Opinião

O melhor aliado do COP 27

A 27ª Conferência Anual das Partes da ONU (COP27), que junta perto de 200 representantes de Estados e Governos, inicia hoje na estância balnear de Sharm El-Sheikh, no Egipto, e vai até ao dia 18 de Novembro, com o sugestivo tema “Implementação”.

07/11/2022  Última atualização 06H10

Numa altura em que, associadas às alterações climáticas emergem crises de alimentos, energia, saúde e dívida dos países em vias de desenvolvimento, Sharm El-Sheikh representa uma necessidade e oportunidade como nunca antes para galvanizar as acções imediatas e locais nos países que mais precisam.

Um pouco por todo o mundo, está em jogo a criação de mecanismos para acelerar a adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

Espera-se que os países que resistem a admitir os contornos inegáveis das alterações climáticas, que rejeitam moldar-se aos esforços globais, colocando na frente os interesses económicos e as individualidades tidas como negacionistas do aquecimento global, se convençam da realidade que a humanidade enfrenta.

Já não é tempo para tergiversações porque contrariamente ao dia de ontem, quando a perspectiva de se juntar aos esforços para contrariar o aquecimento global podia ser adiada, com as mais variadas desculpas, algumas baseadas na reduzida evidência dos factos, hoje, a realidade é tangível, o compromisso é inadiável e as decisões deviam ser há muito tomadas.

Angola junta-se aos esforços globais e como parte dos países que, de acordo com as evidências, menos polui, porém mais tende a sofrer os efeitos nefastos, pretende agregar a sua voz ao dos Estados que defendem a necessidade de tomada de medidas urgentes.

Diz-se que, no Egipto, se encontra sobre a mesa o financiamento dos países desenvolvidos aos Estados em vias de desenvolvimento, mas sobretudo daqueles que mais virão a sofrer com as alterações climáticas em todo o mundo, particularmente em África.

Depois do fracasso dos 100 mil milhões de dólares que previam desde a última conferência, até o ano de 2020, agora diz-se que a previsão anda à volta dos 25 mil milhões de dólares para ser desembolsados até 2025, como parte da ajuda que as nações mais vulneráveis deverão receber.

Tal como numerosas vozes têm defendido e com toda a razão, mais do que os financiamentos que são projectados em várias cimeiras como ponto de partida para mitigar os efeitos perversos das alterações climáticas nos países e regiões mais vulneráveis, uma das prioridades devia ser a educação e mudança de mentalidade.

Não são os financiamentos, nem as ajudas materiais, muito menos o alívio da dívida dos países em vias de desenvolvimento que inviabilizarão as queimadas, que irão reduzir as emissões de gases das fábricas e motores poluentes, apenas para mencionar estas realidades.

Mas se as atenções estiverem também viradas para a educação das comunidades e das pessoas, melhor preparadas estarão para tomar medidas que se impõem a nível local.

Numa altura em que a seca, as inundações, os efeitos nefastos das alterações e a capacidade de adaptação aos impactos das mudanças climáticas exigem muito engenho, informação e conhecimento, seguramente, a educação se afigura como melhor aliado do momento.

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