Cultura

Obra poética de Agostinho Neto debatida na Universidade de Coimbra

A obra poética de Agostinho Neto foi, quinta-feira, tema de debate, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em mais uma jornada alusiva às comemorações do centenário do Fundador da Nação, com o patrocínio da Embaixada de Angola em Portugal.

24/09/2022  Última atualização 08H50
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra acolheu conferência sobre os centenários de Agostinho Neto e José Craveirinha © Fotografia por: Edições Novembro
Nesta jornada, organizada conjuntamente pela Casa de Angola em Coimbra, o Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras de Universidade de Coimbra e pela Embaixada de Angola em Portugal, foi realizada uma conferência subordinada ao tema "Sagrada Esperança  Os Centenários de Agostinho Neto e José Craveirinha”.

Tratou-se de uma forma de celebrar, de uma só vez, os centenários dos nascimentos de Agostinho Neto e José Craveirinha, dois lutadores pela libertação dos seus países, Angola e Moçambique, com uma forte vertente poética.

Na cerimónia de abertura da conferência, o embaixador Carlos Alberto Fonseca referiu que o tema escolhido para o evento "Sagradas Esperanças”, "reflecte a importância da poesia destes dois autores na formação e afirmação da identidade nacional, cultural e política dos povos de Angola e Moçambique, irmanados por tantos laços comuns e históricos, dentre os quais merece destaque o da solidariedade, forjada numa luta comum em prol do mesmo objectivo de liberdade, soberania e independência nacional”.

"Merece também menção, nesta oportunidade, ao realizarmos este acto na Universidade de Coimbra, o facto de Agostinho Neto ter sido aqui estudante, nos primeiros dois anos de início dos seus estudos em Portugal, prosseguindo-os depois na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa”, afirmou.

Segundo o embaixador, "ao falarmos de Agostinho Neto, temos de ter presente a sua tripla dimensão poética, política e humana, traços da sua personalidade que o definem como o poeta maior na literatura angolana, tão importante a força da sua expressão poética no despertar e na mobilização das consciências desesperadas dos angolanos num amplo movimento cultural e político, ao nível da consciência da acção que foi também um amplo movimento de libertação nacional, do qual também foi um líder incansável e que culminou com a proclamação da Independência Nacional, tornando-se, assim, o fundador do Estado Angolano Independente, do qual foi o primeiro Presidente da República e o Fundador da nação angolana”.

"Na poesia de Agostinho Neto, encontramos o sentimento de resiliência, o sofrimento e a coragem, as aspirações mais profundas, os anseios, a força combativa de resistência e de sacrifício, a vontade inquebrantável, o espírito de entrega e devoção à causa da liberdade, da justiça social, da solidariedade, do profundo humanismo e sentimento de humanidade, de certeza na vitória do Povo angolano e de todos os povos oprimidos do mundo, contra o colonialismo”.

Para Carlos Alberto Fonseca, "Agostinho Neto fez da sua inspiração e arte poética uma importante arma de libertação nacional em que, com grande mestria literária, o lirismo e o épico coexistem numa simbiose natural e espontânea, muitas vezes difíceis de separar num mesmo poema e até num  verso. Os dois estilos de mensagem tão aglutinados, evoluem no espaço e no mesmo tempo”.

"A expressão poética de Agostinho Neto também se traduz na consciência do seu papel, do seu destino, enquanto filho de uma Pátria ainda por libertar, ainda por fundar naquela altura, em que apelava a todos os angolanos para a luta de libertação, porque ele já não esperava, pois era aquele por quem se esperava, numa expressão poética e profética, como a ‘Sgarada Esperança’, que tal como a Renúncia Impossível marcaram a fortaleza da identidade e consciência individual e colectiva dos angolanos, onde também se faz sentir a intemporalidade da poética de Agostinho Neto”.

Na conferência, falaram ainda sobre a vertente poética de Agostinho Neto, os professores Pires Laranjeira e Francisco Topa. Dissertou, igualmente, sobre a importância da mensagem poética do primeiro Presidente de Angola, a professora Ana Rocha.

Já no período da noite, o Teatro Gil Vicente, em Coimba, acolher um sarau poético onde foram recitados poemas de Agostinho Neto e José Craveirinha, por alunos e professores da Faculdade de Letras  da Universidade de Coimbra.

Nesta actividade, o Embaixador Carlos Alberto Fonseca esteve acompanhado pela Cônsul-geral de Angola em Lisboa, embaixador Vicência de Brito e por outros diplomatas angolanos acreditados em Portugal.

  Comemorações

Na terça-feira, o embaixador Carlos Alberto Fonseca, depositou uma coroa de flores no busto de Agostinho Neto, que se encontra no átrio principal das instalações da Missão Diplomática, em Lisboa.

Acompanhado por diplomatas daquela Missão Diplomática, o Embaixador Carlos Alberto Fonseca, numa breve alocução, recordou a figura do primeiro Presidente de Angola destacando a necessidade do seu legado ser amplamente transmitido às novas gerações.

Esta actividade, está inserida no programa alusivo ao centenário de Agostinho Neto. Na semana passada realizou-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto um Colóquio Internacional que debateu a figura do Fundador da Nação, com especial ênfase na sua vertente cultural.

Na oportunidade, o embaixador Carlos Alberto Fonseca procedeu à entrega de distinções ao Professor Pires Laranjeira e à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, pelo trabalho que têm desenvolvido na divulgação da obra de Agostinho Neto. Foi ainda exibido um documentário e distribuída a biografia do primeiro Presidente de Angola, tendo ainda sido realizada uma exposição sobre a vida do Fundador da Nação, patente ao público no Museu Militar, antigo presídio onde Agostinho Neto esteve detido.

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