' para sair do período de transição por meio de eleições livres, justas e pacíficas”.

"O imperativo de avançar na aplicação da paz é impulsionado pela difícil situação humanitária”, destacou Haysom, antes de detalhar que cerca de 8,9 milhões de pessoas, incluindo 4,6 milhões de crianças, enfrentam necessidades "significativas” de ajuda humanitária. Assim, salientou que durante o mês de Março outras 61.010 pessoas, 54 por cento delas crianças, juntaram-se aos dois milhões de deslocados, "principalmente devido à violência intercomunitária”, que se soma ao impacto das alterações climáticas, que tem causado uma série de inundações, "ameaçando a subsistência da grande maioria das pessoas já vulneráveis”.

"Enquanto as necessidades crescem, os nossos recursos diminuem. Actualmente, estamos a enfrentar dificuldades de financiamento, tendo recebido apenas 25,2 por cento dos 1,7 mil milhões de dólares (1,585 mil milhões de euros) prometidos para fornecer ajuda e protecção vital”, enfatizou Haysom.

 No entanto, o responsável da ONU reconheceu alguns "desenvolvimentos positivos” na aplicação do acordo de paz, incluindo a posse de deputados e outras assembleias, que descreveu como "um passo importante na conclusão das estruturas governamentais” no país africano.

Haysom também saudou as nomeações na cadeia de comando das forças unificadas, embora tenha reiterado que "as partes devem agora continuar com espírito de compromisso e acelerar os esforços através da graduação do primeiro grupo de recrutas”, que estava previsto para ontem.

Este prazo decorreu sem que as autoridades tivessem procedido a esses actos de graduação, que deveriam ter sido realizados após os recrutas completarem um período de dois meses de formação, após anos de atrasos nos acantonamentos, segundo a Rádio Tamazuj.

Por outro lado, Haysom destacou o progresso "notável” em relação à Comissão da Verdade, Reconciliação e Cura após o início de um processo de consulta que "gera uma plataforma para tornar os direitos à Justiça, reparação e garantias de não reincidência abordando as causas relacionadas a anteriores traumas”.

O enviado especial da ONU também lamentou a "escalada alarmante” da violência inter-comunitária, especialmente nos Estados de Eastern Equatória, Unity, Warrap e Jonglei, e advertiu que "continua a alimentar divisões entre comunidades e causar sofrimento a mulheres, crianças e homens inocentes”.

"Nesse sentido, aplaudo a criação de comités de investigação de alto nível para investigar esses incidentes de violência”, destacou.

Os confrontos inter-comunitários em Jonglei e noutras partes do Sudão do Sul, que aumentaram nos últimos meses, são muitas vezes fomentados por roubo de gado e disputas entre pastores e agricultores nas áreas mais férteis do país, especialmente por causa do aumento da desertificação e do deslocamento populacional.

O Sudão do Sul tem um Governo de unidade criado após a materialização do acordo de paz assinado pelo Presidente, Salva Kiir, e pelo principal líder rebelde e actual Vice-Presidente, Riek Machar. Entre as principais questões por concluir está a unificação das forças de segurança, um processo que sofreu inúmeros adiamentos desde a assinatura do acordo em 2018. 

  PAM corta ajuda alimentar

O Programa   Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) anunciou que, perante a falta de financiamento, não vai poder ajudar um terço da população do Sudão do Sul, 7,7 milhões de pessoas, em situação de fome. "Estamos muito preocupados com o impacto dos cortes no financiamento dos fundos nas crianças, nas mulheres e nos homens que não terão o suficiente para comer durante a época de escassez”, explicou o director do PAM no país, Adeyinka Badejo, citado num comunicado pela agência de notícias Efe.

A falta de financiamento surge numa altura em que 60 por cento da população no país africano sofre de insegurança alimentar severa devido às secas, conflitos internos e ao aumento dos preços causados pela ofensiva na Ucrânia. Antes de decidir cortar as ajudas, que afectaram 178 mil alunos que recebiam as refeições na escola, um lugar vital para assegurar pelo menos uma refeição, esta organização reduziu as quantidades de comida disponibilizadas durante 2021. O PAM advertiu que, sem os 426 milhões de dólares já pedidos para atender as necessidades de 6 milhões de pessoas, "a mortalidade, a má-nutrição e o atraso no crescimento e doenças aumentarão drasticamente”.

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