Opinião

O Estado somos todos

Editorial

O Estado, desde que se conhece, se concebe e se estrutura esse “ente westefaliano”, a ideia trinitária do mesmo, envolvendo o poder político, o espaço geográfico e o povo, leva-nos a resumir em palavras muito simples que encerram precisamente a ideia de Estado, a de que “somos todos”.

10/09/2021  Última atualização 06H55
De facto, todos fazemos parte do Estado e porque as pessoas são, na verdade, o bem mais precioso que as organizações  com aquela designação tiveram, têm e terão, precisamos todos de ganhar consciência de que o mencionado ente existe para a satisfação colectiva e individual de todos nós. Temos todos e cada um ao seu nível, com o papel que lhe cabe ali onde esteja, a obrigação de se empenhar para o sucesso dessa entidade, em vez do laissez-faire, laissez aller que, na maioria das vezes, caracteriza a atitude e acção de muitos no Estado.

Os bens criados, os equipamentos erguidos, as condições postas à disposição das populações, para o seu melhor usufruto, pertencem a todos. E aquilo que é de todos nós deve ser protegido, defendido e cuidado por todos nós, contrariamente à perspectiva de que são apenas os entes com poder de decisão que têm de zelar por tudo o que nos pertence.

Ontem, a Rádio Nacional de Angola, no espaço "Angola em Directo”, do Programa Manhã Informativa, vários especialistas analisaram os actos de vandalismo, destruição de bens públicos e outras práticas que põem em causa a convivência, a  ordem, a segurança e a tranquilidade públicas.

Intervieram no mesmo programa responsáveis em nome de várias  entidades, tais como do Serviço de Investigação Criminal (SIC), e ficou clara a ideia de que "o Estado está sob ataque” como alertou um dos participantes, com estes actos que verdadeiramente indiciam sabotagens.

Quando ouvimos que, aqui em Luanda e noutras províncias, os bens públicos, como os equipamentos das construções de habitações, de residências já erguidas, de escolas, centros hospitalares, os postes e cabos eléctricos, os esteios dos sinais verticais de trânsito, estão a ser retirados, não há dúvidas de que é o Estado que está sob ataque.

E, tal como indicou um dos intervenientes, os fenómenos como a fome, a pobreza e o desemprego não podem justificar a forma sem precedentes como os bens públicos estão a ser vandalizados, furtados ou roubados, atendendo que, muitas vezes, acabam simplesmente destruídos, deixando claramente a entender alguma agenda sustentada pela estratégia do "bota abaixo”.

Acreditamos que estamos em presença de acções concertadas na medida em que os bens ou parte dos bens públicos subtraídos de qualquer forma acabam em determinados segmentos onde são valorizados e transaccionados, razão pela qual as entidades competentes devem redobrar esforços e acções para inviabilizar a actual realidade.

O crime tende a organizar-se na proporção directa em que as acções que lhe sejam opostas se mostrem ineficazes ou inadequadas. Logo, e tal como tranquilizou um dos responsáveis do SIC, está-se a trabalhar e com resultados que indicam que as acções e estratégias implementadas estão a gerar os seus resultados.

Nesta senda em que o crime organizado, ao lado de acções individuais, algumas enquadradas eventualmente na tentativa de desacreditar as instituições do Estado, a governação e as suas realizações, procuram impor-se, é tempo de as entidades competentes reafirmarem, com actos preventivos e repressivos, a defesa do Estado.

E não são apenas os órgãos competentes, por exemplo os que zelam pela ordem, tranquilidade e segurança, que devem defender o Estado, mas cada um de nós ali onde se encontre, directa ou indirectamente ameaçado com estes ataques contra o Estado. Como se disse e partindo do princípio de que o Estado  "somos todos”, não faz sentido que nos calemos quando ouvimos, testemunhámos ou  tomámos conhecimento de actos contra este mesmo Estado. 

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