Opinião

O processo eleitoral na RDC

A análise da situação política e de segurança na região, com o foco principal no processo eleitoral por que passa a República Democrática do Congo, serviu para reunir à mesma mesa Chefes de Estado ou seus representantes, ontem, na cidade de Brazzaville, capital da República do Congo.

27/12/2018  Última atualização 06H30

Convocada por iniciativa do presidente em exercício da CIRGL (Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos), Denis Sassou-Nguesso, com a presença de representantes de alguns países da SADC, tratou-se de um encontro oportuno. Na verdade, a cimeira constitui o prolongamento das iniciativas de concertação e coordenação ao nível da região para, entre outros objectivos, assegurar a materialização dos esforços para garantir a paz, estabilidade e bem-estar. Embora relativamente estável, a África Central vive ainda desafios no que a estabilização interna de alguns Estados diz respeito, a julgar pela situação que prevalece na República Centro-Africana, no Burundi e na RDC. E é fundamentalmente naquele último país, que vive o que se pode denominar já como “crise pré eleitoral”, em que se redobram as atenções atendendo a vários factores, nomeadamente a extensão territorial, o problema demográfico, entre outros. A região acompanha com muita atenção o desenrolar do processo eleitoral na RDC, augurando que as autoridades congolesas e todos os intervenientes tenham em linha de conta os interesses do país em detrimento dos de grupo.
Numa altura em que as eleições foram adiadas para o dia 30 deste mês, elevou-se o estado de tensão internamente na mesma medida em que aumenta igualmente a preocupação generalizada dos países da CIRGL e da SADC e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).
Foi salutar a garantia dada, há dias, pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI) à delegação do Fórum de Comissões Eleitorais dos países membros da SADC sobre a realização efectiva das eleições a 30 de Dezembro de 2018 em toda a RDC. É expectável que os actores políticos na RDC e as populações dêem mostras do civismo e tolerância, fruto da experiência eleitoral que levam de vários pleitos eleitorais. Atendendo ao que se encontra em jogo, a frágil estabilidade política, ao lado dos problemas de segurança sanitária nas regiões afectadas pelo vírus ébola, não faz sentido uma actuação e comportamentos que embaracem ainda mais a situação.
A cimeira de Brazzaville serviu também para que os líderes dos Estados presentes enviassem uma mensagem de solidariedade ao  povo congolês e de encorajamento aos actores políticos no sentido da observância das leis e das boas práticas eleitorais. Apenas assim a RDC pode  realizar uma transição política pacífica para entrar num processo de normalização do seu processo democrático. 

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