Economia

Oferta nacional de bens agrícolas é a mais barata

Francisco Curihingana | Malanje

Jornalista

A oferta de alimentos de produção já cobre a de alguns produtos importados, a preços inferiores, de acordo com declarações proferidas pelo ministro da Agricultura e Pescas, António de Assis, quarta-feira(15), no sector do Lau, em Malanje, onde liderou o acto de arranque de uma cooperativa de produção integrada.

16/06/2022  Última atualização 08H05
Ministro António de Assis (segundo à esquerda) na cooperativa do sector do Lau © Fotografia por: Francisco Curihingana | Edições Novembro | Malanje

Segundo o ministro, os preços de produtos como o feijão, que custava 1500 kwanzas por quilo, baixaram para 400, o que disse significar "que estamos a produzir bem, há grande oferta no mercado e, naturalmente, os preços baixam”, algo susceptível de representar uma tendência, "na medida que formos crescendo em termos de produção agrícola”.

"A tendência é baixar ainda mais porque não pode um produto agrícola feito por nós, nas nossas condições, custar valores que impossibilitam a maioria dos cidadãos ter acesso: o que é normal é que o quilo de feijão custe de 200 a 300 kwanzas”, afirmou o ministro num repto lançado aos produtores.

António de Assis considerou que "Angola está a atravessar um momento de viragem na sua estrutura económica”, estando "a sair de uma economia totalmente dependente do petróleo, para uma economia que olha para as suas potencialidades internas e as desenvolve”, disse.

O responsável atribuiu essa evolução a uma nova abordagem de entrosamento dos produtores agrícolas com o conhecimento técnico e científico facilitado por técnicos auspiciados pelo Governo.

"Temos que continuar nesse caminho, levando conhecimento para melhorar as práticas agrícolas. Estamos a ver também um pouco do potencial produtivo aqui desta região, bastante produção de feijão, mandioca, a parte das frutíferas, ou seja, estamos num bom caminho. Temos que continuar a aprimorar estas questões e termos sempre a capacidade de ultrapassar algumas barreiras que nos são impostas do ponto de vista teórico”, frisou.

Francisco de Assis assegurou que os investimentos vão prosseguir, nomeadamente, na transformação, com a colocação de mais alguns equipamentos, inserindo a avicultura, suinicultura e bovinicultura na actividade agrícola.

 Oitenta milhões

Um projecto de integração do Lau, uma localidade com um elevado potencial agrícola, beneficiou de obras de reabilitação iniciadas a 12 de Janeiro do presente ano, resultaram na recuperação de 84 aviários, três residências, um centro de formação, posto policial e a implantação das áreas de produção com as culturas de café arábica, mangueiras Tommy, citrinos e goiabeiras.

Foi, igualmente, implantada uma lavra com a escola de campo, galinheiro, estufa, cozinha comunitária e creche para o cuidado das crianças locais.

A acção é o resultado dos esforços conjugados do Ministério da Agricultura e Pescas, Governo Provincial e Administração Municipal de Malanje, bem como de produtores do sector do Lau, num projecto que absorveu cerca de 80 milhões de kuanzas.

O governador de Malanje, Norberto dos Santos, lembrou que a cooperativa já tinha sido a Empresa Agrícola do Kissol, com um percurso interrompido pelo conflito armado pós eleitoral, em 1992, após que foi abandonada e submetida a questões conjunturais que impediram o seu desenvolvimento.

Norberto dos Santos considerou que, nas novas condições, a cooperativa tem potencial para alavancar a economia local e tirar as populações da pobreza, permitindo que acumulem excedente para colocar no mercado e garantir a estabilidade das famílias.

Ao estabelecer uma comparação com um passado recente, o governador de Malanje afirmou que a província vive,  agora, a hora dos excedentes na produção de feijão, batata-doce e a fuba de bombó e outros produtos alimentares.

"Precisamos agora de começar a criar preços para que os produtores também se sintam motivados”, disse o governador, que manifestou as expectativas mais animadoras das autoridades locais  quanto à materialização das acções do Projecto de Reconversão da Economia Informal (PREI), bem como do levantamento dos empresários locais que vão adquirir viaturas para o escoamento dos produtos do campo.

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