Opinião

Ociosidade e criminalidade

Escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre a criminalidade e começo com a seguinte questão: por que insistentemente as pessoas pretendem insinuar que se os gatunos roubam e matam é por falta de emprego? Fui criança criada aqui num dois bairros periféricos de Luanda e, como as outras crianças, cresci normalmente.

30/11/2019  Última atualização 12H31

Naquele tempo havia também muitas dificuldades e, tal como hoje, existiam alguns jovens e mais velhos que se dedicavam à roubalheira como ganha-pão, para sobreviverem. Mas tal como antigamente, essas pessoas que se dedicavam ao roubo tinham alternativas. Havia emprego para todos e falo de finais da década de setenta e toda a década de oitenta, quando havia indubitavelmente emprego para todo o mundo que atingisse 18 anos.
Inclusive a vida militar era uma forma de ocupação, honrosa independentemente das circunstâncias, e que nada justificava dedicar-se ao roubo, salvo naquelas situações, como sucede hoje, do imediatismo. Em todo o caso, nada justificava ontem, como nada justifica hoje que as pessoas se dediquem ao roubo como forma de sobrevivência porque, na verdade, há sempre alternativa ao desemprego. As pessoas que alegam a crise económica e financeira deviam lembrar-se que existe aqui em Luanda centenas de compatriotas, vindos de outras províncias, e que se dedicam a actividades que os jovens de Luanda não se predispõem a fazer.
Os jovens que usam os carrinhos feitos à base de madeira, com os quais transportam quase tudo, em distâncias curtas, médias e até longas, são maioritariamente oriundos do centro e sul do país. Igualmente os que se dedicam à venda de garrafas de água na via, bem como as jovens e senhoras que “zungam”, actividades que servem como exemplo de alternativas ao roubo. Trata-se de pessoas que vieram e chegaram aqui em Luanda para trabalhar e honestamente vão fazendo a sua vida. Por isso, acho ofensivo dizer que se as pessoas roubam e matam é porque não há emprego. É grave essa forma de pensar, além de insultuosa para muitos como eu que desde cedo aprendeu a dedicar-se a alguma actividade útil e honesta para ganhar a vida. Não me venham com justificações sobre a crise económica porque isso sempre aconteceu e com certeza que vai continuar.
Juliana Vieira Soyo


Eleições britânicas
As eleições britânicas podem ser uma espécie de segundo referendo, favorável ao Brexit caso Boris Johnson ganhe ou o contrário no caso de uma vitória de Jeremy Corbyn. Em todo o caso, tal como alguém tinha avançado numa das emissoras radiofónicas do país, era bom que os países africanos em geral e Angola em particular soubessem já que ganhos podem advir com uma das duas possibilidades da saída britânica da União Europeia. Não vejo nada em termos de aproveitamento que os Estados podem fazer com o actual processo de saída ou permanência da Grã-Bretanha na União Europeia.
António Joaquim|Rocha Pinto



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