Opinião

O pagamento dos atrasados da dívida pública e as empresas

Muitas empresas no país forneceram ao longo de vários anos bens e prestaram serviços variados ao Estado, sendo, em casos diversos, avultados os valores desses bens e serviços.

02/03/2020  Última atualização 09H02


Nem sempre entretanto o Estado pôde, por diversas razões, honrar os seus compromissos com as empresas com as quais contratou, o que resultou na redução da capacidade produtiva de muitas unidades produtivas, que precisavam de recursos financeiros para poderem fazer face a despesas de vária ordem.
Afectadas por problemas de tesouraria, várias empresas tiveram mesmo de paralisar a sua actividade ou reduzir postos de trabalho, com reflexos negativos para muitas famílias.
Costuma-se a dizer que o Estado endivida-se e paga sempre, mas nem sempre paga dentro de prazos razoáveis, que evitem uma diminuição da actividade produtiva por parte das empresas credoras.
A decisão de se pagar até este mês os atrasados da dívida pública acumulados de 2013 a 2017 e registados no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado abre perspectivas de muitas empresas que operam no país poderem vir a retomar a sua actividade produtiva ou a aumentar o seu volume de negócios. É bom para a economia que as dívidas do Estado sejam pagas às empresas, que são geradoras de emprego, numa altura em que se pretende reduzir a taxa de desemprego, por via da absorção de mão-de-obra por parte de unidades de produção privadas.
Não há dúvida de que o pagamento dos atrasados da dívida pública pode contribuir para que o sector produtivo privado ganhe novo dinamismo. São as empresas privadas que, na generalidade, devem assegurar que haja cada vez mais postos de trabalho, até porque o Estado não tem nos tempos que correm recursos para dar empregos em todos os sectores da vida nacional.
É uma boa notícia o facto de, no quadro do pagamento dos atrasados da dívida pública, se privilegiar as pequenas e médias empresas, com vista a garantir o funcionamento destas unidades produtivas , preservando-se assim empregos e contribuindo-se para o crescimento económico.
Que haja capacidade de se ultrapassarem as eventuais dificuldades que possam surgir no processo de pagamento dos atrasados, devendo haver sempre disponibilidade para a negociação, no interesse do país.
Vivemos tempos difíceis, em que avulta a elevada taxa de desemprego, pelo que é hora de avançarmos para soluções que resolvam rapidamente os problemas e não os adiem mais.
A regularização dos atrasados é incontornável, se tivermos em conta que as empresas devem ser o motor do crescimento da economia. Sem crescimento económico não se consegue a redução da pobreza e uma boa qualidade de vida.

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