Opinião

O diálogo e a concertação

Se o diálogo e o respeito pelo Direito Internacional prevalecerem como normas ou procedimentos de cumprimento obrigatório, a maioria dos diferendos teriam sido resolvidos pacificamente.

28/09/2022  Última atualização 06H55

 Esta visão, um ideário da Política Externa angolana, está em consonância com o discurso apresentado em nome de Angola na segunda-feira, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, durante a 77ª sessão da Assembleia-Geral daquela importante tribuna política e diplomática mundial.

A embaixadora Maria de Jesus Ferreira, que discursava em representação do Presidente João Lourenço, defendeu que "o mundo vem enfrentando desafios persistentes e cíclicos, agravados nos últimos anos pela situação sanitária internacional provocada pela pandemia da Covid-19, o surgimento de crescentes ameaças à economia, à paz e à segurança global, bem como pelo impacto das alterações climáticas".

Num contexto semelhante ao exposto pela representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, apenas vingam positivamente diligências que tenham como substrato o diálogo, a concertação, a resolução pacífica de diferendos, a conciliação, entre outros gestos.

Se por um lado, se diz que a "guerra ou os conflitos armados são a continuação da política por outros meios", porque é dessa forma que determinados actores acabam por exprimir ou prolongar a sua estratégia política, por outro, é também aceitável que se encare o diálogo e a concertação nos mesmos moldes.

Dialogar e concertar são formas simples, sempre acessíveis quando as partes se prestam a tal, de gerir e resolver conflitos, de que as nações ou grupos nunca deveriam descartar porque os seus benefícios superam sempre os custos.

Por experiência própria Angola tem pugnado por soluções endógenas em todos os casos em que a "sagesse" e modesta contribuição da liderança angolana sejam solicitadas ou esperadas, no quadro das organizações em que se encontra inserida.

Mais do que soluções vindas de fora, é sempre preferível que as partes em conflito maximizem as possibilidades de entendimento, na base de cedências e concessões, em detrimento do papel de uma eventual mediação ou facilitação, que nem sempre pode ser bem sucedida.

No concerto das nações, a posição política e diplomática de Angola é clara ao fazer apologia do respeito  escrupuloso pela Carta constitutiva das Nações Unidas, que postula a necessidade insubstituível de resolução dos conflitos pela via pacífica.

A paz mundial está de alguma maneira ameaçada com uma série de conflitos, de maior dimensão, como sucede na Ucrânia, de menor dimensão como o que ocorre no Tigray, na Etiópia, no Médio Oriente, opondo palestinos aos israelitas, na República Democrática do Congo, no Chade, Somália, apenas para mencionar estes conflitos, que se prolongam no tempo.

Na verdade, as abordagens, as estratégias e acções que visam ganhar tempo, ter vantagens em campo de batalha e persistir no uso da força militar apenas acaba por comprovar o quão urgente se afigura a mudança de paradigmas na direcção da paz.

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