Cultura

O grande centro de atracção turística

César Esteves

Jornalista

Dados estatísticos medidos pelo Índice de Destino de Cidades Globais da MasterCard, divulgados em 2018, colocaram, neste ano, Paris como o segundo destino aéreo mais movimentado do mundo, com 19,10 milhões de visitantes, atrás apenas de Bangcoc (22,78 milhões), mas à frente de Londres (19,09 milhões). É impossível chegar a Paris e limitar-se a contemplar só uma das suas maravilhas turísticas. Normalmente, uma atrai sempre a outra.

06/06/2021  Última atualização 10H33
© Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro
À chegada a Paris, o cardápio turístico da cidade sugere como aperitivo o aeroporto internacional Charles de Gaulle. Trata-se de uma imponente e majestosa estrutura revestida de beleza em todas as suas partes. Localizada em Roissy-en-France, 23 km a nordeste de Paris, o aeroporto possui três terminais, sendo o primeiro o mais antigo. Charles de Gaulle é um grande centro de conexão para várias companhias aéreas internacionais. É o segundo maior da Europa e o sétimo do mundo, em termos de número de passageiros. O seu nome é uma homenagem a  Charles de Gaulle (1890-1970), general francês fundador da V República Francesa. Já na cidade de Paris, salta à vista a famosa Avenida de Champs Élysées (em português: Avenida dos Campos Elísios).


Se o adágio popular refere que ir a Roma sem ver o Papa é como se não se tivesse passado por lá, o mesmo pode dizer-se, também, de Paris. Ir a Paris sem passar pela Champs Élysées é como se não tivesse ido para lá. Também, dada a sua venustidade, é praticamente impossível chegar à capital francesa sem dar de cara com aquela avenida. É uma das mais famosas de Paris e considerada, também, uma das mais caras do mundo. Reúne uma variedade de lojas ao longo do seu percurso, com destaque para marcas de renome mundial, além de cafés e restaurantes, que atraem para o lugar milhares de turistas. De noite, "ela retira o véu” e mostra, na íntegra, a sua beldade. Mede 71 metros de largura e cerca de dois quilômetros de comprimento. Começa na Place de la Concorde (em português: Praça da Concórdia), bem ao lado do Museu do Louvre, e termina na praça Charles de Gaulle, uma espécie da nossa Praça da Independência, onde se encontra um outro monumento histórico bastante visitado: o Arco do Triunfo. Abrindo aqui um parêntese, dados históricos consultados localmente adiantam que o Arco do Triunfo foi construído a mando de Napoleão Bonaparte, para comemorar as suas vitórias militares.

O monumento tem gravado nas suas paredes os nomes de 128 batalhas e de 558 generais. Foi projectado pelo arquiteto francês Jean Chalgrin. Mede 50 metros de altura, 45 de largura e 22 de profundidade. Na sua base encontra-se o túmulo do soldado desconhecido, um dos locais mais visitados do monumento. A partir do seu topo, é possível vislumbrar a Avenida Champs Élysées na sua plenitude, bem como alguns pontos da própria cidade.


Voltando à Avenida Champs Élysées, chama atenção o facto de o seu tapete asfáltico ser feito com pedras e não de alcatrão. Relatos locais dizem tratar-se de um material mais resistente que o alcatrão.

À nossa chegada a Paris Champs Élysées encontrava-se praticamente imobilizada pela Covid-19. O fraco movimento de pessoas na avenida contrastava com o seu estado habitual, que passa por movimentar muita gente. Era possível contar aos dedos o número de pessoas que por aí circulavam. Com a excepção de algumas lojas, todas as outras encontravam-se encerradas. O silêncio instalado na zona só era desafiado pelo barulho provocado pelo roncar dos carros. Devido à pandemia da Covid-19, o país adoptou várias medidas de segurança, com destaque para o encerramento de muitos estabelecimentos comerciais. Esta medida havia afectado significativamente a Avenida Champs Élysées. A Avenida começou a regressar ao seu normal no dia 19 desse mês, altura em que o governo francês começou a desconfinar o país. Com isto, algumas instituições na Avenida Champs Élysées, nomeadamente museus, cinemas, teatros, academias de ginástica, áreas externas de cafés, restaurantes, shoppings, lojas de rua, muitas das quais encerradas desde o dia 30 de Outubro do ano passado, voltaram a abrir. Mas a inércia registada não o havia ofuscado.


A Avenida conservava o seu esplendor. As árvores perfiladas ao longo da sua extensão continuavam impecáveis, hasteando o verde da esperança. Inaugurada em 1670, reza a história que Champs Élysées começou a ser erguido em 1640, com a plantação de um vasto alinhamento de árvores que deram, mais tarde, lugar ao actual cenário. Por outro lado, consta que os primeiros projectos de construção de uma grande avenida em linha recta, que viria a ser o que é hoje Champs-Élysées, data de 1667,com as impressões digitais do arquitecto Le Nôtre. A avenida foi sendo prolongada ao longo do século XVIII. Actualmente, é o local dos grandes desfiles patrióticos franceses, como o de comemoração do armistício da Primeira Guerra Mundial. O seu nome - Campos Elísios (em português) - refere-se a paraíso na mitologia grega. Nos Campos Elísios, os homens virtuosos repousavam dignamente após a morte, rodeados por paisagens verdes e floridas, dançando e se divertindo noite e dia.


Em Janeiro de 2021, foi anunciado que a avenida vai ser alvo de uma grande transformação depois de 2024. O projecto vai estar a cargo do arquitecto Philippe Chiambaretta e da sua agência PCA-STREAM. A ideia passa por transformar Champs Élysées numa avenida "mais verde” e com um tráfego de veículos reduzido para metade, de modo a proporcionar aos pedestres mais espaços. A primeira fase do projecto vai focar-se na renovação da Praça da Concórdia, que terá de acontecer antes dos Jogos Olímpicos de 2024. A restante reforma só será concluída depois desse evento desportivo.


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