Sociedade

Novo modelo de pagamento cria embaraços no processo de inscrição

Alexa Sonhi

Jornalista

O novo modelo de liquidação do imposto para inscrições nas escolas públicas do II ciclo do ensino secundário, através da Referência Única de Pagamento ao Estado (RUPE), controlado pelo Ministério das Finanças, está a criar embaraços a encarregados de educação e alunos candidatos às vagas do próximo ano lectivo.

29/07/2021  Última atualização 08H45
Institutos médios têm estado a registar enchentes consideráveis, com o início das inscrições de ingresso de alunos © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
Numa ronda feita ontem às escolas públicas de Luanda, o Jornal de Angola constatou que muitos encarregados de educação e alunos consideram ser desgastante irem às escolas pegar a nota de liquidação, procurar os serviços bancários, para pagar mil kwanzas de inscrição, por meio do RUPE, e depois regressarem às instituições de ensino, onde entregam o comprovativo de pagamento, a fim de apresentarem a candidatura.

Segundo os entrevistados, este processo, diferente dos anos anteriores em que tudo era feito no mesmo local e hora, pode levar quase todo o dia, tendo em conta as enchentes que devem ser suportadas quer nas escolas, por duas vezes, quer nas instituições bancárias.

Para o último caso, pagamentos em bancos comerciais (caixas automáticos), a situação é agravada ainda, pelo facto de estarem a ser processados os salários da Função Pública, o que alimenta maiores enchentes.

Tirando esta situação, os encarregados de educação e alunos consideram que o processo de inscrição está a decorrer sem sobressaltos, dado o nível de organização registado na maioria das escolas por onde a equipa de reportagem passou.

No Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), por exemplo, estão disponíveis 950 vagas e, até na manhã de ontem, já tinham sido inscritos mais de 700 candidatos para os cursos de Contabilidade, Gestão de Empresas, Finanças, Comércio, Estatística, Informática e Comunicação Social.

O director-geral do IMEL, Jorge Costa, disse que a grande preocupação da instituição tem a ver com o processo de pagamento de imposto no RUPE, tendo em conta a falta de cultura de população sobre esta forma de liquidação. "O resto está tudo calmo”.

Dentro do IMEL, referiu o director-geral, os candidatos, depois de pagarem o referido valor no banco, apresentam o comprovativo e são encaminhados às diferentes salas, para fazerem as inscrições. "Este processo é tão célere, que pode durar de 30 a 45 minutos, no máximo”, garante.

Questionado sobre os resultados dos alunos do ano lectivo transacto, Jorge Costa considerou-os satisfatórios, tendo em conta que houve 83 por cento de aproveitamento. Disse que o índice de reprovação foi quase só causado pelo abandono escolar, por conta da Covid-19.

E, por causa da pandemia, o director-geral do IMEL assegurou que as salas de aula da instituição vão albergar apenas 30 alunos, ao contrário dos 45 habituais dos anos passados.


Situação no IMIL

Já no Instituto Médio Industrial de Luanda (IMIL) estão disponíveis 850 vagas para as áreas de Construção Civil, Electricidade, Electrónica e Telecomunicações, Informática, Mecânica e Mecatrónica e Química.
A directora-geral Philomene José Carlos disse que, até ao momento, já foram inscritos 872 alunos. Apesar dos pequenos transtornos causados pela nova forma de pagamento de impostos, considerou o processo de bastante célere.

"E esta celeridade deve-se ao facto de a instituição criar mecanismos para se imprimir as notas de pagamento antes mesmo de os candidatos chegarem à instituição. Tão logo cheguem, eles recebem e vão ao banco fazer os pagamentos", realçou.

Sobre o nível de aproveitamento, Philomene José Carlos explicou que não foi tão bom: Na 10ª classe, atingiu-se 60%, na 11ª e 12ª classes, as estatísticas de aprovações chegaram aos 80%.
Philomene José Carlos disse que, no próximo ano lectivo, que arranca em Setembro, as salas de aula vão dispor de, até 36 alunos, devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19.

 
IMS/Luanda sem vagas para Enfermagem

No Instituto Médio de Saúde (IMSS), o cenário de dificuldades para o pagamento dos mil kwanzas, através do RUPE, é o mesmo. A situação aflige os candidatos e encarregados de educação, mas o procedimento é obrigatório.

Naquela instituição de formação de técnicos da Saúde de Luanda, segundo a sua directora, Francisca Boavida, para ano lectivo 2021/2022, estão disponíveis 200 vagas e, até ao momento, já foram inscritos acima de 800 candidatos.

Francisca Boavida explicou que dos seis cursos ministrados na instituição média, apenas cinco têm vagas para o próximo ano lectivo, designadamente de Fisioterapia, Estomatologia, Análises Clínicas, Radiologia e Farmácia.

Em relação ao curso de Enfermagem, o mais concorrido, a directora explicou que esta área de formação não dispõe de vagas, por causa do elevado índice de reprovação registado no ano anterior.
"O sistema da escola é que quem reprova fica um ano em casa. Como vamos reenquadrar os reprovados de 2019, logo, se fossem abertas vagas para novas, a escola não teria espaço para estes ou para os outros”, explicou a directora.

Mas, diferente das demais instituições de ensino, no IMS é indispensável a presença do próprio candidato no acto das inscrições. A ideia é que este seja já avaliado a partir da redacção, onde justificar os motivos que os levaram a escolher a formação na área de Saúde.

Sobre as dificuldades da instituição, que vai ter 30 alunos por sala, Francisca Boavida disse que a maior preocupação recai sobre a falta de docentes nas disciplinas técnicas, com destaque Radiologia, Análises Clínicas e Estomatologia.

Francisca Boavida garante que essas necessidades já foram enviadas para o Ministério de Saúde, a fim de mandar mais professores, numa altura em que faltam apenas quase um mês para o arranque do próximo ano lectivo.

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