Opinião

O satélite angolano

O país pode, finalmente, a partir do dia 12 deste mês, ter o seu primeiro satélite, equipamento que, depois de ser lançado no espaço, permanece em órbita ao redor da Terra e se torna muito importante para o uso de tecnologias, comunicação e estudos sobre o planeta.

06/10/2022  Última atualização 05H00

A primeira tentativa para Angola ter um satélite aconteceu em Dezembro de 2017.  O lançamento em órbita do Angosat-1, a partir do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão, foi efusivamente festejado no país, mas a comemoração teve de ser interrompida porque perdeu-se o contacto com o satélite.

Construído para um tempo de vida útil de 15 anos, o Angosat1 surgia como uma oportunidade para expansão dos serviços de comunicação via satélite, acesso à Internet, rádio, telefonia e transmissão televisiva, já que conseguiria cobrir um terço do globo terrestre.

Antes mesmo do lançamento foi anunciado que a quase  total capacidade do Angosat-1 estava negociada e que havia uma incidência em cinco sectores primordiais de venda de banda: telecomunicações, media, defesa e segurança, petrolíferas e nos de prestação de serviço, com realce para a última área.

Moçambique, Lesotho, Congo, República Democrática do Congo e Togo são os países que já tinham feito reservas para a utilização do Angosat-1. Havia, também, negociações com a Bélgica para o mesmo efeito. Infelizmente, o lançamento do Angosat-1 foi um insucesso.

A empresa russa RKK Energia liderou o consórcio que construiu o aparelho. Em Abril de 2018, a Rússia pediu desculpas pelos transtornos causados pelo insucesso. Destacou-se, entretanto, o facto de o Angosat-1 ter um seguro de 121 milhões de dólares, que, em caso de acidente ou desaparecimento (como aconteceu), cobre a totalidade dos custos da sua substituição.

É neste âmbito que foi construído e deve ser lançado, no próximo dia 12, o Angosat-2, com os mesmos objectivos traçados aquando do lançamento do primeiro satélite. O Angosat-2, que já se encontra na área de rampa de lançamento, deverá cobrir todo o continente africano e parte da Europa, constituindo-se, assim, numa fonte de receitas para o Estado.

Aquando do lançamento do Angosat-1, muitos comentários foram feitos sobre a vantagem de o país ter um satélite. Alguns defendiam que não era um projecto prioritário, sobretudo devido ao dinheiro investido. Mas é bom sublinhar que o Angosat, além de gerar receitas para o país, faz parte da Estratégia Espacial Nacional que visa levar os serviços de telecomunicações às zonas mais recônditas, a preços competitivos, diminuindo, assim, a exclusão digital no país.

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