Cultura

Novo estatuto altera o nome do Museu dos Reis do Kongo

Fernando Neto | Mbanza Kongo

Jornalista

A actual denominação Museu dos Reis do Kongo vai ser substituída por Museu do Reino do Kongo, com vista a proporcionar maior abrangência do acervo, avançou Luntadila Lunguana, na cidade de Mbanza Kongo.

31/05/2022  Última atualização 19H25
Mudança do nome para Museu do Reino do Kongo permitirá maior abrangência do seu acervo © Fotografia por: Fernando Neto | Edições Novembro | Mbanza Kongo

A mudança de nome acontece nos próximos dias, e segundo Luntadila Lunguana, deve-se à alteração dos estatutos, que vai ser promulgado pelo ministro da Cultura, Turismo e Ambiente.

Luntadila Lunguana é chefe da Área de Promoção do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, e fez estas afirmações no decorrer da mesa-redonda em alusão ao Dia Internacional dos Museus, assinalado a 18 de Maio.

Durante a mesa-redonda, subordinada aos temas "Momento actual do Museu dos Reis do Kongo” e "A importância da conservação e valorização dos museus”, Luntadila Lunguana esclareceu que, a mudança do nome, para além de permitir maior abrangência do seu acervo, vai elevar, também, as pesquisas científicas.

"Com o novo estatuto, a resultar na mudança do nome, o acervo museológico relacionado apenas aos pertences dos antigos reis do Reino do Kongo vai ser mais amplo, com a introdução de novas peças arqueológicas, muitas espalhadas em diferentes países africanos e europeus. Além disso, vai aumentar os quadros e terá um orçamento que permita elaborar projectos científicos de gestão, ou um plano técnico”, avançou a responsável.

A parte técnica já foi concluída e a última versão dos novos estatutos foi entregue ao Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo. Em relação a conservação das peças museológicas, avançou que, apesar de não apresentarem deterioração, há toda necessidade de haver intervenções periódicas, no sentido de prevenir a sua degradação.

Neste sentido, segundo a fonte, está programada uma intervenção preventiva, cujo arranque está condicionado com o fornecimento do material específico para o efeito.

No tocante à representação cenográfica, Luntadila Lunguana explicou que, actualmente a região não possui um especialista que possa fazer a associação das peças com um discurso adequado e imagens fixas como fotografias e móveis, multimédia.

"Um especialista de França, a convite da embaixada deste país, fez um levantamento de todo o acervo, em 2020, cujo relatório apontava para a realização de uma visita conjunta entre membros da Embaixada francesa, da empresa Total (financiadora do projecto) e do Ministério da Cultura, em Março, mas a sua implementação tinha sido condicionada com o surgimento da pandemia da Covid-19”, disse.

Por seu turno, o sociólogo Zolana Avelino, a par da alteração da nomenclatura do museu, defendeu a sua modernização, assim como a criação de um conjunto de mecanismos e condições para atrair a juventude e os visitantes que precisam de conhecer a História de Mbanza Kongo.

"O museu é o lugar que permite revelar uma fotografia instantânea sobre a História da cidade, que permite ao visitante ter uma ideia do que aconteceu desde os tempos remotos até a sua elevação à categoria de Património Cultural da Humanidade, em Julho de 2017”, salientou o sociólogo.

O Museu dos Reis do Kongo foi criado em 1982 com o objectivo de conservar e valorizar a história dos antigos soberanos do então poderoso reino, bem como apontava à realização de um estudo para retratar a evolução da cidade de Mbanza Kongo e expor um conjunto de peças e artefactos recolhidos.

Participaram da mesa-redonda,  além de membros do Comité de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, o sociólogo Zolana Avelino, o pároco da Igreja Católica Eduardo Matumona, membros da sociedade civil e das religiões africanas.

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