Reportagem

O nascimento, o casamento e a morte na etnia Mukubal

João Upale | Moçâmedes

Jornalista

Antes de tudo, como contou à reportagem do Jornal de Angola, num passado recente o já finado soba grande do Namibe, José Bunhy, as partes devem comunicar a intenção de se casar às famílias materna e paterna. Para que esta intenção venha a se concretizar, o pretendente tem de possuir, no mínimo, três cabeças de gado bovino e uma de ovino.

09/10/2022  Última atualização 06H00
© Fotografia por: João Upale | Edições Novembro | Namibe

As duas primeiras, designadas "onthuinya” ou "oyo nthuinya” e "namatuka”, são entregues ao pai da noiva. Onthuinya, um boi adulto, é para o consumo do pai e simboliza todo o empenho do progenitor para criar e educar a moça. A segunda (namatuka), um bezerro, serve para, depois de vendida, custear o alpendre da jovem que vai casar. O terceiro animal, "yokowina”, é entregue à família materna da noiva.

O então líder da autoridade tradicional aclarou, que "só assim o noivo é reconhecido pela família da mulher com quem vai se casar”. Sem o cumprimento desses pressupostos, os filhos do matrimónio não são reconhecidos pelos familiares da noiva, assinalou. "É obrigatório o cumprimento de todo esse ritual para que o futuro casal possa ter harmonia no lar e os seus filhos sejam reconhecidos pela família da noiva. É a (nossa) tradição e ela deve ser seguida à risca”, salientou José Bunhy.

Já o seu sucessor, o actual soba grande do município sede de Moçâmedes, Bakulakô Tumanissa, também da etnia Mukubal mas originário da localidade da Makala Kapunda Matenda, periferia desta mesma cidade, ressalva que além de três animais, regra geral, são eventualmente acrescidos mais dois. Tudo porque tendo a moça o pai ainda vivo, o pretendente deve dar quatro cabeças de gado bovino, dos quais dois machos e um garoto para o progenitor, e o quarto para a família da mãe da noiva.

Adiciona-se o quinto animal, o carneiro, para a festança por parte do noivo, na altura da busca da sua mulher para casa. Estando a moça órfã de pai, cabe ao seu parceiro dar somente três cabeças. Isto só acontece no primeiro matrimónio da vida dos nubentes, explanou o soba, revelando que na eventualidade de haver demora na entrega dos animais, é concedida uma tolerância de apenas um mês. E sem a entrega dos animais,os filhos gerados desta relação, embora sustentados pelo pai, na verdade ainda não lhe pertencem. "Deve o moço desenrascar-se até conseguir”.

A autoridade tradicional afirmou peremptoriamente que na sua tradição, o mukubal casa-se com 15 ou 16 anos, no caso da moça, e o homem com 20 ou 21. "Até mesmo a menina pode ser pretendida com dez anos de idade e o homem com 20 ou 21.  Esta tradição continua até aos dias que correm e isto não pára. É mesmo dos Mukubal”, desafiou.

Quanto ao pedido de noivado, o pai do cavalheiro é quem se encarrega da tarefa de ir ter com a família da noiva dizendo que tem um filho que está à falta de uma dama. "Nós não casamos à toa, não. Tem a pessoa certa a quem você se dirige para poder fazer o pedido para o seu filho. Mesmo sem o seu consentimento para com a futura esposa, ele deve obedecer, pois é ordem dos ancestrais e o jovem deve cumprir a ordenança do pai, porque é a ele que cabe conhecer a família real com quem deve fazer pacto. Isto ocorre até aos dias de hoje”, sublinhou o soba grande, embora reconheça haver, em pleno século XXI, rapaziada "intrusa”, contagiada pelos ventos da globalização,  que tem vindo a violar amiúde os preceitos deixados pelos antepassados.

 

Ukoi versus herança

Se porventura alguém for encontrado com a mulher alheia (adultério), o prevaricador deve indemnizar o marido verdadeiro, ou seja, o esposo, pagando a multa (tradução de ukoi, na língua nativa kuvale) por abuso de confiança. Esta pena consiste  no pagamento de até três cabeças de gado bovino ao legítimo esposo. E nos casos em que um homem vigariza a mulher alheia com o fito de ficar com ela, a multa é paga à parte, sendo permitido ao legítimo esposo cobrar ao vigarista 15, 16 ou 20 cabeças de gado, porque ele vai ceder a sua "amada esposa”, em função da desonra sofrida, contou o soba Bakulakô Tumanissa.

A obrigatoriedade de dar a quantidade de gado exigida é incontestável. "Deve sim, de qualquer forma, o prevaricador desenrascar a coisa para a coima aplicada, a fim de pôr termo à humilhante provocação”, salientou Bakulakô Tumanissa, "já que os açoites estão proibidos”. A autoridade tradicional acrescentou que não é obrigatório o marido ceder a sua mulher por causa de adultério, desde que o adúltero  cumpra com a indemnização para pôr termo ao conflito.

O soba Tumanissa contou à reportagem do Jornal de Angola, que, por casualidade, havendo a morte do progenitor e por sinal o grande criador de gado, considerado a mais alta  riqueza na etnia Mukubal, no regime consuetudinário, a herança fica mais para os sobrinhos, considerados a família directa, embora se admita que outros bens deixados pelo pai sejam repartidos pelos filhos. "Tudo o resto é entregue à família, que são os sobrinhos. É um sobrinho que vai tomar conta dos teus filhos e não pode ficar sem nada”, vincou o soba grande,  para depois esclarecer que os órfãos são controlados, ou seja, ficam à guarda do titular herdeiro do falecido pai e nunca dos parentes da mãe. O soba lembrou que  antigamente a viúva ficava mais de um ano na família do ex-marido sob custódia do herdeiro, usufruindo de parte dos bens deixados pelo falecido e só depois disso era entregue à sua própria família.    

 

Ritual fúnebre  

"Sem o gado bovino, o óbito não tem como se realizar”, comentou o soba Bakulakô Tumanissa, revelando que nessas ocasiões são comummente sacrificados 10, 15, 30 ou mais bovinos, preferencialmente os machos.  A quantidade de animais a sacrificar depende da grandeza da criação deixada pelo falecido. "Já presenciei um caso em que foram abatidas 50 cabeças”.

O soba grande disse que não existe um mukubal sequer sem uma cabeça de gado bovino. "O mukubal, a todo o transe, tem de possuir gado. E quem pensa que com a morte de todos aqueles bois ,há abundância de carne para engordar a cozinha, está enganado. Os bovinos abatidos são atirados para os cães, como pressuposto do cumprimento da lei ancestral”.

E se não se cumprir com esta tradição, todos os animais acabam por morrer, explicou a autoridade tradicional, acrescentando que ao varrer das cinzas, no dia da sentada familiar, é abatido um só carneiro, para terminar com o óbito. Nessa altura, também é sacrificado um boi para as pessoas comerem. As vacas servem somente para procriação, à excepção da vaca adulta, já cansada, que pode servir para alimentação. Mas só podem ser abatidas duas, no máximo. 

No sepulcro de um mukubal que fora "abastado” há uma simbologia bastante curiosa. A nossa equipa de reportagem, autorizada pelo líder máximo da autoridade tradicional em Moçâmedes, deslocou-se a um cemitério onde pôde constatar o insólito: na campa estavam expostos, em forma de cruz,  crâneos com os chifres dos animais sacrificados para exaltação do morto, simbolizando que o homem enquanto vivo suou muito para conseguir reunir a sua riqueza em gado.

"Quando o criador morre, são mortos também alguns dos seus animais. Isto representa o suor do seu trabalho e a campa tem que estar bonita, para exibir e ostentar aos que não sabem trabalhar. Mostra ainda que ‘olha só o empresário que muito trabalhou para alardear esta tanta riqueza’”.

E morrendo alguém da mesma comunidade, mas que não seja mukubal, é sepultado num outro lugar, contou o soba Tumanissa, revelando que "nem todos os que por aí deambulam são da etnia mukubal, apesar de terem a aproximação quanto ao uso, são diferenciados nas práticas costumeiras”.


Papel fulcral da mulher

Numa outra nota investigativa, o malogrado José Bunhy (vítima de acidente de viação), exímio conhecedor da cultura do povo mukubal, de que era originário, em vida contou que na sua zona de origem, enquanto guardiãs da família, as mulheres, no contexto tradicional, são as primeiras a levantar-se para extrair o leite das vacas antes do pasto, para dar de comer aos filhos e para cuidar das pequenas lavras. Com todas essas tarefas, são também as últimas a irem deitar-se.

Para uma dieta considerada saudável, é com o leite extraído das vacas que se produz o "mahinhy”, mistura de papa de milho com leite azedo, que é o principal alimento das famílias mukubais. José Bunhy referiu que a mulher desta etnia também pode ser proprietária de um sambu (curral de manada), considerado a riqueza da família. Mas o mesmo sambu deve estar sob a  tutela do marido, irmão ou filho.

De acordo com a tradição, explicou, a mulher deve limitar-se à criação de aves, nomeadamente, galinhas. Hoje em dia, a mulher mukubal também já se dedica à agricultura de subsistência, mas continua a desempenhar todas as actividades domésticas, enquanto o homem ocupa-se apenas da pastorícia. Acrescentou que a mulher mukubal é a pessoa que cuida dos demais desde pequenos até à idade adulta. "Ela é a nossa mãe e essa forma de ser é universal para qualquer mulher”, referiu então o soba José Bunhy.

 

O famoso óleo de mupeque

O dom do preparo do óleo de mupeque é outra virtude desta mulher. A venda deste óleo constitui uma fonte de rendimento das famílias. O produto é extraído de uma planta típica do Namibe. O uso do óleo de mupeque para tratamento do cabelo e da pele é cada vez maior nas grandes cidades angolanas, razão pela qual se tornou habitual ver mulheres mukubais a circularem pelas ruas dessas cidades em busca de clientes.

É mais uma forma que encontraram para aumentarem os rendimentos das famílias, de que são o principal alicerce. O "omulela woyo mpeke”, na língua kuvale, é um óleo extraído dos frutos de um arbusto, o mupeque. Todo o trabalho de extracção e tratamento do óleo é feito por mulheres adultas.

Elas recolhem os frutos, que, maduros, se parecem aos loengos tanto pela cor vermelha escura como pelo formato, e os amassam numa pedra para separar a casca e a polpa dos caroços, que, limpos, são levados ao fogo. O óleo extraído é coado e volta ao fogo para refinar, do que resulta um produto escuro com cheiro a queimado, que é utilizado para o tratamento do cabelo e, nalguns casos, da pele.

"Essa é a nossa única fonte de rendimento”, refere Maria Vitória. De 47 anos e mãe de quatro filhos, ela vive na sede comunal do Munhino, município da Bibala, e costuma ir a Luanda vender o óleo de mupeque.

Quando não dispõe de dinheiro para se deslocar até à capital do país, Maria Vitória vende o produto em Moçâmedes, onde a reportagem do Jornal de Angola a encontrou. Com o filho mais novo às costas, protegido por uma pele de animal, que serve também de manto, ela percorre as principais ruas da cidade com o cesto à cabeça.

Além  do  óleo de mupeque,vende raízes de plantas consideradas medicinais, maungo (larva comestível, conhecida por catato noutras regiões do país), almofarizes e peças de artesanato local, como talheres de madeira, azagaias com as suas flechas e outros artigos, muitos dos quais produzidos pelos homens da mesma etnia.

"Eu mesma produzo o óleo de mupeque e vendo em Luanda ou mesmo aqui no Namibe. Com isto vivo e compro os cadernos, livros, batas e outros artigos para os filhos que agora estão a estudar”, disse Maria Vitória. Com os lucros, ela consegue ainda comprar produtos de primeira necessidade e custear as passagens de ida e volta do Namibe para Luanda.

Os preços dos frascos de óleo de mupeque dependem destes e variam em função do nível da procura. Uma garrafa de 75 centilitros custa, em média, 1.500,00 kwanzas, a de 50 centilitros mil kwanzas e a de 30 é vendida a 500,00. Além do tratamento do cabelo, o óleo de mupeque tem muitas outras aplicações nos costumes dos mukubais. É usado para lubrificar os adornos, em massagens, na unção da pele e até em rituais fúnebres.

Anita Nana, 44 anos, diz ser cliente assídua de Maria Vitória e realça a importância do óleo de mupeque para o tratamento do cabelo. "Sempre usei o óleo de mupeque por manter o cabelo mais fino e a pele lisa”, referiu. Ela acrescenta que muitas mulheres preferem o óleo de mupeque aos produtos de beleza feitos em laboratórios de qualidade duvidosa.

Devido à grande procura nas cidades grandes, começam a registar-se casos de adulteração do produto. Mulheres que se fazem passar por mukubais acrescentam óleo vegetal e perfume barato ao verdadeiro óleo de mupeque.

 

Beleza feminina

É muito comum enxergar nas mulheres mukubais adornos feitos com argolas de bronze enroladas nos braços e/ou nas pernas, exibindo a beleza feminina adicional à natural, e acasalando com missangas coloridas à volta do pescoço. O seu charme é redobrado pelo corpo que expõe os sagrados seios naturais.

"As pulseiras são para dar mais beleza a esta mulher, para ficar mais bonita”, elogiou o soba Tumanissa, para quem o uso deste acessório é herança do colono português, de quem compravam. Contou que a matéria prima para o fabrico das pulseiras nos últimos anos é fundida na região da Bibala, pelas mãos, maioritariamente de homens da mesma etnia. "Mais do que isso ,o uso destas argolas por mulheres mukubais não tem outro significado”, reforçou o soba.


ANTROPÓLOGO GASPAR MADEIRA
"O culto ao boi é que manda na vida do kuvale”

O antropólogo e sociólogo Gaspar Madeira assinala que no grupo Kuvale, como em todos os outros, tinha que haver algo para controlar o casamento, o nascimento e a criação dos filhos até serem adultos. "Claro que no grupo Kuvale, dentro da sua cultura, o mais importante é o boi. É ele que manda efectivamente, o culto a ele é que manda na vida do kuvale”, reparou.

O sociólogo foi mais assertivo ao referir que, havendo uma possível ligação entre o rapaz dum grupo e uma rapariga doutro, tem que haver um acordo entre as famílias, "daí penso eu que terá que haver uma contrapartida para o grupo da rapariga que tira uma mulher do seu seio e a entrega ao rapaz que pertence ao outro grupo”. Para o académico "é isso que efectivamente controla, regula e ordena o bom posicionamento dos grupos. E terá que ser sempre assim”.

Juntando o útil ao agradável, a fonte dá ênfase aos ditos das duas primeiras figuras "proeminentes” da oralidade africana locais, os sobas, e faz saber que na tradição Kuvale antes de a mulher viver com o homem, a família deste tem que entregar o alambamento (dote), convertido em quatro cabeças de gado, cada uma com o seu significado. São animais diferenciados entre bois castrados e touros, mas todos são para a mãe da noiva. Depois dessa entrega,ela vai para a casa do rapaz, onde primeiramente passa uma ou várias noites, mas ambos não se tocam e também ninguém fala para o outro. "Deve ser um sacrifício grande”, (risos). Depois disso, o casamento (uhô lúkupu, na língua nativa) é consumado com a legalidade do acto sexual.

Outro facto curioso contado por Gaspar Madeira é o casal não se falar em público até chegar o primeiro filho. "Ela não conversa com  o marido e este não pode pronunciar o nome da esposa até ela gerar o primeiro filho”. E tem mais: a mulher só pode pronunciar o nome do marido, dos cunhados e das cunhadas, depois de ele morrer. Em vida  chama o marido por um outro apelido. "São regras de costume, que temos que respeitar”, assinalou.

Casamentos referenciais

Gaspar Madeira adiantou que entre os mukubais existe a  preferência de se casar com o filho da irmã da mãe ou com a filha da irmã do pai. "Quer dizer, são casamentos preferenciais. E quando se pergunta o porquê, eles dizem que é para não espalhar o gado.  O gado ‘tem que ficar onde a gente sabe que ele está’, segundo dizem”.

"Portanto, em traços muito largos, é assim que os kuvale praticam, vivem a sua vida e que hão-de viver ainda por algum tempo. E devemos ter todo o respeito por isso, é no respeito que as coisas podem evoluir. Quando não respeitamos alguém, não há possibilidade de contacto”, argumentou o sociólogo.

O conhecimento que o sociólogo e antropólogo Gaspar Madeira tem dos povos mukubal, e não só, está alicerçado em pesquisas de campo e em fontes escritas de especialistas, que ele considera verdadeiros mestres, como são os casos do padre e etnógrafo Carlos Estermann, que dedicou a sua vida ao estudo dos povos do Sul de Angola, além da sua função religiosa, e do antropólogo Ruy Duarte de Carvalho, que tendo vindo para Moçâmedes quando tinha dez anos, integrou-se muito bem na vida dos autóctones, o que foi facilitado pelo facto de o seu pai trabalhar numa fazenda de criação de gado. Acompanhando o pai nas suas visitas às comunidades, Ruy Duarte de Carvalho conheceu mukubais da sua idade e tornou-se amigo de vários deles. Mais tarde, quando regressou já com mais de 30 anos de idade, foi recebido aos abraços por muitos mukubais que o conheciam desde criança e o consideravam seu compadre.  Outro pesquisador referenciado porGaspar Madeira é Samuel Aço, também já falecido. 

Gaspar Madeira afirma que a etnia mukubal é um subgrupo do grupo herero, que emigrou dos Grandes Lagos para o actual território de Angola entre os séculos XV e XVI, calcorreando o território da actual Namíbia. No interior do nosso país encontraram um ecossistema que lhes permitia fazer a criação de animais, destacando-se o gado bovino. "E aqui ficaram até à independência nacional, que ajudaram a conquistar”.

"Não podemos fazer uma história social e cultural desse espaço de Angola esquecendo os Kuvale. Quem vem aqui para liderar política e economicamente, e tudo mais, tem que saber o que é o grupo Kuvale e sua estrutura populacional, tendo em conta os outros grupos e a sua história dentro desta província”, sublinhou o sociólogo e antropólogo, para quem este conhecimento "evitaria a repetição de asneiras feitas pelo colono português, quando cortou as rotas de transumância por onde eles levavam o gado,  metendo arame farpado e constituindo fazendas e fazendas,  cortando deste modo os circuitos todos da maneira de  eles tratarem o gado”.  

O estudioso garantiu serem os mukubais uma etnia "importante, muito orgulhosa, com muito valor e que nós temos que respeitar”. Repudiou "veementemente” o comportamento indecoroso de algumas figuras públicas que passaram pelo Namibe e chamaram aos mukubais "uns nomes muito desagradáveis”.   

Gaspar Madeira reafirmou o quão grandiosa é a descendência Mukubal, cujas gerações mais novas já têm contingentes de quadros qualificados "de se lhes tirar o chapéu”.

"Agora temos mukubais que são licenciados em Direito, outros são veterinários, outros ainda são comerciantes e alguns militares. É a evolução, digamos a ‘modernização’ do andamento do grupo Kuvale, que no entanto mantém as suas tradições e sua estrutura de funcionamento, devido à relação com aquilo que aprenderam dos seus pais, avós, bisavós, etc., etc.”, frisou.

O antropólogo alistou algumas situações críticas que historicamente abalaram a etnia mukubal: a guerra de Cocombola, a perseguição aos Kuvale,  bem como a fase em que foram deportados para São Tomé e Príncipe, mas depois "reagruparam-se, refizeram o seu gado todo e tornaram-se outra vez uma etnia válida, importante e orgulhosa, que todos devemos respeitar”.

Hildeberto Gaspar Madeira assinalou que todas essas situações foram descritas em pormenor por Ruy Duarte de Carvalho e também pelo Padre Carlos Estermann.

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