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ONU fala em aumento da violação dos direitos humanos

A Missão de Paz das Nações Unidas na RDC, MONUSCO, denunciou, sexta-feira, através de um comunicado divulgado em Kinshasa, a ocorrência de 739 incidentes de violação dos direitos humanos no país, referentes a Agosto, contra os 492 que se haviam registado em Julho.

03/10/2021  Última atualização 03H20
Relatório da Monusco aponta ocorrência de vários casos de abusos contra mulheres e crianças © Fotografia por: DR
Um relatório citado pela AFP refere que no mesmo período 94 por cento dos casos ocorreram na província de Ituri. O documento dá conta que foram mortas 293 pessoas vítimas dos confrontos, entre elas 63 mulheres e 24 crianças.

 No início da semana, o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu desculpas pelo comportamento dos funcionários da instituição que abusaram sexualmente dezenas de pessoas na República Democrática do Congo (RDC) e prometeu punir os culpados.

 "A primeira coisa que quero dizer às vítimas e sobreviventes é que sinto muito. Eu sinto muito, sinto muito pelo que foi imposto a vocês por pessoas que foram contratadas pela OMS para servir e proteger”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pela Efe durante uma conferência de imprensa sobre as conclusões de uma comissão de investigação independente. Além disso, prometeu "graves consequências” para os culpados.

 A comissão independente que investiga a violência e os abusos sexuais cometidos por funcionários da OMS na RDC encontrou "falhas estruturais” e "negligência individual” por parte da organização.

 Os abusos foram cometidos por funcionários, recrutados localmente e membros internacionais de equipas de luta contra o surto de Ébola na RDC entre 2018 e 2020, dizem os investigadores, que entrevistaram dezenas de mulheres que receberam ofertas de trabalho em troca de sexo ou que foram violadas.

 Nas suas observações iniciais, a comissão de inquérito - lançada em Outubro de 2020 pelo director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus - mostra um quadro desolador.


O responsável observa "a magnitude dos incidentes de exploração e abuso sexual na resposta ao 10º surto de Ébola, todos os quais contribuíram para aumentar a vulnerabilidade das vítimas, que não receberam a ajuda necessária e a assistência que exigiam essas experiências degradantes”.

 "É uma leitura comovente”, disse Tedros, no início da entrevista colectiva.

 A chefe da OMS para a África, Matshidiso Moeti, disse que "como chefe da OMS pedimos desculpas pelo que essas pessoas, essas mulheres, essas meninas sofreram” e prometeu levar em consideração as recomendações da comissão.
 A comissão constatou, também, após a realização de dezenas de entrevistas, "a percepção de impunidade dos funcionários da instituição por parte das supostas vítimas”, assim como o facto de que diante das dezenas de vítimas que se manifestaram, houve "uma ausência total de notificação de casos” a nível institucional.


  Influência russa
A RDC está na lista dos países onde a Rússia está a ser acusada de bloquear o trabalho de investigação de vários comités de especialistas da ONU responsáveis pela supervisão da aplicação de embargos de armas e sanções económicas em países africanos em conflito, disse, a semana passada, uma fonte da organização mundial, citada pela AFP.

 O bloqueio, segundo a fonte, tem como pano de fundo tentativas acentuadas da Rússia em aumentar a sua influência em África, sobretudo em países francófonos, que eram da jurisdição de França.

 A fonte cita o caso da República Centro Africana (RCA), onde a nomeação de peritos está interrompida desde 31 de Agosto, e da República Democrática do Congo (RDC), cujo mandato terminou a 1 de Agosto. No caso do Mali, o grupo de especialistas encarregado pelo país terá de interromper o trabalho de investigação na quinta-feira, depois de ter sido interrompido no Sudão do Sul a 1 de Julho.

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