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Número de mortos aumenta para 122  

O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Felix Tshisekedi, anunciou, este sábado, que o número de civis mortos, terça-feira, supostamente, pelo Movimento 23 de Março (M23) na localidade de Kishishe, Leste do país, subiu para mais de uma centena.

04/12/2022  Última atualização 05H45
Combatentes do M23 são acusados de terem assassinado dezenas de civis no Kivu do Norte © Fotografia por: DR
Fontes locais disseram à Rádio OKapi, uma das emissoras do país, que o número de mortos subiu para 122, informando os 64 corpos encontrados nas últimas horas eram de pessoas que estavam escondidas numa igreja.

 "O Presidente da República também enviou uma mensagem de compaixão e solidariedade às famílias e comunidades directamente afectadas por esta tragédia. Os três dias de Luto Nacional culminarão, segunda-feira, com uma cerimónia de homenagem que será transmitida pela televisão”, refere um comunicado da Presidência do país, divulgado pelo portal de notícias Actualité.

Segundo a  France Press (AFP), o Presidente  congolês- democrata declarou três dias de Luto Nacional pelo aludido massacre.

Na última reunião do Conselho de Ministros, "o Presidente pediu ao Ministério da Justiça que abra, sem demora, uma investigação interna e ao mesmo tempo trabalhe a favor de uma investigação internacional para esclarecer este crime de guerra”, sublinha o comunicado.

 A Embaixada de França na RDC demonstrou, na sua conta oficial na rede social Twitter, "grande preocupação” com relatos deste massacre "supostamente cometidos pelo M23,  que podem constituir crime de guerra”.

"Esses actos não devem ficar impunes e o M23 deve ser afastado sem demora”, acrescentou a Embaixada francesa.

Por sua vez, o porta-voz do M23, Lawrence Kanyuka, disse, em comunicado,  que as acusações de Kinshasa são "infundadas”, realçando que "o M23 nunca atacou populações civis”.

"O M23 alerta sobre o genocídio em curso em Masisi e pede à comunidade internacional e às Nações Unidas que investiguem minuciosamente”, enfatizou o porta-voz. Nesse sentido, o grupo rebelde tem alertado para "uma campanha, sobretudo por parte dos que não querem a paz”, para prejudicar a sua imagem e a boa relação com a população civil que está sob seu controlo, pelo que solicita "rapidamente uma investigação independente”.

"O M23 reitera o seu compromisso de iniciar um diálogo directo com o Governo da RDC e acredita que é a única forma de resolver pacificamente o conflito no Leste do país”, concluiu Kanyuka no comunicado, divulgado pelo grupo através do Twitter.

No quadro de uma cimeira na capital angolana, para avançar na normalização das relações diplomáticas, a RDC e o Rwanda acordaram, na semana passada, um cessar-fogo, bem como a retirada das suas tropas das áreas recentemente ocupadas na província do Kivu do Norte.

A nova ronda de conversações na capital do Quénia, Nairobi, iniciada na segunda-feira, surge depois de o grupo rebelde ter aceite o Acordo para a cessação das hostilidades no Kivu do Norte, embora tenha advertido que se reserva qualquer direito de resposta a qualquer ataque.

 Reacção a comentários de Kagame

O Governo congolês-democrata criticou o Presidente rwandês, Paul Kagame, pelos seus comentários sobre as próximas eleições que terão lugar na RDC. Na quinta-feira, Kagame acusou Felix Tshisekedi de aproveitar-se da violência no Leste da RDC para atrasar as eleições.

"Acho que o Presidente Kagame não tem legitimidade para fazer nenhum comentário sobre as eleições", disse o porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya, à AFP, lembrando que, por meio de um referendo Kagame "garantiu que a sua permanência no poder irá até 2034."

 "Existe liberdade de expressão no Rwanda?”, questionou. "Existe liberdade de manifestação no Rwanda? Não”, continuou Patrick Muyaya, para acrescentar: "É melhor Paul Kagame olhar primeiro  para o seu próprio país antes de apoiar qualquer posição . No que  diz respeito à democracia, a nível mundial, ele está  no último  lugar da lista”, acrescentou o porta-voz e ministro das Comunicações.

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