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Novos serviços impulsionam desenvolvimento do Buco-Zau

No âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) a comuna de Necuto vai reforçar a produção de água potável, com a instalação de um novo sistema com capacidade para 210 metros cúbicos por hora, para abastecer as aldeias localizadas no perímetro entre Cungochionze e Caiocontene.

09/07/2020  Última atualização 11H32
António Soares| Edições Novembro

A implementação de sete projectos, no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) constituí a alavanca para garantir o desenvolvimento do município de Buco-Zau, em Cabinda, e melhorar o nível de vida da sua população, estimada em mais de 41 mil habitantes.
Na localidade de Buco Zau, no âmbito do PIIM, estão inscritos projectos de ampliação do Tribunal de Comarca, sistema de fornecimento de água à comuna de Necuto, acções de iluminação pública, reabilitação do eixo rodoviário e aquisição de equipamentos para o saneamento básico, bem como a reabilitação do sistema de abastecimento de água do Nhuca e a construção de um complexo habitacional de 120 casas do tipo T2 e T3.

Os projectos do PIIM estão orçados em cerca de 135 milhões e 538 mil Kwanzas, a serem gastos no decurso do presente ano. Em entrevista ao Jornal de Angola, o administrador da localidade, José Macaia, referiu que, para catapultar o município ao desenvolvimento que se pretende, as autoridades locais projectaram um orçamento estimado em cerca de três mil milhões de kwanzas mas, devido à conjuntura financeira actual, não foi possível.
“No plano global, o município solicitou às estruturas competentes, três mil milhões de Kwanzas, para a execução dos seus projectos de âmbito social, nos sectores da Educação e da Saúde, e nos domínios da construção de estradas (secundárias e terciárias) e saneamento básico, mas que, infelizmente, com a revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) se criou um desequilíbrio na execução das empreitadas”, lamentou.

Segundo o administrador municipal, no sector da Educação, o município não vai tão mal assim, apesar de registar um défice de 36 salas de aula e de alguma insuficiência no quadro docente, para suprir as dificuldades verificadas nas aldeias, sobretudo, na comuna de Necuto. José Macaia garante que não existem crianças, em idade escolar, fora do sistema normal de ensino, “e nas localidades onde há falta de salas, os alunos ‘ajeitam-se’ nos jangos e nas capelas”.

Na sede municipal, nos bairros e aldeias circunvizinhas, o abastecimento de água e de energia eléctrica é feito 24 horas por dia. Só há interrupções, quando se regista falta de combustível ou ruptura no canal de distribuição de água.
No âmbito do PIIM, a co-muna de Necuto vai reforçar a produção de água, com a instalação de um novo sistema com capacidade para 210 metros cúbicos por hora, para abastecer as aldeias localizadas no perímetro entre Cungochionze e Caiocontene.
Produção do café e cacau

Com uma população estimada em mais de 41 mil habitantes, o município de Buco-Zau é, desde a era colonial, uma região potencialmente agrícola. Os agricultores locais produzem em grande escala a banana, batata-doce e rena, mandioca e amendoim. A extracção da madeira é uma actividade notável, na localidade.

O administrador José Macaia refere que a actividade agrícola no município está cada vez mais forte. “Apostamos, nesse momento, na recuperação das antigas fazendas. No passado, Buco-Zau foi o centro da produção de café e de cacau, a nível da província de Cabinda”, disse.
Explicou que, a recuperação das antigas fazendas, abandonadas pelos proprietários (colonos), aquando da Independência Nacional, em 1975, implica o relançamento da produção dos referidos produtos, cujo projecto começou a ser implementado, em 2017, com a envolvência de 226 famílias camponesas.

O relançamento das culturas de café, cacau e palmar é um projecto que o governo da província de Cabinda está a levar a cabo, no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento, no qual o Ministério da Agricultura Floresta e Pescas visa produzir 300 mil plantas, numa área de 80 hectares, envolvendo mais de 107 associações agrícolas familiares.

O governo de Cabinda, através da Secretaria Provincial da Agricultura, produziu quantidades de viveiros de café, de cacau e de palmar, para serem distribuídos aos agricultores locais e garantir o fomento das referidas culturas nas comunas de Massábi, Tando-Zinze e Buco-Zau, numa extensão de 112 hectares.

Os resultados são animadores e a primeira safra ultrapassou a expectativa. Agora, o empecilho está no escoamento e na falta de compradores. Segundo o administrador José Macaia, por falta de compradores, mais de 4,6 toneladas de café estão armazenadas nas residências dos produtores e nos campos de cultivo, enquanto o cacau é consumido pela população local.

“Os empresários nacionais e estrangeiros que demonstraram interesse na aquisição do nosso produto, têm agora imensas dificuldades, devido ao surgimento da pandemia da Covid-19. Isto constitui uma grande preocupação para nós, porque desmotiva os produtores ao ponto de comprometer o projecto”, lamenta.

José Macaia acrescenta que a produção da banana, ananás, abacate, mandioca e citrinos (laranja, limão e tangerina) é, também, afectada pela falta de escoamento e de compradores. “Os camponeses da região estão agastados, porque os gastos superam os benefícios”, sustenta.

Ex-militares na agricultura

O município do Buco-Zau, província de Cabinda, beneficiou de 300 milhões de Kwanzas para apoiar os projectos de integração socioeconómica dos ex-militares, entre outras acções nos domínios da Educação e da Saúde, executados no âmbito do Programa Nacional de Combate à Fome e à Pobreza.

O administrador esclareceu que 70 por cento do valor é destinado à implementação de vários projectos produtivos, nas áreas da agricultura, piscicultura, criação de suínos , galináceos e noutras actividades. O referido projecto, sublinha, envolve mais de 312 ex-militares, dos quais 202 optaram pela actividade do comércio, alfaiataria e serralharia, enquanto o resto actua na actividade agrícola e criação de animais.

“Temos já disponíveis 210 milhões de Kwanzas, para investir em projectos de apoio aos ex-militares, na vertente da agricultura, nomeadamente, na piscicultura, criação de suínos e galináceos”, finalizou.

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