Cultura

Novo plano de gestão local vai revalorizar o património

O novo Plano de Gestão do Centro Histórico de Mbanza Kongo, província do Zaire, para o período 2022/2026, prevê acções de requalificação e revalorização dos monumentos e sítios, informou, ontem, o director adjunto do Instituto Nacional do Património Cultural, Emmanuel Caboco.

20/12/2021  Última atualização 05H25
Kulumbimbi é um dos principais destaques do local histórico por ter sido a primeira catedral erguida na África subsariana © Fotografia por: DR
Em fase derradeira de elaboração, o aludido plano deve entrar em vigor a partir de Fevereiro do próximo ano, e as intervenções, explicou, consistirão, fundamentalmente, na estabilização e consolidação das ruínas da antiga Sé Catedral (Kulumbimbi), sem excluir outros monumentos e sítios.

"Estes bens culturais precisam de ser requalificados e valorizados, para que traduzam a verdadeira reconstituição histórica do Centro Histórico inscrito na lista do Património Mundial, a 8 de Julho de 2017”, disse o técnico do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente.

Emmanuel Caboco admitiu que, além de outras acções, o novo plano de gestão vai, ainda, fazer o reajustamento de algumas medidas previstas no primeiro programa de acções, que vigorou de 2016 a 2020, após uma aturada avaliação, para a identificação dos pontos de estrangulamento na sua materialização.

No novo documento, adiantou, vai estar, também, reflectido o tipo de engajamento institucional e financeiro que deve ser adoptado para a materialização sucedida no período previsto. O técnico acrescentou que o primeiro interessado neste plano de gestão é o Estado angolano, que deve garantir o financiamento necessário para a execução e avaliação das acções programadas, sem perder de vista eventuais apoios de outras entidades nacionais e estrangeiras.

O plano de gestão para o período 2022-2026 reserva, também, esclareceu, acções sociais voltadas para o desenvolvimento integral deste centro histórico. A educação e pesquisa estão reflectidos no novo documento programático que está a ser elaborado por técnicos do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O anterior, que expirou em 2020, se dedicou apenas em acções que visavam a conservação e preservação do património histórico-cultural local, sem grande impacto na melhoria de vida dos munícipes.

Emmanuel Caboco integra uma comitiva de consultores da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura(UNESCO), chefiada pelo cabo-verdiano Charles Akibodé, que trabalha, desde a semana passada, em Mbanza Kongo.

Durante cinco dias, os peritos da UNESCO procederam à avaliação do grau de cumprimento das tarefas programadas no primeiro plano de gestão deste centro histórico, assim como à recolha de contribuições das autoridades governamentais e a sociedade civil que vão enriquecer o novo documento em forja.

A UNESCO previu, desde 2017, visitas de quatro em quatro anos ao centro histórico de Mbanza Kongo, para identificar possíveis pontos fracos e sugerir a melhoria de alguns aspectos que se prendem com a gestão do local.


  Consultor da UNESCO quer aposta no turismo

O consultor internacional da UNESCO, Charles Akibodé, defendeu, a semana passada, em Mbanza Kongo, Zaire, uma maior aposta na dinamização da economia e do turismo cultural na região.
O perito da UNESCO, que cumpre uma missão de dias a Mbanza Kongo, para avaliar o grau de cumprimento das acções  do Plano de Gestão deste Património Mundial, referente ao quadriénio 2016/2020, considera o turismo cultural o novo centro do poder da economia global ou mundial.

O cabo-verdiano ao serviço da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) insistiu, por isso, para a necessidade de dinamização do imaginário colectivo ou da economia criativa, investindo na  promoção da indústria do artesanato local.

Para o perito, é fundamental potenciar a juventude da região para a valorização e disseminação dos valores tradicionais afins, assim como o investimento na agricultura industrial aliada aos conhecimentos ancestrais.

Charles Akibodé admitiu ser possível a institucionalização de um festival mundial da arte culinária em Mbanza Kongo que reuniria, entre outros representantes, os países da América que conservam ainda vários pratos típicos originários de Angola.

Na opinião do técnico, este tipo de festival, de economia criativa, traria mais turistas a Mbanza Kongo, não só para visitar e conhecer o passado histórico, mas também para estabelecer empatia e proximidade com os habitantes da capital do antigo Reino do Kongo.

As sugestões avançadas, informou, devem constar do Novo Plano de Gestão deste centro histórico para o período 2022/2026, a entrar em vigor a partir do mês de Fevereiro do próximo ano, cuja elaboração conta com a contribuição do organismo que representa.

A sua presença em Mbanza Kongo, explicou, visa, também, recolher contribuições das autoridades da província e da sociedade civil que irão enriquecer o novo plano de gestão, que vai ter em conta um conjunto de intervenções estratégicas dos departamentos ministeriais previstos para Mbanza Kongo, no período 2022/2026.

O especialista valorizou, ainda, o lançamento da primeira pedra à construção do novo aeroporto, de cariz internacional, em Mbanza Kongo,  na localidade de Nkiende II, a 34 quilómetros do centro da cidade.

"O governo angolano entendeu e bem, não só de retirar o aeroporto do centro da cidade de Mbanza Kongo, como também construir uma infra-estrutura de dimensão internacional que vai permitir a chegada de turistas à região, sem necessidade de passarem por Luanda, a capital do país”, sublinhou.

De referir que, a construção de um novo aeroporto em Mbanza Kongo, fora da cidade, é uma das recomendações feitas pela UNESCO aquando da inscrição deste centro histórico na lista do Património Cultural da Humanidade.


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