Opinião

OGE 2020 - Priorizar o prioritário

Lá se foram os “belos” tempos das vacas gordas, a manta está curta, porque a estiagem abateu-se sobre a “chuva” granizada de dólares que parecia não ter fim em Angola, puro engano...!!!

03/11/2019  Última atualização 08H31

A angústia atormenta, o labirinto de soluções assertivas é cada vez mais apertado, e os tambores ressonantes dos que deliram com críticos hilariantes apostam forte no aproveitamento da situação, que, ante os intrincados problemas socioeconómicos, buscam recorrentemente soluções triviais no discurso político, sem olhar para o “DNA” real do “vulcão” económico que irrompeu vorazmente, de tanto reprimido sob o efeito anestésico do “boom” do preço do petróleo, que pouco se soube aproveitar.
Os números “frios” como sempre o foram, estão aí para dizer que não tem mais como escamotear a sua razão de ser, na curva apertada que tentamos a todo o custo descrever, para evitar-se um eventual resvalamento em precipício - qual Serra da Leba...!!!
É do “draft” da proposta do OGE 2020, que me ocorre comentar - a julgar pelo detalhe como a Secretária de Estado do Orçamento, Dra. Haia-Eza da Silva, tão bem, melhor dizendo, de forma detalhada – aliás, didáctica, soube explicar, com números “pálidos” e gráficos esclarecedores, dando-nos conta que a taxa de crescimento económico (PIB) prevista para o próximo ano estará, uma vez mais, aquém de cobrir as necessidades do país ... uma espécie de cálculo aritmético: 3-2=1. Sim, isso mesmo: porque de facto, o preço do barril do petróleo teve uma queda acentuada de dois terços: de 112 dólares para 37 dólares, em 2016...!!!
Em economia, os números ajustados ao tempo nunca devem ser negligenciados, tão pouco manipulados, porque todo o exercício nesse sentido resulta em fracasso – (custo de oportunidade).
Os números constantes da proposta do OGE (possível) para 2020 são desafiantes e requererão opções corajosas, sem perder-se o foco de protecção das empresas e das famílias, por se tratarem de dois factores essenciais para a retoma da produção nacional, num novo contexto de liberalização da taxa cambial decidida pelo BNA, nas transações dos bancos comerciais com o mercado.
Falando de opções e retoma da produção, uma condição se impõe: abdicar tudo o que for possível abdicar, para o estancamento da “hemorragia” das escassas divisas que temos, que devem assegurar seis meses de importações, invertendo a tendência do fluxo de recursos de fora para dentro, em contraposição ao que sempre assistimos, de dentro para fora, sendo que as poupanças que forem obtidas, devam ser direccionadas para a economia real (produção nacional), removendo toda a panóplia burocrática, um “artifício” de venda de dificuldades para obtenção de benefícios em detrimento da economia.
A política da “manta curta”, será a saída, não há como cobrir os pés e a cabeça - alguma parte do corpo terá que ficar de fora no próximo exercício económico. O (pouco) dinheiro que temos não chega para cobertura das necessidades desejáveis por todos nós, para tal, bastará contemplar nessa peça importante de gestão macro-económica em 2020 as rubricas de despesas que poderão ser realizadas, para que se evite a recorrente aprovação pelo Parlamento de Orçamentos “surrealistas”, com graus de execuções sofríveis, redundando em prejuízos reputacionais dos seus autores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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