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Obras do troço Nzeto/Soyo estão paralisadas desde 2008

A conclusão das obras da estrada Nzeto/Soyo, com uma extensão de 150 quilómetros, está dependente da indemnização exigida pelo empreiteiro italiano, CMC di Ravenna, alegadamente por se ter registado inúmeras paralisações nos trabalhos, que começaram em 2008, informou ao Jornal de Angola o director provincial do Instituto de Estradas de Angola (INEA), Manuel Diangani.

11/02/2020  Última atualização 11H30
Garcia Mayatoko | Edições Novembro © Fotografia por: Equipa do INEA esteve a verificar estado da ponte construída em 2017 pela Carmon e que apresenta fissuras num dos extremos

“Existe disponibilidade financeira por parte do Governo angolano para a conclusão dos trabalhos de construção da estrada, mas o empreiteiro italiano, CMC di Ravenna, quer indemnização pelas constantes interrupções das obras”, revelou Manuel Diangani.
Segundo o responsável, foi a empresa italiana que conseguiu uma linha de crédito de um banco francês para o projecto, mas para a verba ser disponibilizada tem de ser apresentada uma factura da obra executada, e o em-preiteiro não o faz, porque quer indemnização.
“ A CMC di Ravenna está a exigir indemnização, alegadamente por ter ficado vários anos a pagar os funcionários ligados à segurança, serviços de energia eléctrica e das máquinas. Como o Governo angolano não endereçou uma carta à empresa a formalizar a paralisação das obras, então eles acham que têm de pedir indemnização”, explicou Manuel Diangani.
Neste momento, disse, falta concluir um pequeno troço de cerca de 30 quilómetros, partindo da aldeia do Kungo (Soyo) até ao chamado prédio de Tijolo, na cidade do Soyo. No sentido descendente do percurso os trabalhos já terminaram e o trânsito circula com fluidez. Manuel Diangani disse que este impasse está a ser tratado entre o Ministério da Construção e Obras Públicas e o empreiteiro italiano.

Fissuras na ponte sobre o rio Mbrige inquietam automobilistas


A nova ponte sobre o rio Mbridge, com duas placas paralelas de 388 metros de comprimento e onze de largura cada, apresenta grandes fissuras numa das extremidades. A infra-estrutura foi construída para facilitar a passagem na auto-estrada, de 150 quilómetros , que vai ligar os municípios do Nzeto e Soyo, cujas obras estão na fase final.
Uma equipa de jornalistas integrou a delegação do Instituto de Estradas de Angola (INEA) que foi verificar o estado da ponte, projectada para suportar 90 toneladas. Na ocasião, o director do INEA, Manuel Diangani, disse que a infra-estrutura “apresenta sinais de assentamento da estrada, o que está a causar fissuras e descontinuidade entre os pontos de ligação”.
Manuel Diangani explicou que a auto-estrada está a ser construída numa zona de mangais, pelo que a ponte, construída em 2017 pela empresa brasileira Carmon, apresenta um desnível entre as duas partes num dos extremos.
Na óptica do responsável do INEA no Zaire, engenheiro de construção civil, não há ainda necessidade de interditar a circulação de automóveis sobre a ponte, “mas é urgente fazer a devida correcção para se ajustar a altura entre a quota da parte de betão e a plataforma da estrada”, onde foram feitos trabalhos de terraplanagem e asfaltagem.
As fissuras, disse, não colocam em causa a vida útil da infra-estrutura. Portanto, devemos de imediato colocar placas de sinalização para alertar os automobilistas de que estão a passar por uma zona em que devem reduzir a velocidade até 40 km/hora, no sentido de se prevenir acidentes.
“A ponte foi construída numa zona onde os solos apresentam pouca resistência. Apesar disso, a infra-estrutura pode durar até ao seu tempo de vida útil, se houver constantemente manutenção, como recomendam as normas de construção civil”, disse Manuel Diangani.

Outro constrangimento
O outro constrangimento, que preocupa os automobilistas que circulam na referida auto-estrada, prende-se com a paralisação dos trabalhos na via alternativa, num percurso de 600 metros. As passagens hidráulicas que estão a ser construídas estão a ceder, facto que obrigou o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, a orientar a suspensão das obras, e a remeter amostras dos solos aos Laboratórios de Engenharia de Angola e de Portugal, para a realização de estudos dos solos da região.
“Neste momento, os automobilistas enfrentam dificuldades para circular no troço alternativo, porque a ponte hidráulica cedeu e têm de passar em zonas esburacadas, que nesta altura de chuvas ficam lamacentas”, disse Manuel Diangani.

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