Opinião

OGE’ 2022, um novo ciclo

A proposta do Executivo, para com a Lei do Orçamento Geral do Estado 2022, em aumentar a massa salarial para impulsionar o crescimento económico, salvaguardar o rendimento e consumo das famílias, espelha fundamentalmente a preocupação e compromisso para com a inversão da trajectória económica até recentemente observada.

01/11/2021  Última atualização 10H05
Como sabemos todos, os últimos anos foram marcados essencialmente por um crescimento negativo da economia, o que de alguma maneira sobrecarrega o Estado em toda a sua estratégia para um curso oposto ao dos últimos anos.


Tendo uma população que cresce a uma taxa inversamente proporcional ao da criação de riqueza, que lhe devia acompanhar, as instituições do Estado que superintendem a economia enfrentam o desafio e a pressão no sentido de gizarem políticas no sentido inverso.


Dividido entre as medidas para conter a despesa, sobretudo a supérflua, e a necessidade de financiar devidamente a economia para permitir o crescimento económico, mesmo nas condições e conjunturas desfavoráveis, nem sempre foram fáceis as opções das instituições do Estado.


Foram feitas importantes correcções de natureza macroeconómica que, até muito recentemente, permitiram ao Estado reduzir substancialmente o papel que as receitas petrolíferas tinham na garantia dos salários da função pública, por exemplo.
Na verdade, a ideia de crescimento da massa salarial demonstra, de alguma forma também, a reduzida pressão por que passa o Estado nas suas contas, não completamente desafogadas, naturalmente, para fazer face aos desafios imediatos da economia.


Angola precisa de assegurar o crescimento da economia, promover a criação de emprego, criar as condições para que os operadores privados tenham espaço, intervenham e ajudem as instituições do Estado em todo este desafio.
Numa altura em que as perspectivas de crescimento da economia apontam para uma evolução positiva, impõem-se as apostas que visam criar mais postos de trabalho, ao lado das medidas monetárias e fiscais para salvaguardar o rendimento e estimular o consumo.


Acreditamos que, com a presente proposta do OGE para o ano de 2022, o Executivo pretende, entre outros fins, um relançamento da economia para adequá-la na direcção que todos pretendemos, uma economia virada para atender as preocupações mais prementes das famílias, das empresas e das pessoas individualmente.


Assegurar que a maioria da população economicamente activa, aquela que pode contribuir para o processo de criação de riqueza, tenha, efectivamente, trabalho e seja devidamente remunerado, é das melhores apostas que o Executivo pode fazer.  Com este processo, aumenta, igualmente, a perspectiva de aumento do consumo de bens à medida que parte significativa da população seja empregada e devidamente remunerada, realidade que, de forma muito sintética, resume a ideia de economia de mercado.


Esperemos que o principal instrumento de política económica do Executivo, com base nas propostas avançadas, que marcam uma espécie de fim e início de um novo ciclo represente o passo decisivo que todos aspiramos para devolver crescimento económico, salvaguardar o rendimento e consumo das famílias.

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