Opinião

O “meu” candidato José Maria Neves

Adebayo Vunge

Jornalista

Em Cabo Verde, no próximo dia 17 de Outubro, acontecem as eleições presidenciais para as quais concorrem sete candidatos – José Maria Neves, Casimiro Pina, Fernando Delgado, Hélio Sanches, Gilson Alves, Carlos Veiga e Joaquim Monteiro. Essa semana, será pois agitada do ponto de vista da campanha.

11/10/2021  Última atualização 09H30
Embora não seja eleitor cabo-verdiano, parece-me, entretanto, cada vez mais claro que estas eleições têm um vencedor antecipado. Trata-se do experiente político José Maria Neves, um eminente panafricanista e uma boa referência de governação para o desenvolvimento. Tirou Cabo Verde da visão de pequeno Estado insular e periférico colocando-o como uma referência aos olhos do mundo.

Sem dúvidas, os quinze anos em que esteve à frente do Governo de Cabo Verde foi o período dourado do crescimento e das transformações sociais, políticas e económicas no arquipélago lusófono.


Em primeiro lugar, corresponde ao período de consolidação da democracia pluralista, do Estado Democrático e de Direito e da boa-governação como a sua chancela. José Maria Neves, é justo reconhecer, deixou um legado enorme e tem as condições políticas para ser eleito Presidente de Cabo Verde no que ele próprio considera estar assente em princípios como o da cidadania, no sentido em que poderá agir como um Presidente presente, actuante, capaz de procurar os consensos.

Cabo Verde tem um Sistema Político -Constitucional diferente do nosso. É um regime semi-presidencialista com pendor parlamentar como ocorre em Portugal. E, portanto, sob este ponto de vista, o Presidente não dispõe de poderes governativos, funcionando, por isso, como um garante da estabilidade, como árbitro entre os diferentes poderes, especialmente entre o Governo e a oposição.

Com a experiência que carrega, José Maria Neves está em condições de mobilizar a cidadania cabo-verdiana em prol de questões cruciais como é o combate à pobreza e às desigualdades, promovendo uma descentralização mais efectiva, que dê mais poder às diferentes ilhas.

Cabo Verde, como a maioria dos países insulares, enfrentou neste período de pandemia, as maiores dificuldades uma vez o que o turismo é o sector mais afectado e a principal vítima da pandemia. Uma situação dessas, como é óbvio, afectou a geração de receitas e acentuou o fenómeno da pobreza, até ali onde já se notavam avanços.

Um dos quais, no domínio da saúde. O arquipélago é um dos poucos países de África livre da malária, doença endémica em vários países, inclusive também em Angola. Felizmente, na última semana, a Organização Mundial da Saúde acabou por reconhecer a vacina "Mosquirix”, o que não significa que devamos baixar a guarda, bem pelo contrário. Devemos agora avançar igualmente no sentido da vacinação por forma a reduzirmos o número preocupante de mortes no nosso continente.

A mobilização da diáspora cabo-verdiana, em Angola e noutras partes do mundo, poderá ser importante no sentido de uma maior participação seja no voto, seja na vida das ilhas. José Maria Neves subscreve uma reforma constitucional que permita aumentar a participação política da diáspora, permitindo inclusive que esta possa concorrer nestes sufrágios, para além doutros aspectos.

Antes disso, porém, temos para nós que continua movido com um profundo compromisso e dever de servir. Não é a política por si mesmo. É mais profundo. É um sentido pragmático de servir, um sentido de cidadania, com resultados palpáveis. É a política no sentido das escolhas e da resolução de problemas. José Maria Neves é por isso uma escolha certa, num contexto difícil, no sentido de apoiar a resolução dos problemas que afligem hoje os cabo-verdianos. Por isso lhe vemos numa campanha alegre, elevada, com um discurso muito focado em ideias e propostas de caminhos, longe de insultos, com a dignidade de um futuro Presidente.

Ao contrário do que ele próprio uma vez apregoou e disso hoje tirou lições – é assim com os homens de elevação e profundo sentido ético – que os cabo-verdianos saibam distribuir os ovos por vários cestos, elegendo-o.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião