Opinião

O crédito do “Banco Alemão”

Todos os dias, deparamo-nos com muitas reclamações, algumas legítimas, dos nossos empresários em que o cerne da maioria das questões levantadas pelos mesmos resume-se, invariavelmente, à alegada de falta de financiamento para os seus projectos.

18/01/2022  Última atualização 09H30
É verdade que o acesso ao crédito para financiar a produção nacional andou, durante muito tempo e estará ainda a andar, por estes tempos, por caminhos inacessíveis ou, quando muito, em condições bastante draconianas.

Os bancos comerciais, grande parte deles habituados que se encontravam a investir menos no sector produtivo em detrimento da visão quase que especulativa, com "os olhos” em instrumentos financeiros de "lucro rápido”, andaram sempre pouco inclinados a financiar a produção nacional, por um lado.

Por outro, devemos igualmente reconhecer que nem sempre os nossos empresários têm sido capazes de aceder às oportunidades de crédito, fruto de uma série de factores, desde a reduzida organização fiscal, administrativa, contabilística, patrimonial, entre outros.

Em tempos, o Banco Nacional de Angola (BNA), por via de um instrutivo que há muito pecava por tardio na sua implementação, determinou que os bancos comerciais dedicassem 2,5 por cento dos seus activos ao financiamento do sector produtivo. Como se encontra a efectivação da referida medida  do BNA e com que resultados prevalecem como aspectos para sabermos, numa altura que fazemos votos de que o financiamento às empresas seja uma realidade crescente e sustentada.

Portanto, embora algumas das medidas draconianas prevalecem para o acesso ao crédito, mas não necessariamente incontornáveis, a ideia de que há completa impossibilidade de acesso ao financiamento começa a ser desconstruída paulatinamente.

O dinheiro até existe, sendo o problema principal as condições para o acesso que, em boa verdade, devia ser o cavalo de batalha das instituições e dos empresários, no sentido de se negociar os termos, a flexibilidade, ao lado de outras condições.  

Há dias, o crédito do Deutsche Bank (Banco Alemão), estimado actualmente em cerca de 800 milhões de euros, exclusivamente destinado a apoiar o sector privado e, estranhamente, subaproveitado pelas empresas, gerou as mais várias intervenções.

O Presidente da República, João Lourenço, mostrou-se, de alguma maneira, insatisfeito pela forma pouco proveitosa como os agentes do sector privado acedem ao referido crédito, disponível, segundo consta, há já três anos.

A primeira referência do Chefe de Estado ocorreu quando concedeu a entrevista aos órgãos de comunicação social e a segunda vez sucedeu durante a reunião do Conselho Económico e Social, órgão consultivo do Mais Alto Magistrado da nação, no dia 14. Nesta ocasião, o Presidente disse que "para um país que quer inverter a estrutura da sua economia, fazer com que o Estado deixe de ser menos interventivo na economia e passar essa responsabilidade ao privado, não podemos continuar a desperdiçar os recursos que estão à disposição da economia, para que possamos empoderar o sector privado”.

Tudo dito e ao que se sabe, a linha de crédito do "Banco Alemão” é curiosamente das menos gravosas nas condições de reembolso e desperdiçá-lo não pode ser uma opção do pessoal do sector empresarial privado.

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