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Nyusi reconhece que grupos armados estão condicionados

No discurso de abertura da reunião do Comité Central da Frelimo, Filipe Nyusi reconheceu o êxito do combate ao terrorismo em Cabo Delgado

29/05/2022  Última atualização 07H00
Presidente moçambicano diz que o país deve continuar a apostar nas capacidades de defesa © Fotografia por: DR

O Presidente moçambicano disse, sexta-feira, que a acção dos grupos armados que actuam na província de Cabo Delgado está agora limitada a "ataques esporádicos”, afastando a tentação de "discursos triunfalistas” no combate ao terrorismo, apesar dos "progressos”. Segundo a Lusa, Filipe Nyusi falava na abertura da quinta sessão ordinária do Comité Central da Frelimo, partido no poder e do qual é líder.

As Forças de Defesa e Segurança (FDS), apoiadas pela "força local” - um grupo de milícias - e pelas forças governamentais da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Rwanda, após sucessivos desaires, têm estado a registar progressos contra o terrorismo e a permitir o regresso gradual das populações às zonas de origem e a reposição de serviços básicos como vias de acesso, escolas, hospitais, serviços administrativos e financeiros.

Apesar da "redução da incidência dos ataques terroristas”, não se pode embarcar num "discurso triunfalista” na luta contra os grupos armados”, destacou o Chefe de Estado moçambicano. Filipe Nyusi assinalou que o país deve continuar a apostar no aumento da sua capacidade de defesa contra as ameaças à segurança, mesmo contando com parceiros internacionais na guerra em Cabo Delgado. "Por outro lado, deve investir-se no desenvolvimento social e económico da província e da região Norte”, sublinhou.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de quatro mil mortes, segundo o projecto de registo de conflitos ACLED.

Desde Julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais, com o apoio do Rwanda e da SADC, permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes.


Bases da Renamo encerradas até fim do ano


Na intervenção perante o Comité Central da Frelimo, Filipe Nyusi disse que todas as bases militares da Renamo deverão estar encerradas até ao final do ano.  No âmbito do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da guerrilha da Renamo, já foram desactivadas 12 das 16 bases que o braço armado do principal partido da oposição tinha, acrescentou Filipe Nyusi.

O líder da Frelimo avançou que 68 por cento dos cerca de cinco mil guerrilheiros da Renamo já foram desmobilizados, "estão nas suas casas” e em reintegração social. Apesar do sucesso do DDR, prosseguiu, o Governo vai continuar o diálogo com a Renamo, visando a preservação da paz.

"Defendemos que a paz, estabilidade, unidade e progresso devem constituir o interesse supremo de todos os moçambicanos”, concluiu Filipe Nyusi.

O DDR insere-se no quadro do Acordo de Paz e Reconciliação assinado entre o Governo da Frelimo e a Renamo em Agosto de 2019. O entendimento foi o terceiro entre as duas partes, sempre após ciclos de violência armada, principalmente no Centro do país.

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