Opinião

O papel dos mangais

Celebra-se hoje, em todo o planeta, o Dia Mundial para a Conservação do Ecossistema de Mangal, um conjunto de vegetação que se encontra, desde há algum tempo, sob o enorme risco de destruição devido às actividades humanas, um pouco por todo o lado.

25/07/2021  Última atualização 20H19
Segundo algumas fontes que, por sua vez, atribuem à UNESCO, "estima-se que a cobertura do mangal a nível mundial terá reduzido à metade nos últimos 40 anos em virtude do desenvolvimento costeiro e o impacto das mudanças climáticas”. Entendido como "ecossistemas naturais tropicais, compostos por espécies de plantas que toleram água salgada geralmente localizados em áreas costeiras”, os mangais são 10 vezes mais eficientes em absorver e armazenar grandes quantidades de carbono.

Diz-se ainda que funcionam como "amortecedores costeiros naturais” contra as tempestades e as calemas, bem como diminuem as probabilidades de inundações, ajudam a manter a qualidade da água e a sua claridade, filtrando poluentes e prendendo sedimentos provenientes da costa, entre outros fins naturais.

Comprometidos com esta realidade, ao lado da vasta zona costeira, Angola tem dado a cara em África e no mundo com as iniciativas para levar à mesa das discussões das organizações regionais e internacionais a protecção dos mangais. Em Março deste ano, a partir de Addis-Abeba (Etiópia), os  Estados membros da "Conferência sobre o reforço do compromisso Político para a melhoria e conservação dos mangais em África”, num vídeo encontro, de que fez parte o nosso país, exigiram a restauração de mangais.

O país, através de iniciativas "capitaneadas” pelo Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, compromete-se a rearborizar parte da faixa costeira do sul de Luanda com a invejável missão de plantar um milhão de espécies de mangais. Os desafios são monumentais e felizmente o Executivo Angolano conta com o contributo de entidades privadas, ligadas  ou não à defesa do ambiente, com as comunidades, famílias e pessoas singulares para esta empreitada.

Está provado que os mangais são essenciais para o combate às mudanças climáticas, numa altura em que paradoxalmente se encontram sob ameaça da acção humana em todo o mundo.
Num  dia como hoje, as reflexões e acções humanas deviam estar concentradas na preservação e valorização do papel que os mangais desempenham, sobretudo quando olhamos para a actual realidade ambiental mundial.

Saber que "os mangais são 10 vezes mais eficientes em absorver e armazenar grandes quantidades de carbono a longo termo em comparação com ecossistemas terrestres”, devia, eventualmente e quase que, levar à elevação destes ecossistemas como verdadeiros activos em matéria de segurança nacional dos Estados.

Hoje, olhando para as alterações climáticas em todo o mundo e a julgar por previsões sobre a alegada irreversibilidade com que estamos a chegar aos níveis de aquecimento, com todas as suas consequências imediatas e futuras, não há dúvidas de que devíamos levar mais a sério o papel dos mangais.

Acreditamos que seja esta a ideia e passos na direcção mais acertada, quando, em suma, está também em jogo a sobrevivência e sustentabilidade da vida na terra.

 
    

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