Coronavírus

Número de casos diminui mas África preocupa OMS

Globalmente, começou por dizer Tedros Ghebreyesus, o número de casos de Covid-19 comunicados à OMS diminuiu durante sete semanas consecutivas, a sequência mais longa de declínios semanais desde o início da pandemia.

16/06/2021  Última atualização 04H15
© Fotografia por: DR
O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, salientou a diminuição do número de casos de Covid-19 no mundo, mas afirmou-se preocupado com o "aumento acentuado” em África.

Esse aumento é "especialmente preocupante”, por se tratar de uma região onde há menos acesso a vacinas, a diagnósticos e a oxigénio, disse, segunda-feira, o responsável, numa conferência de imprensa online, a partir de Genebra, para fazer um ponto da situação da pandemia de Covid-19 no mundo.

No entanto, salientou, ainda que o número de casos semanais estejam a baixar, o número de mortes não diminui tão rapidamente, tendo o de mortes relatado na semana passada sido idêntico ao da anterior.

Ainda em relação ao continente africano o director-geral da OMS citou um estudo recente (publicado na revista Lancet) para dizer que África tem a mais elevada taxa de mortalidade por Covid-19, apesar de ser das regiões com menos casos notificados.

Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou também que os dados disponíveis indicam que as novas variantes do coronavírus SARS-Cov-2 "aumentaram substancialmente” a transmissão de Covid-19 a nível global, o que significa que os riscos aumentaram para as pessoas que não estão protegidas, "a maior parte da população mundial”.

"Neste momento, o vírus está a mover-se mais rapidamente do que a distribuição global de vacinas”, disse, lembrando depois que morrem por dia, devido à Covid-19, mais de 10 mil pessoas, e que só durante o tempo que dura a conferência de imprensa da OMS (cerca de uma hora) morrem mais de 420 pessoas.

O responsável lembrou que, na cimeira do último fim-de-semana dos sete países mais industrializados (G7), referiu que é preciso vacinar pelo menos 70% da população mundial até à próxima reunião do G7 (próximo ano) e que para tal são necessários 11 mil milhões de doses de vacinas. E saudou a oferta dos países do G7 de 870 milhões de doses, que serão distribuídas especialmente pelo mecanismo COVAX, que a OMS lidera para a distribuição mundial equitativa de vacinas.


"É uma grande ajuda, mas precisamos de mais, e precisamos delas mais rapidamente. Estas comunidades precisam de vacinas, e precisam delas agora, não no próximo ano”, avisou.

E até que as vacinas sejam distribuídas, disse, a maioria dos países continuam a de-pender só da saúde pública e das medidas sociais, que na verdade são eficazes contra todas as variantes do vírus, ainda que eventualmente tenham que ser mais rigorosas em locais onde as vacinas ainda não chegaram, devido ao aparecimento de variantes mais transmissíveis.

Tedros Ghebreyesus disse que a OMS está a recolher dados em todo o mundo sobre a eficácia das medidas de saúde pública e sociais para combater a pandemia e revelou que, com o apoio da Noruega, vai estudar o impacto das medidas sociais e de saúde pública durante a Covid-19 e outras emergências sanitárias.

Na conferência de imprensa, a especialista da OMS Mariangela Simão disse que problemas detectados numa fábrica de vacinas da Johnson & Johnson nos Estados Unidos não vão afectar a distribuição de vacinas a nível mundial, já que a maioria das vacinas não é produzida no laboratório em questão.

Questionada pelos jornalistas, explicou também que as vacinas actualmente a ser ministradas não são experimentais, mas sim vacinas autorizadas e que cumprem todos os requisitos. Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, acrescentou que estão actualmente muitas outras vacinas em fase experimental, algumas delas subcutâneas e outras nasais.

Quando questionado sobre se é possível à OMS obter o financiamento necessário para os objectivos de vacinação mundial, o director do programa de Emergências em Saúde da organização, Michael Ryan, salientou que bastaria um por cento dos gastos mundiais em defesa militar durante um ano.

"O vírus já matou quase quatro milhões de pessoas. Não é difícil entender por que temos de investir mais”, disse depois Tedros Ghebreyesus.

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