Opinião

O papel da agricultura

Acelerar a agricultura, a todos os níveis, com apoios expressivos à agricultura familiar, criando as condições para o agronegócio e as vias de escoamento são algumas das saídas que existem para assegurar que as famílias não passem fome.

26/06/2020  Última atualização 00:00

Essa estratégia, que consta dos planos do Executivo, traduzido no aumento da produção de cereais, com a injecção de massa monetária significativa, salvaguarda o país de várias implicações negativas provocadas pela actual conjuntura. É preciso trabalhar com aqueles que, individual ou colectivamente, já deram amostras claras de verdadeiros “players” na produção agrícola e piscatória, que careçam de incentivos e financiamentos.
Está em causa a necessidade de se amortecer os efeitos prejudiciais da presente conjuntura, marcada pela redução significativa da importação de bens agrícolas, que devem ser produzidos no país.
Definitivamente, a presente fase em que a pandemia está a limitar uma série de procedimentos, nem sempre consentâneos com o incentivo e defesa do papel que os nossos agricultores devem passar a jogar, cada vez mais, não há dúvidas de que as oportunidades para a produção nacional de bens devem ser agarradas. O produtor nacional, a todos os níveis, precisa de continuar a fazer prova das suas capacidades para que as instituições do Estado o encare como parceiro inseparável na luta pela defesa da produção nacional.
Um dos segmentos em que o Estado deve apostar muito, ainda relativamente ao aproveitamento das capacidades nacionais para o aumento da produção agrícola, passa por investimentos avultados nas fazendas ou espaços agrícolas que tenham como foco a produção de arroz.
Diz-se que Angola gasta mensalmente 26 milhões de dólares para a importação de arroz, numa altura em que as capacidades de produção e de armazenagem do referido produto em algumas províncias ascendem a milhares de toneladas. Podem não servir ainda para as necessidades alimentares, mas não há dúvidas de que não se pode prescindir de tais quantidades, provas mais do que evidentes da capacidade produtiva do país, que precisam de ser estimuladas.
A redução de importação de bens, hoje, obviamente ligada à conjuntura actual em todo o mundo, é sempre uma oportunidade para que as soluções endógenas sejam potenciadas, inclusive no quadro dos esforços para garantir a segurança alimentar.
Esperamos que as somas que estão a ser, agora, planificadas para serem aplicadas no sector agrícola com o fim de aumentar a produtividade, que vão beneficiar mais de dois milhões de famílias, sirvam para os propósitos que envolvam o combate à fome, ao desemprego e à pobreza.
Na verdade, no quadro das apostas para mitigar os efeitos da Covid-19 devem constar estratégias que passem pela agricultura e, em toda a cadeia, tudo quanto facilite o papel que a referida actividade deve jogar na economia nacional. Há, por isso, todas as razões para acelerar a agricultura porque, como é fácil de dar conta, agora tudo, em termos económicos, começa ou passa necessariamente pela agricultura.

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