Opinião

O apelo do Presidente à máxima contenção na RDC

As relações entre a República Democrática do Congo (RDC) e a República do Rwanda, agravadas recentemente pelas incursões armadas do grupo M-23, que culminaram na ocupação de localidades dentro da RDC, e com a expulsão do embaixador do país vizinho, encontram-se à beira da ruptura.

04/11/2022  Última atualização 06H25

A RDC entende que o Rwanda apoia o movimento criado no dia 23 de Março de 2009, formado por congoleses de origem tutsi, também designados de Baniamulengues, não integrados nas Forças de Defesa e Segurança da RDC, por força dos compromissos assumidos naquela altura.

Daí a formação do movimento com as iniciais que designam o mês de Março e o dia em que tinha sido assinado o fracassado acordo que previa a desmobilização, desarmamento e integração, passos que não foram plenamente cumpridos.

Hoje, as milícias do M-23, que alegam lutar para a alegada aceitação e integração do segmento demográfico que representam na sociedade congolesa, com plenos direitos, em detrimento do que alegam ser um suposto tratamento discriminatório, por serem associados ao Rwanda.

A RDC, cujas forças armadas variadas vezes capturaram elementos comprovadamente pertencentes às forças armadas rwandesas a combaterem lado-a-lado das milícias, acusam o país do Presidente Paul Kagame de intervir militarmente na RDC sob a capa do referido grupo.

Rwanda, repetidas vezes, rejeitou as acusações feitas pela RDC, e convém ressaltar isso, já corroboradas por várias organizações internacionais e Estados, que instam Kigali a desempenhar um papel responsável, construtivo e franco para pacificação do Leste da RDC.

Várias diligências têm sido feitas por países  vizinhos como Angola, na pessoa do Presidente João Lourenço, também nas vestes de presidente em exercício da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), que não poupa esforços políticos e diplomáticos para ver resolvida a situação de insegurança, bem como a reaproximação entre Kinhsasa e Kigali.

Na quarta-feira, durante a Mesa de Assembleia da União Africana, em reunião virtual, por iniciativa do presidente em exercício da União Africana e Chefe de Estado do Senegal, Macky Sall, o Presidente João Lourenço lançou um forte apelo às duas partes, instando-as a "manter permanentemente abertas as portas do diálogo, a todos os níveis”.

Apesar do nível de tensão cujo apogeu se efectivou com a expulsão do embaixador do Rwanda na RDC e com a convocação por parte do último do seu diplomata em Kigali, defende o Chefe de Estado angolano que deve haver "máxima contenção” entre as partes.

O Executivo e o povo angolanos auguram que as autoridades congolesas e as rwandesas, mesmo nesta conjuntura difícil, não permitam que a situação escape ao controlo, com acções de hostilização mútuas por parte das populações,  com o acirrar da situação militar que pode levar à confrontação entre os dois exércitos, optando sempre pela máxima contenção.

 

 

 

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