Sociedade

Onda de frio atrapalha início da época balnear

João Upale | Moçâmedes

Jornalista

A época balnear para este ano ainda é uma "miragem" nas praias de Moçâmedes, do Tômbwa e da Lucira , no Namibe, devido ao frio que se faz sentir na região.

20/09/2021  Última atualização 09H30
Praias de Moçâmedes, Tômbwa e Lucira ainda sem o número de banhistas que se registava antes da interdição devido à Covid-19 © Fotografia por: Edições Novembro
Apesar de o Decreto Presidencial permitir, agora, que a partir do dia 15 do corrente mês se faça o uso das praias para natação e outras actividades de lazer, na Praia das Miragens, por exemplo, bem ao lado da Marginal da cidade de Moçâmedes, ainda não se regista a presença de banhistas. 

"Nem toda a gente está atenta quanto ao Decreto Presidencial que permite a abertura da época balnear, mas, ainda assim, acredito que, nos próximos dias, as praias registem maior presença de banhistas, apesar do frio", disse o José Domingos Cassinda, 18 anos.

Melita Esteves, 15 anos, disse à nossa reportagem que ainda teme pelo contágio da Covid-19, quando observa os ajuntamentos de pessoas. Fazer-se às praias ainda não é opção para si, a julgar pela propagação da doença.
Outra cidadã interpelada pelo Jornal de Angola é a funcionária pública Francisca Naukulua, que disse aguardar pelo sol abrasador para ir dar uns mergulhos.

Para Helena Soares, "ainda é muito cedo pensar em nadar, devido às baixas temperaturas, mas já dá para ir relaxando e revisar matérias da escola, aproveitando o silêncio nos dias que houver fraco movimento de nadadores".

O Serviço de Protecção Civil e Bombeiros prevê abrir oficialmente a época balnear 2021 no próximo dia 22, com um olhar atento nas medidas de biossegurança, sobretudo o distanciamento físico, lavagem das mãos com água e sabão e aplicação de álcool gel, antes e depois de sair dos locais de acesso ao banho.

A orla marítima da província conta com 32 praias, das quais nove de acesso ao banho, 16 não acessíveis à natação, uma industrial e seis turísticas. A província do Namibe tem uma superfície de 57.091 quilómetros quadrados e uma linha de fronteira de 480 quilómetros. O clima é temperado, variando entre 17°C e 25°C, com maior influência da corrente fria de Benguela.


População de Cabinda apanhada de surpresa

Em Cabinda, o anúncio da abertura da época balnear foi marcado pelo desconhecimento da maior parte da população, que se mostra, agora, ansiosa em começar a fazer o uso das praias, que estavam interditas, desde Março de 2020, por causa do surgimento de casos positivos da Covid-19, no país.
Durante as rondas efectuadas pela nossa reportagem, constatou-se a ausência de banhistas nas principais praias de Cabinda, como a do Girassol, Mangue-Seco, Luvassa Sul e Lubendo. 

"Sinto-me feliz com o anúncio da abertura das praias, por ser um sítio onde venho para distrair-me de alguns problemas”, disse o jovem André Sambo, 29 anos, comerciante de profissão.  
A vendedora de gelados de Múcua, Natália Suzana, 40 anos, disse que não sabia do início da época balnear. "O início dos banhos vai permitir-me aumentar o negócio. Quando fecharam as praias, senti-me fragilizada, porque é um local onde conseguia obter lucros”.

O jovem Afonso Pedro Futi, 18 anos, aluno da 12ª classe, a frequentar o curso de Energia e Estações Eléctricas, no Instituto Politécnico João Paulo II, disse que está satisfeito em saber que o Executivo autorizou o uso das praias, através de um Decreto Presidencial.  
Já o jovem Justino Conde Kienzo, 13 anos, aluno da 7 classe, defende a limpeza das praias antes de serem usadas. "O pai falou-me do início da época balnear, mas aconselho o Governo de Cabinda a limpar as praias antes de serem usadas, por estarem sujas”, referiu.

O  Serviço de Protecção Civil e Bombeiros está a traçar um conjunto de medidas que visam proteger os banhistas, segundo o seu porta-voz, o terceiro subchefe bombeiro Patrik Capita.
Em Cabinda, a abertura oficial da época balnear aconteceu sábado, na praia do Lubendo. "Temos cinco praias autorizadas, a do Lubendo, Mangui-Seco, Cabassango, Fútila e Cacongo”, acrescentou Patrik Capita, aconselhando as pessoas a consultarem os nadadores-salvadores antes de fazerem o mergulho. 

Joaquim Suami | Cabinda



 Sociedade em Benguela aplaude

 Membros da sociedade civil, comerciantes, agentes hoteleiros e operadores do ramo da gastronomia, ouvidos pela nossa reportagem, em Benguela, consideram a abertura das parias uma medida bastante acertada, visto que este período é oportuno para que os cidadãos desfrutem das belas paisagens que a natureza oferece e para a arrecadação de um volume de receitas financeiras.

O empreendedor Miguel Quintas, dono de uma esplanada de venda de bens alimentares e bebidas, disse que, com o encerramento da época balnear, o número de clientes tinha baixado, o que fez com que tivesse de despedir alguns funcionários.

A técnica de saúde e especialista em fisioterapia, Arminda Leopoldina, considera que a abertura das praias vai ajudar muitos cidadãos a resolver problemas de lesões corporais, provocadas pelo excesso de confinamento.
César Koliwe defende o cumprimento escrupuloso das medidas de prevenção, para se evitar a contaminação da Covid-19.

Maximiano Filipe | Benguela


Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade