Opinião

O problema está no câmbio

Juliana Evangelista Ferraz |*

A economia mundial regista uma degradação das operações no campo das Finanças Internacionais, basta observar a instabilidade dos mercados e o pessimismo dos agentes económicos para dizer que é necessário repensar o sector financeiro mundial.

27/09/2022  Última atualização 09H39

No entanto, é importante referir que a questão geopolítica com a guerra na Ucrânia, em que se prevê a breve trecho a recessão da economia mundial, com a valorização do dólar, aumento da inflação e das taxas de juros.

Recentemente foi divulgado o índice de preços do consumidor (CPI) dos Estados Unidos da América que colocou a economia internacional e os mercados globais em estado de choque, anunciando uma nova crise financeira da divida soberana. Os bancos centrais em todo mundo estão perante o maior desafio inflacionista dos últimos tempos, que exigirá certamente uma resposta robusta em termos de política monetária que enfrenta, igualmente o maior desafio desde a crise financeira de 2008.

Não era expectável pelos analistas que a inflação americana fosse escalar para níveis de 8,6 por cento representando o maior nível desde Dezembro de 1981, resultando numa pressão excessiva sobre as taxas de juros em todo o mundo, esperando-se um impacto significativo em todas as economias, particularmente a europeia, em que os países da periferia da Europa acabam de dar os primeiros sintomas de fragilidade com a elevação vertiginosa da dívida soberana.

Perante esta situação, o Banco Central Europeu reuniu  de forma extraordinária sendo que o Comité de Política Monetária do Banco Central Europeu (IBC) resolveu elevar a taxa de juro para 25 pontos base, estando previsto para o mês de Setembro a elevação da referida taxa para 50 pontos base. Por outro lado, de forma a conter o ímpeto inflacionista na Europa, o IBC, suspendeu recentemente o processo de aquisição de activos financeiros, ou seja, a compra de dívida soberana oriunda de países da Europa, de forma a refrear o processo inflacionista. Portanto, implementar uma política monetária restritiva, eliminando as operações de flexibilização quantitativa (quantitative easing), em que o Banco Central compra títulos públicos e privados com o objectivo de aumentar a oferta de dinheiro na economia gerando o seu "aquecimento, facilitando aos agentes económicos, o acesso a empréstimos e financiamentos e estimular o consumo.

De realçar que o sector financeiro internacional reagiu com a subida das taxas juro de referência, tornando os custos de crédito mais caros quer no mercado interbancário quer para o cliente final, o que poderá abrandar o crescimento económico, uma vez que o sector empresarial irá esperar por melhores momentos para realizar grandes  projectos de investimentos. O Liberalismo Económico e Financeiro de per si resulta em graves danos a economia mundial, sendo as famílias e as empresas a parte mais penalizada vendo ruir os seus projectos e expectativas. .

A interdependência das economias é tão forte que a mínima alteração de conjuntura reflecte-se sobremaneira na cadeia global, causando o pânico dos agentes económicos.  Portanto, a potencial recessão está na base o abrandamento do crescimento da economia que poderá impactar nas taxas de desemprego, prevendo-se que este risco de mercado poderá reforçar o número de desempregados com maior incidência nos países desenvolvidos. A aceleração do desemprego é um dos efeitos negativos que persiste perante um estado de crise financeira, sendo hoje um problema fulcral nas economias ocidentais, porque mesmo estando a crescer, a taxa de criação de emprego não acompanha a retoma. È preciso mudar este rumo e reduzir a expressão do desemprego nas economias, tarefa hoje de que não só se ocupa a gestão política, com a preocupação do controlo dos défices e implementação de políticas de fomento económico, como as organizações privadas com ou sem fins lucrativos, académicas e investigadores.

A instabilidade dos mercados pode afectar também os índices de confiança da comunidade empresarial o que de certa forma corrói os índices de incerteza principalmente na Europa e Estados Unidos da América. Por outro lado, podemos mesmo verificar nas economias em desenvolvimento um aspecto preocupante que é o declínio das exportações, induzido por dois factores o primeiro a redução significativa dos preços das matérias-primas, e a desaceleração da importação de produtos e serviços provenientes destas zonas, muito influenciada pela queda do consumo dos países exportadores, que de certa forma agrava, a baixa confiança dos consumidores e investidores. O grande desafio para as economias mais avançadas é que devem continuar a trabalhar para preservar a estabilidade das suas moedas, as economias emergentes precisam de moedas que evoluam em função dos mercados, evitar acções que perpetuem desequilíbrios e dêem a alguns países vantagens sobre os outros.

 

* Economista

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