Opinião

O MPLA e os desafios de inclusão e desenvolvimento

O MPLA vai para o seu próximo Congresso, nos dias 9 e 10 de Dezembro, com enormes desafios, sendo, alguns deles, temas de debates em cafés, escolas, universidades e festas de família, por, na visão de conservadores, constituírem uma ousadia sem precedente dos seus proponentes. Tal é o caso da paridade do género e da injecção de mais jovens nos órgãos intermédios e central do partido.

05/12/2021  Última atualização 09H29
Aliás, este tema nunca foi consensual ao longo da História, embora o tempo viesse a dar razão a quem apostasse na juventude e na emancipação da mulher, mas sempre numa desconstrução do sistema, onde a confluência de valores (de novo para o velho e vice-versa) deve ser uma constante.

O rejuvenescimento e a paridade nos órgãos do Partido que o VIII Congresso Ordinário do MPLA se propõe implementar, não só é uma estratégia que visa tornar o partido governante numa força política mais dinâmica e vigorosa face aos desafios político-eleitorais, como também se trata de uma decisão que concorre para uma representação justa da composição demográfica da população angolana - 65 por cento estão entre os zero e 24 anos de idade, 50 por cento dos 15 aos 64 anos (idade economicamente activa) e apenas dois por cento são idosos (acima dos 65 anos).


Em relação ao género, a população angolana é constituída maioritariamente por mulheres (52 por cento). É claro que esses números não dizem tudo. Precisa ter-se em conta outros indicadores, como saúde, formação e índice de desistência escolar. Não há dúvidas que o gráfico, em relação ao número de senhoras com formação qualificada, tem sido ascendente, nos últimos anos. Já lá vão os tempos em que a governação era um privilégio exclusivo de homens. Hoje, a mulher ombreia com o homem, não só nos benefícios sociais, mas também na assumpção das responsabilidades para com a Pátria.

Esta equação, que consiste na representação proporcional dos jovens e da mulher, confere dinamismo e progresso dos partidos políticos, organizações que têm como fim a conquista, o exercício e a manutenção do poder, sempre numa perspectiva de socialização política e de conservação da ideologia, sem perder de vista as contingências da contemporaneidade.

Implantado no espaço e no tempo, sobrevivendo ao desaparecimento dos seus fundadores, aos partidos políticos impõe-se a visão de águia, ajustando-se ao contexto e a uma nova narrativa de sociabilização, metas só alcançáveis com a aposta na juventude.

O MPLA defende, por isso, um modelo de desenvolvimento sustentável de Angola assente na inclusão, quer nos direitos políticos, quer nas oportunidades económicas, quer ainda no aprofundamento da cidadania participativa.
Determinado a combater a corrupção, o nepotismo, a impunidade e outros males que enfermam a sociedade angolana, o partido MPLA aposta nas "armas” que possui para vencer essa luta, que, reconheça-se, é de uma grande complexidade. E essas armas são os seus militantes, os angolanos, velhos, jovens e senhoras de diversas gerações, comprometidos com o desenvolvimento de Angola. 


A decisão do rejuvenescimento e da paridade, tomada durante o VII Congresso Extraordinário do MPLA, realizado em 2019, e que apostou seriamente na promoção da mulher e dos jovens, não é uma conversa meramente eleitoralista. Tem fundamentos estatutários e científicos, a julgar pela composição sociodemográfica dos angolanos - População jovem e maioritariamente feminina.

A proposta foi acolhida favorável e consensualmente por significativa maioria dos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA, convictos de que, só com uma representação proporcional das variáveis sociodemográficas, seria possível a promoção de desenvolvimento integral e a manutenção do partido na posição dianteira dos destinos do país.
Assim, na sequência das decisões do VII Congresso do MPLA, 61 por cento dos membros eleitos para o Comité Central, principal órgão de decisão do Partido, são jovens, a quem o Partido deposita grande esperança e confiança, dado o seu potencial e energia contagiante.

Aliás, se, em 1956, o partido foi uma criação de jovens decididos a conquistar a soberania do país, ao longo dos anos a organização juvenil foi o viveiro de militantes, quadros e dirigentes de destaque do Partido, fiel intérprete dos anseios e aspirações da juventude angolana, cuja missão radica da necessidade de contribuir na educação dos jovens angolanos dentro dos princípios da ética, da moral, do amor ao estudo e ao trabalho, do patriotismo.

Essa injecção de sangue novo (35 por cento de jovens com idade que vai até aos 35 anos), no VIII Congresso, é uma demonstração clara da aposta nos jovens, de quem se espera uma postura e forma de estar e de ser que contribuam para uma Angola mais desenvolvida, democrática e inclusiva.

Como reconheceu o Presidente João Lourenço, no discurso de abertura do VIII Congresso Ordinário da JMPLA, "A força de uma Nação reside na força da sua juventude, daquilo que ela for capaz de fazer, de realizar de nobre, de épico e de patriótico em prol da Nação”.

Alberto Cafussa*
 
*Alberto Cafussa é politólogo e membro do Comité Central do MPLA

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