Mundo

Olaf Scholz assume chefia do Governo

Muitas vezes comparado a um robô, pelo tom monocórdico e um discurso repetitivo, o social-democrata Olaf Scholz tornar-se, hoje, o nono chanceler da Alemanha, sucedendo à democrata-cristã Angela Merkel.

08/12/2021  Última atualização 10H15
Vice- chanceler do Governo cessante sempre defendeu que “ só se dá o que se tem”
Vice-chanceler e ministro das Finanças no Governo cessante, Olaf Scholz, 63 anos, é considerado um político pragmático e introvertido, que só fala o estritamente necessário, como Merkel, que deixa o poder aos 67 anos.
Quando o Partido Social Democrata da Alemanha (SPD) o nomeou candidato a chanceler um ano antes das eleições, era tido como o mais improvável sucessor da primeira mulher que liderou a Alemanha.


Scholz tinha perdido a eleição para presidente do SPD para a ala esquerda em 2019 e era visto no partido como um centrista próximo de Merkel, que não se recandidatou após 16 anos no poder.


Mas a sua gestão da crise provocada pela pandemia de Covid-19 foi considerada decisiva para a vitória nas eleições de 26 de Setembro deste ano.


Com apenas 15% nas sondagens na Primavera, o SPD apostou na experiência governamental do também antigo presidente da câmara de Hamburgo (2011-2018) para o projectar como um estadista seguro e confiável.


Scholz prometeu continuidade aos alemães, que lhe terão reconhecido o pragmatismo perante a pandemia, apesar do seu princípio de que "só se dá o que se tem".


Como ministro das Finanças, não hesitou em romper com o dogma orçamental para criar, em Março de 2020, uma "bazuca" de 750 mil milhões de euros para ajudar empresas e trabalhadores afectados pelas medidas anticovid-19.
"Esta é a bazuca que é ne-cessária para fazer o trabalho", disse na altura e defendeu que as medidas incluíssem "também investimentos" para ga-rantir que a Alemanha pudesse sair da crise "mais forte do que antes".


Scholz prometeu que o país vai recuperar "em menos de 10 anos" e, apesar de ter sido referido em dois escândalos financeiros durante a campanha, os alemães deram ao SPD 25,7% dos votos em Setembro.


Foi uma vitória curta, face aos 24,1% da União Democrata-Cristã (CDU), mas suficiente para Scholz liderar o "Governo do semáforo", assim chamado devido às cores dos três partidos da coligação: SPD (vermelha), Verdes e Liberais (amarela).


E ao fim de 16 anos, a chanceler que cresceu na antiga Alemanha Oriental vai ser substituída por um chanceler nascido e criado na Alemanha Ocidental, e ficar a escassos nove dias do recorde de 16 anos e 26 dias de Helmut Khol no poder.


Descrito pela revista Der Spiegel como "a encarnação do tédio na política", segundo a agência France-Press, Scholz chegou a chanceler após 46 anos na política.


Nascido na cidade de Osnabrück (Noroeste) em 14 de Junho de 1958, juntou-se ao Movimento Juvenil do SPD, o Jusos, em 1975.


Tinha cabelo comprido, usava camisolas de lã e participava em numerosas manifestações de paz, assinalou a AFP.
Licenciado em Direito, abriu um escritório de advogados especializado em direito do trabalho em 1985, em Hamburgo.


Após a reunificação alemã em 1990, defendeu trabalhadores em casos relacionados com a privatização de antigas empresas da República Democrática Alemã (RDA).


A sua carreira política teve o impulso decisivo quando o social-democrata Gerhard Schröder se tornou chanceler.Eleito deputado ao Parlamento Federal em 1998, Scholz tornou-se secretário-geral do SPD em 2002, e teve de explicar quase todos os dias as reformas liberais impopulares de Schröder.


Foi nessa altura que o semanário Die Zeit lhe chamou "Scholzomat", juntando o seu apelido à palavra "automat" (máquina), por usar um discurso tecnocrático repetitivo, recordou a rádio pública alemã Deutsche Welle (DW).

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo