Opinião

O bem comum e os governantes

Um dos grandes problemas do país é a pobreza que afecta muitos milhões de angolanos. A  pobreza é uma realidade dramática  que atormenta muitas famílias  que,  em muitos casos, só podem fazer uma refeição por dia, conseguida com muito sacrifício, no quadro de uma luta pela sobrevivência.

30/11/2018  Última atualização 06H30

Durante vários anos  não se deu a devida atenção aos principais problemas comuns das populações, mesmo em momentos em que o país tinha muitos recursos financeiros, provenientes das exportações  do petróleo e dos diamantes.
Alguém entendeu dar as costas à promoção da justiça  social,  optando por uma acumulação de riqueza que só beneficiou a uns poucos angolanos, que acabaram por colocar dinheiros ilicitamente subtraídos ao Estado no estrangeiro, promovendo o crescimento de economias de outros países, enquanto a maioria do povo angolano  passava e continua a passar por situações de grande carência.
Quando a guerra terminou em 2002, era grande a esperança dos angolanos de viver num país em que todos poderiam beneficiar das suas riquezas. Com o passar dos anos , constatou-se que, mesmo com os elevados recursos financeiros que proporcionavam a economia mineira, a miséria e as desigualdades sociais agravavam-se, um fenómeno a que alguém chamou   “paradoxo  da abundância”.
Pouco depois do fim da guerra, em 2002, os governantes de então tinham assumido o compromisso de promover a justiça social, mas, para a tristeza da maioria, afinal  a promoção do bem comum não estava  entre as prioridades daqueles que tinham o dever de estabelecer políticas públicas para uma redistribuição justa da riqueza nacional.
 A pergunta que muitos angolanos fazem com frequência  é:  como é  possível  que os angolanos estejam a viver tão mal, tendo o país imensos recursos naturais? Fomos assistindo, ao longo dos anos, ao enriquecimento ilícito  de uma minoria de angolanos que achava que era normal servir-se dos dinheiros públicos, atirando para a pobreza  extrema  milhões de cidadãos.
Aqueles que detêm o poder político que emana da vontade dos eleitores, expressa  nas urnas,  têm o dever de cumprir o que prometem ao povo.  O povo espera sempre dos  governantes eleitos  uma gestão da coisa pública que vá no sentido de assegurar que todos vivam com dignidade.
Angola é de todos os angolanos e todos os angolanos têm o direito a uma vida digna. Que o actual Governo, formado depois das eleições de Agosto de 2017,  continue a trabalhar  em prol  da melhoria  das condições de vida dos mais carenciados.

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