Cultura

Obras de Kiluanji kia Henda em quatro cidades europeias

Obras de artista angolano Kiluanji kia Henda vão ser expostas em quatro cidades europeias, nomeadamente Arles (França), Nápoles (Itália), Porto (Portugal) e Berlim (Alemanha), em igual número de exposições e performance.

07/07/2021  Última atualização 07H00
Obra “Redefining the Power” de Kiluanji kia Henda está patente, desde Maio último, no Haus der Kulturen der Welt, em Berlim © Fotografia por: DR
O artista angolano participa até 26 de Setembro no "Arles 2021: Encontros de Fotografia”, uma exposição que junta 50 artistas, fotógrafos e cineastas,  entre os quais figuram Laurie Anderson, Kenneth Anger  e Samuel Fosso.

Esta exposição aborda como a masculinidade tem sido codificada, produzida e socialmente construída desde 1960 até a actualidade.
Na senda de #MeToo, a imagem da masculinidade vem ganhando mais interesse, com os conceitos de masculinidade tóxica e vulnerável permeando a sociedade de hoje.

A mostra, que tem a curadoria a cargo da inglesa Alona Pardo, Kia Henda apresenta a obra "A Última Viagem do Ditador Mussunda Nzombo Antes da Grande Extinção” (2017), uma série de foto-performance realizadas nos dioramas do Museu de História Natural em Luanda.

O Museu de Arte Contemporânea (Madre), em Nápoles, acolhe a partir de amanhã até 11 de Novembro, a exposição "Utopia Distopia: o mito do progresso a partir do Sul” que apresenta práticas artísticas contemporâneas que responderam às grandes mudanças sociais do último meio século: urbanização, industrialização, criação de novas periferias urbanas, desertificação rural, lutas pelas liberdades e restrições ao corpo.

A exposição com cinquenta e cinco artistas, a partir do acervo do Museu Madre, integra uma análise das esperanças utópicas em paralelo às experiências distópicas da era moderna, com atenção voltada ao Sul, bem como a representação do substancial fracasso das lógicas por vezes violentas que movem a ideologia do progresso (particularmente visível no período da pandemia). Culmina no questionamento sobre a possibilidade de imaginar outro futuro.

O artista angolana apresentará duas obras, "Icarus 13 - A primeira viagem ao Sol” (2008)  e a mais recente obra "Afri Lunar Station” (2019), ambas compostas por uma série de fotografias e esculturas, que narram a estória de projectos espaciais fictícios em África, criando uma relação com eventos históricos do continente.

Kia Henda participa no sábado, nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto, no "Anuário 20”, com a performance "Resetting Bird’s Memories”, que conta a história do largo Kinaxixi, no centro de Luanda, que ganha vida através do corpo da actriz Zinha Soares.
Kia Henda dá a conhecer a relação entre uma Angola pré-colonial e a visão nostálgica dessa época. O Kinaxixi simboliza o passado violento, com sucessivos governantes que aí colocaram monumentos a si próprios, glorificando as suas ideologias.

A performance encerra uma camada política, fugindo da ilustração literal dessa história. A poesia desta obra convida a reflectir sobre o mundo em constante mudança, muitas vezes representadas pelos monumentos no espaço público.
O "Anuário 20” está integrado no programa "Ping!” da Galeria Municipal do Porto.
A obra "Redefining the Power” de Kiluanji kia Henda pode ser apreciada, desde Maio último, no Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, conjuntamente com "After Dürer” de Andreas Siekmann.

Esta exposição apresenta duas obras sobre a memória histórica e o debate sobre os monumentos e políticas de memória. Com "Redefining the Power”, Kiluanji Kia Henda apresenta a série de fotografias Homem Novo, sobre o destino dos monumentos coloniais em Luanda. A maioria das estátuas que celebram os "descobrimentos”, conquista, escravatura e dominação já foram vandalizadas ou removidas em Luanda, durante o período da guerra civil (de 1975 a 2002).

Uma cidade com pedestais vazios representa um momento de transição, uma incerteza produtiva em termos de memória colectiva e de imaginação do futuro. Kia Henda apresenta nestes pedestais figuras centrais da vida cultural contemporânea e da contracultura luandense, mas também da afro-diáspora em Portugal.

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