Opinião

Olá senhor campeonato!...

Matias Adriano

Jornalista

Poderá, seguramente, não ter o mesmo impacto do passado, em que, quando os verdadeiros dérbis, terminassem igualados ou vencidos por um dos contendores, davam lugar à discussões intermináveis, que se prolongavam por dois, três, quatro ou mais dias depois da disputa. Mas é o Girabola, a expressão máxima do nosso futebol, que regressa hoje aos campos, para alegria dos membros da tribo da bola.

24/09/2022  Última atualização 06H00

Fica para trás o incómodo e perturbável defeso, este ano mais longo, em função dos sucessivos adiamentos que conheceu o seu início. Voltam os fins-de-semana a ganhar outra cor, outra azáfama, outra alegria, ante a rumaria de adeptos aos jogos, no seu movimento característico, em trajes quase alegóricos, e na fala um discurso que se demarca do optimismo para se abeirar à presunção.

O futebol tem esta virtude, esta força, esta particularidade de dividir, pela força das convicções clubísticas, membros da mesma casa, embora o "desentendimento" se resuma à mera relação desportiva, deixando o resto na paz, em obediência às normas do "fair play" .  Por isso, podemos dizer que hoje é dia de festa do desporto.

Logicamente, e tal como enfatizamos no começo, não será um Girabola que se compare ao outro tempo, quando os estádios enchiam-se de gente para ver futebol de cristalina qualidade, interpretado por equipas que ficaram apenas nas recordações, mas que sabiam valorizar a competição, com a sua qualidade exibicional, fazendo do futebol uma verdadeira arte. Mas é o que temos e é nosso.

Às vezes, neste tipo de análise, é desaconselhável estabelecer comparação entre o ontem e o hoje, porque o passado passou mesmo, embora dos seus feitos a História se encarregue a registar. Mas, não peca quem se confessa, nem sempre é fácil resistir à referência a equipas como Mambrôa do Huambo, MCH do Uíge, TAAG, Nacional de Benguela , lá para não falar dos seus activos.

Mas concentremo-nos na prova que hoje começa a escala de 30 longas e infernais jornadas, que prometem conhecer uma disputa sem quartel entre os principais protagonistas. Nota-se, entretanto, uma certa prudência discursiva. Até o Interclube não estabelece o título como meta, mas a melhoria de classificação, o que é pouco comum.

Como nota de realce, geograficamente o Campeonato mudou de hemisfério.  Luanda, o grande papão, e tido como centralizador da competição, deixou de ser. Infelizmente, os tempos são outros e, como tal, a realidade também é outra.

A província, que em determinadas edições se fazia representar com metade das 16 equipas concorrentes, no Campeonato que agora começa entra apenas com três equipas, nomeadamente 1º de Agosto, Petro e Interclube. Supera-lhe Benguela com quatro.

Entretanto, não é o número de equipas com que se faça representar esta ou aquela província, que dá relevo à prova, mas a qualidade de jogo. É isto que se espera de todos os seus actores. De resto, está a plateia expectante, corra a cortina, abra-se o cenário e comece o espectáculo...

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião