Opinião

O processo de arborização

A campanha de plantação de árvores "Eu sou a vida", promovida pela Associação de Escuteiros de Angola (AEA) e "apadrinhada" pela Primeira-Dama, implantada oficialmente no Domingo, em Luanda, visa objectivos vitais e nobres.

26/04/2022  Última atualização 06H25

E para as duas dimensões, Ana Dias Lourenço deu a explicação ao dizer que  "estamos conscientes das dificuldades que o nosso planeta atravessa, sejam elas a nível da biodiversidade, alterações climáticas ou poluição crescente. Estamos a nos aproximar de uma realidade sem precedentes, por devastarmos cada vez mais o ecossistema", expressões que espelham bem o lado urgente e vital da reversão do actual quadro.

A nobreza da campanha radica no facto, igualmente baseado na intervenção proferida pela esposa do Presidente da República, ao aclarar na primeira pessoa que "é minha profunda convicção de que as acções de cada um se repercutem na família e consequentemente na escola, no bairro, na cidade, no país e no mundo".

Assim nasce um projecto cuja ambição principal, de acordo com os proponentes, a plantação em todo o país de um milhão de árvores, constitui um marco significativo e plenamente alcançável até 2024, como pretendem os escuteiros.

Tal como defendeu a governadora de Luanda, no acto de lançamento da campanha, que decorreu na Marginal, é preciso que todos se dignem participar desta importante empreitada, que nos vai enobrecer a todos.

A arborização, na verdade, atendendo ao estado em que se encontram numerosos espaços públicos, ao facto de inúmeras áreas outrora arborizadas encontrarem-se hoje desprovidas do cenário paisagístico anterior e às necessidades resultantes da contenção indispensável dos efeitos das alterações climáticas, devia fazer parte de uma estratégia nacional.

Sabemos todos o quanto largas zonas florestais no interior de Angola que, por força da exploração desenfreada da madeira, acabaram por ficar completamente "tosquiadas", uma realidade que devia igualmente ser coberta ou envolvida nesta empreitada nobre dos escuteiros de toda a sociedade.

Se fazermos do processo de arborização uma prática normal e habitual para dar alguma sustentabilidade aos ecossistemas ameaçados, não há dúvidas de que estaremos a investir na manutenção da qualidade de vida humana e animal.

Na verdade, precisamos de fazer da arborização urbana  e eventualmente a rural também como parte fundamental da política pública do Estado, engajando as instituições, as comunidades, as famílias, as empresas e as pessoas.

Em todo o caso, vale enaltecer essa relevante iniciativa da AEA, através do projecto "Eu sou a vida", sobretudo como chamariz de diligências semelhantes que colocarão Angola na rota certa de arborização com impacto directo na sustentabilidade que todos auguramos, para o bem da continuidade da vida humana.

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