Entrevista

“O empreendedor nacional é resiliente”

Kílssia Ferreira

Jornalista

O Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) controla, desde 2012, um total de 26.914 empresas, empreendedores e cooperativas, sendo 21.236 micro, 2.906 pequenos e 2.772 médios negócios.

31/12/2021  Última atualização 09H20
O INAPEM é responsável pela ope­racionalização de políticas de fomento empresarial
 A informação foi avançada ao Jornal de Angola pela administradora para o Programa de Facilitação e Financiamento do INAPEM, Joffrana Xavier, durante uma entrevista, solicitada por este jornal no decurso da 36ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). Na entrevista, Joffrana Xavier, economista de formação, destacou que, "embora empreender em meio à crise gerada pela pandemia seja um desafio considerável, o empreendedor nacional é resiliente e continua a mostrar que, apesar das dificuldades, a criatividade e a desenvoltura andam em alta”. Criado em Agosto de 1992, o INAPEM apoia os empreendedores na profissionalização do seu negócio, contribuindo, assim, para o aumento da sua competitividade e da capacidade para gerar emprego e aceder a soluções de financiamento


O Executivo lançou, recentemente, o Programa de Reconversão da Economia Informal (PREI), para colocar na economia formal cerca de duas mil microempresas. O Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) está a participar no referido programa? Se estiver, pode dizer-nos qual é a missão específica que está a desempenhar?


Sim, o INAPEM desempenha um papel activo na materialização das metas plasmadas no PREI. Deste modo, com enfoque no processo de formalização da microactividade económica, o apoio prestado pelo INAPEM aos agentes independentes, micro e pequenas empresas, tem-se cingido na remoção dos constrangimentos inerentes à constituição empresarial e licenciamento da actividade económica.


Já é possível fazer um pré-balanço, referente a 2021, das actividades do INAPEM em todo o país?


Antes de mais, importa realçar que a crise sanitária causada pela Covid-19 trouxe consigo uma profunda recessão económica, que tem características globais e que afectou profundamente as actividades do INAPEM a nível nacional. No entanto, consideramos positivo o balanço do nosso desempenho, pois a crise acima referida permitiu-nos identificar oportunidades estratégicas, latentes nas adversidades, e valorizar, de forma sustentável, as potencialidades dos nossos recursos nas 18 províncias do país, permitindo, assim, continuar com o nosso compromisso de fomento ao desenvolvimento da actividade económica nacional.


O INAPEM, quando foi criado, desempenhou um papel expressivo, impulsionando e incentivando o surgimento de micro, pequenas e médias empresas em todo o país. Também é verdade que o instituto viveu um período de letargia. Que INAPEM temos hoje em dia?


Relevantes para a economia nacional sob diversos aspectos, as MPME’s (micro, pequenas e médias empresas) nacionais deparam-se com uma série de desafios para superar barreiras à elevação de seus níveis de competitividade. Deste modo, o INAPEM surge como um parceiro estratégico público, responsável pela ope­racionalização de políticas de fomento empresarial.


Que mensagem faz passar o INAPEM em eventos como a Feira Internacional de Luanda (FILDA)?

A participação em eventos como a FILDA constitui uma oportunidade valiosa para a divulgação dos vários serviços de apoio e promoção empresarial prestados pelo INAPEM. Deste modo, o INAPEM visa ir ao encontro dos seus clientes, presentes e futuros, para juntos trabalharem em prol do crescimento da economia nacional, através das MPME’s.


Quando o INAPEM foi criado, Angola ainda estava à procura de uma estabilidade política, para poder impulsionar a reactivação da economia e a reconstrução nacional. No novo contexto, de paz efectiva, qual é o paradigma de actuação do Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas?


O INAPEM trabalha, desde a sua criação, na implementação das políticas definidas pelo Executivo conducentes a melhorar a produtividade, qualidade e competitividade das MPME’s do país. A ferramenta essencial do INAPEM neste desafio é o seu estatuto de interlocutor privilegiado do Estado na concertação e diálogo institucional com entes públicos e privados com um papel de destaque no exercício da actividade económica.


O Executivo informou, no lançamento do Programa de Reconversão da Economia Informal, que espera tirar da informalidade duas mil microempresas. O número de microempresas que ainda estão na economia informal não deve ser maior que o número avançado pelo Executivo?


A liberalização da economia nacional suscitou a criação de micro e pequenos negócios informais, absorvendo homens e mulheres que buscavam o seu sustento. Entretanto, a informalidade passou a ocupar uma porção do sector terciário da economia, nomeadamente nos segmentos de comércio de bens alimentares, bens industriais, vestuário, prestação de serviços mercantis, profissionais liberais, etc. Não obstante o INAPEM, por força das suas atribuições, acompanhar de perto o sector informal, importa relembrar que existe um órgão responsável por produzir informação estatística oficial, incluindo sobre o índice de informalidade na economia nacional.


Os países do primeiro mundo têm uma economia robusta devido também ao contributo das micro, pequenas e médias empresas que, além disso, têm sido uma fonte expressiva de recrutamento de mão-de-obra. Gostaria de ouvir a sua opinião.


Isto é um facto, daí a preocupação do INAPEM em inverter este quadro por via das suas parcerias institucionais com entes multissectoriais dos sectores públicos e privados de maneira a criar um ecossistema que permita às MPMEs contribuírem, de forma significativa, no PIB, assim como na geração de emprego e de riqueza.



O INAPEM tem procurado, no estrangeiro, as melhores experiências para serem replicadas em Angola?


Sim, a fim de melhorar a qualidade dos serviços prestados, o INAPEM tem cooperado com as suas congéneres de Portugal e do Brasil e com instituições intergovernamentais, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na troca de conhecimento, metodologias, ferramentas, projectos e programas de fomento ao empreendedorismo, com destaque para as MPME’s.



Qual é o número de micro, pequenas e médias empresas controlado pelo Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas?


De 2012 a 2021, temos um total de 26.914 empresas, empreendedores e cooperativas certificados, sendo 21.236 micro, 2.906 pequenos e 2.772 médios negócios.


Pode revelar-nos, caso tenha esse dado, o volume de créditos concedidos este ano pelos bancos comerciais às micro, pequenas e médias empresas?


Considerando 2021 como ano de análise à concessão de crédito via instituições financeiras bancárias, no período em destaque, foram concedidos 188 novos créditos, dos quais 101 dizem respeito a empresas e 87 a cooperativas.


O INAPEM não defende o surgimento de um banco comercial para atender apenas às micro, pequenas e médias empresas?


Nos passados 20 anos surgiu uma multitude de soluções de financiamento às MPME’s, desde instituições financeiras bancárias e não bancárias, fundos de investimento e linhas de financiamento. Para o INAPEM, esta variedade de soluções apresenta várias vantagens que vão além do banco comercial para MPME’s, tais como uma oferta de produtos e serviços mais competitiva, uma maior abrangência no acesso a microcrédito, entre outros produtos de inclusão financeira.



Angola precisa de empreendores visionários, inovadores e que façam a diferença. Qual é o perfil do empreendedor angolano?

Embora empreender em meio à crise gerada pela pandemia seja um desafio considerável, o empreendedor nacional é resiliente e continua mostrando que, apesar das dificuldades, a criatividade e a desenvoltura andam em alta. Esta força de vontade e criatividade ajudam a colmatar défices de conhecimento, tanto de boas práticas de gestão e empreendedorismo, como dos recursos públicos e privados de apoio ao desenvolvimento da sua actividade. Daí surge o INAPEM, que, através dos seus serviços, apoia os empreendedores na profissionalização do seu negócio, contribuindo assim para o aumento da sua competitividade e da sua capacidade para gerar emprego, bem como de aceder a soluções de financiamento.



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