Política

Olhar o futuro em tempos difíceis

Mais do que relembrar o passado, Bornito de Sousa, Vice-Presidente da República, levou à Quibala, província do Cuanza-Sul, uma mensagem de balanço da governação de João Lourenço. Os populares, que encheram a praça central da cidade, animaram-se com as promessas de água e luz.

12/11/2019  Última atualização 08H13
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: Vice-Presidente da República orientou, ontem, na Quibala, o acto central do 44º aniversário da Independência Nacional

O funcionário público Paulo Tomás, 29 anos, deslocou-se do Sumbe, capital da província do Cuanza-Sul, para festejar mais um aniversário da Dipanda. Antes de ouvir Bornito de Sousa confessou ao Jornal de Angola que a sua grande preocupa-ção é o contexto económico que o país enfrenta desde 2014.

“Os produtos essenciais estão cada vez mais caros. Precisamos de um kwanza mais forte para recuperarmos o poder de compra”, disse o funcionário público, que é natural da Gabela.
Além dos problemas económicos, a escassez de serviços básicos (água, energia, saúde e educação) é o grande constrangimento dos cidadãos. No meio de um cenário cinematográfico de montanhas verdes e campos agrícolas a perder de vista, a ener-
gia da barragem de Laúca - que já chegou ao Waco-Kungo e ao Huambo - passa na Quibala mas ainda sem serviço disponível. Falta investir na distribuição, até para baixar os custos operacionais das várias fazendas que existem em toda a extensão daquele município.
“É legítimo que haja a expectativa de ver solucionada, com celeridade, a questão do abastecimento de energia da rede nacional. O Executivo está a tomar medidas para que se resolva o problema nos próximos meses”, disse o Vice-Presidente da República por entre gritos efusivos da população.
Paulo Tomás, que é formado em História e um entusiasta da Batalha do Ebo (que impediu o exército sul-africano de subir em direcção a Luanda logo no dealbar da independência), acredita no poder da educação e do conhecimento.
“O conhecimento é, com certeza, um factor de desenvolvimento. E neste sentido acredito que as pessoas de-vem envolver-se directamente na busca por mais-valias. Não pode ser apenas o Estado a assumir este papel”, acredita Paulo Tomás.

Combate à corrupção é para continuar
Bornito de Sousa aproveitou a oportunidade para garantir que o combate à corrupção é para continuar. O governante acredita mesmo que é uma das grandes apostas do programa do Governo. Também voltou a alertar os servidores públicos contra as más práticas na gestão do erário.
“Os atropelos às regras de gestão e o desvio de recursos privam o Estado de investir em projectos que beneficiam os cidadãos”, disse Bornito de Sousa.
Ao longo do discurso, o Vice-Presidente da República reafirmou algumas das medidas para revitalizar e diversificar a economia, sobretudo no que diz respeito ao ambiente de negócios, recuperação da imagem de Angola junto da comunidade internacional e criação de oportunidades para os cidadãos.
“O futuro começa agora com as decisões que tomamos todos os dias. Temos a obrigação de fazer mais e melhor mesmo que, em certos casos, com menos recursos”, lembrou o Vice-Presidente da República.
No comício estiveram presentes representantes dos partidos políticos com assen-to parlamentar, autoridades tradicionais, membros do Executivo. Antes dos discursos aconteceu um mo-mento cultural.
Durante o dia de ontem, a comitiva aproveitou para conhecer o Centro de Logística e Distribuição (CLOD) da Quibala e a fazenda local da empresa Nova Agrolider, um dos principais produtores de hortícolas, citrinos e tu-bérculos do país. A fazenda tem mais de 8 mil hectares e emprega cerca de 1200 trabalhadores. Neste momento a empresa exporta cerca de 1000 toneladas de produtos agrícolas por mês.

 

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